Crônica de Ano Novo

30 de dez de 2017

Esse ano eu errei, ah, mas como eu errei. Eu virei amiga de quem me traiu, eu perdoei erros de um namorado que voltou a cometê-los, eu me afastei de gente que eu amo. Mas eu também me livrei de gente que me fazia mal, percebi hábitos do meu dia a dia que não valiam a pena continuar e arrumei um emprego muito melhor do que eu tinha. Acho que posso dizer que vou terminar o ano em 1x1. Não dá pra dizer que foi tudo de ruim, nem tudo de bom.

Como o dia 31 de dezembro é A Data do meu ano, é a data que eu espero mais que o meu aniversário, então hoje eu me permiti fazer um dia todo de princesa. Lavei o cabelo, hidratei, fiz a sobrancelha, a unha, uma limpeza de pele caseira e quando eu me olhei no espelho lá pelas 18h da noite até eu queria me dar uns pegas. Isso porque eu ainda nem tinha colocado meu vestidinho branco lindo -de uma promoção que eu peguei no meio do ano!

Eu sou simplesmente apaixonada por essa sensação de fim de ciclo. Apaixonada por saber que eu conclui mais um ano sabe? A ideia de um recomeço, de renovação e toda essa simbologia simplesmente mexem comigo. O que é a vida se não fases? A gente tá sempre em uma fase, daí ela acaba e outra começa. Isso dá um conforto bom quando é uma fase ruim, porque a gente sabe que ela vai acabar. Mas dá um friozinho na barriga porque quando uma acaba outra começa e aí é um novo desafio, novas oportunidades, novos motivos para sorrir, novos momentos para aprender e eu amo o novo!

Lá estava eu na festa que eu ajudei meus amigos a organizar, a churrasqueira já estava acesa e a chuva parecia prestes a cair.  E eu só estava ali sentada, vendo todo mundo conversar e tomada por uma energia tão boa que se alguém me beliscasse, eu sorriria. Pensando na Ale que eu era em 31 de dezembro de 2016 e na Ale que eu sou agora. Duas pessoas completamente diferentes. Uma com o cabelo muito mais bonito que a outra e com uma confiança em mim que eu nunca imaginei.

A chuva começou a cair, a galera se escondeu na parte coberta da casa, uma amiga já tinha feito contagem regressiva duzentas vezes. Eu, que já tinha bebido algumas, coloquei Anitta pra tocar porque as meninas queriam ficar com o quadradinho bem ensaiado, afinal jaja é carnaval. Foi aí que do nada alguém gritou um nome e na hora eu nem me dei conta de quem era, tinha muita gente lá né? E quando eu vi dei um gritinho interno.

Foi o cara que eu conheci quando terminei meu namoro. Eu não lembrava que ele era amigo de alguém dali. Ele era tão gato que, na época que ficamos contei para as pessoas e muita gente nem acreditou. Mas o que eu não acreditei é que ele conseguia ser tão gato e tão gente boa ao mesmo tempo. Nosso lance não durou porque eu estava triste ainda com a história toda do término e ele, bem sagitariano, tinha um intercâmbio para fazer. E agora, no meio do nada ele aparece na festa de final de ano, lindo e com o cabelo molhado.

"Quer uma toalha?"
"Eu sabia que você ia estar aqui, a Laura tá aqui você ia estar."
"Eu ajudei a organziar a festa e não sabia que você viria, como pode?"
"Não me sentiu voltar?"
Eu ri.
"Não, eu não senti. Mas você poderia ter avisado." Falei isso e reparei na Karina fazendo a contagem regressiva pela ducentésima primeira vez.
"Eu avisei, mas parece que você mudou de número. Ou não quer falar comigo."
Ops, eu mudei de número mesmo.
"Claro que eu quero falar com você."

Depois disso ele me beijou. Assim mesmo, no susto. Eu demorei alguns segundos pra perceber que estava sendo beijada. Beijada por aquele homem lindo, maravilhoso e que pelo visto enxergava que eu sou linda e maravilhosa também. Mas ai todo mundo começou a gritar e sacudir a gente.

"FELIZ ANO NOVO!" Ele gritou no meu ouvido enquanto todo mundo gritava todo tipo de coisa. E aí eu me dei conta que a contagem regressiva era pra valer! O único pensamento que me veio foi "virar o ano beijando um homem bom desses só pode significar coisa boa."

Por: Sabrina Lima