29 de nov de 2017

O Professor

Segundas e sextas eram os nossos dias, pelo menos os oficiais. Finais de semana e encontros escondidos em outros dias ficavam guardados entre nós e a secretaria da universidade não tinha nada com isso.

Não acredito ainda que ninguém tenha desconfiado do meu número infinito de dúvidas após o horário da aula. Nem do jeito óbvio que você evitava me olhar e quando olhava ficava tenso e estranho. Claro que eu achava tudo muito divertido. O homão, o professorzão gato que todo mundo queria pegar. Na intimidade era um cara bem mais tímido do que parecia.

Poucos segundos sozinhos no elevador foram suficientes para sentir aquela tensão sexual no ar. Ah, você sabe né. Quando duas pessoas querem transar o ar pesa entre elas, os dois sentem que tem alguma coisa ali. Dá medo até de respirar errado e o outro perceber. Foi exatamente assim, com suor na testa e tudo. Uma aventura pra contar para os meus netos.

Como eu disse ele era tímido, mas nem por isso lento. Eu só precisei dizer "ah, você bem que poderia me dar uma carona né?" e ele deu. Deu carona, deu jantar, deu... Muita coisa. Ainda teve coragem de dizer "não acredito que a gente fez isso". Por que não? Faz parte ter experiências diferentes, ele como professor deveria saber que tudo na vida é aprendizado. A gente aprendeu muita coisa juntos.

O prof tinha uma casa legal, decorada exatamente do jeito que se espera que um professor solteiro decore. Não era bagunceiro, talento na cozinha e na cama. Foram bons seis meses de paixão. E a gente se entendia muito bem. Até que um novo semestre começou e com ele uma nova paixão.

Por: Sabrina M. Lima