23 de out de 2017

Conto de um dia Ruim


O lado bom de escrever o que você sente é poder se sentir exatamente da mesma maneira quando lê aquilo. Passam meses, anos, não importa, eu consigo reviver aquilo de novo. Mas há algum tempo eu resolvi que só escreveria sobre as coisas que eu realmente gostaria de lembrar e quando eu me pego lendo algum texto anterior a essa decisão, percebo o quanto foi bom tomá-la.

Hoje mesmo li um texto mais antigo, de alguma fase difícil e que apesar de triste me deixou feliz. Feliz por perceber que eu não guardo mais sentimentos assim, feliz por perceber que eu mudei tanto a escrita, quanto a minha reação às fases difíceis. É claro que para algumas pessoas é bem óbvio porque envelhecemos e por isso amadurecemos, eu também pensava assim. E é um engano achar que todo mundo amadurece conforme envelhece, não funciona desse jeito.

Irônico ou não acordei em um dia um pouco ruim e ler um texto ruim me fez ficar bem. Eu consegui olhar direto na cara do passado e dizer: ei, você não me assusta mais. As pessoas do passado não me assustam mais, meus erros do passado não me assutam mais, o que eu perdi, quem eu perdi, os textos falando de sentimentos ruins, nada me deixa com medo do passado mais.

Sempre foi difícil pra mim aceitar que "o que passou passou". Porque o que passou sempre ficou muito vivo pra mim. Eu sempre revivi momentos ruins, fases ruins e para girar essa chave para o outro lado foi preciso muita força de vontade. A vida não passou a só ter coisas boas, eu continuo tendo dias difíceis -como hoje, mas eles passam, não importa o quê, sempre passa. E depois que passa fica tudo bem, novamente não importando o quê, sempre fica tudo bem no final.

Com a chave virada para o lado bom da vida você ainda vai vivenciar o lado ruim, mas com a tranquilidade e a sabedoria do lado bom.

Por: Sabrina M. Lima