1 de set de 2017

Só mais um


Quando você quer muito viajar e dá a sorte de ter amigas disponíveis no final de semana é preciso aproveitar. Inventamos um destino qualquer pra irmos de carro com a mais recém habilitada do rolê. Malas as pressas, mulheres indecisas com as roupas, um armário que foi deixado pra trás completamente caótico, porém uma realização a frente: road trip com as amigas, todas solteirinhas e com cartões de créditos cheios de limite disponível.

A minha intenção não era "pegar geral", mas que cidade pra ter homem bonito! Depois de andar o dia inteiro, passamos em casa só pra tomar banho e voltar para a rua. Sentamos no primeiro bar que vimos e eu sabia que só não dormiria na mesa por um milagre, reza braba ou quem sabe muita cachaça.

Ainda não decidi quais dos três realmente aconteceu, mas na hora em que eu bati os olhos no loirinho que servia os chops meu coração bateu mais forte. Se amor a primeira vista existe ele aconteceu ali. Foi como naqueles desenhos que os olhos do cachorrinho viram corações. Eu sempre fui a garota das paixões fáceis, mesmo que essas paixões só durem uma noite. O que vale pra mim é a intensidade de cada uma delas, a vontade que eu vivo cada experiência que a vida me proporciona.

Perguntei para o garçom super gente-boa-e-gato-que-minha-amiga-habilitada-já-estava-de-olho se eu poderia pegar os chops sozinha e tal. Expliquei a situação né. Eu não queria fazer do tipo que manda bilhetinho no guardanapo com o número de telefone. Gosto da coisa cara a cara, corpo a corpo, você me entende. Eu sei que entende.

Ali de perto eu vi que o meu moço conseguia ser mais bonito ainda. Olhinhos castanhos e brilhantes como eu nunca vi igual (porque apesar de comum, acredite olhos castanhos tem charmes únicos, pode reparar). Sim, uma graça. Fiquei até um pouco envergonhada de já ter imaginado todas aquelas coisas absurdas na minha cabeça com uma criatura que parecia tão inocente. Só foi preciso 5 minutos pra ter certeza que de inocente ele não tinha nada. Mandei aquela vergonha embora e fiquei ainda mais apaixonada.

Quando voltei a mesa já tinha perdido uma integrante e o bar um garçom. Por isso mesmo eu tive tempo de ir em casa, cochilar e acordar com meu telefone tocando. Quando eu falei "alo" ele disse "desce aqui". Olhei pela janela e já era dia. O meu mocinho era gato mesmo, não era bebida nem nada. Então eu desci. Caminhei até a casa dele, ouvindo contar histórias da cidade. Ele sabia o que estava acontecendo ali e já devia ter feito isso um milhão de vezes com outras turistas. Mas essa foi a primeira vez que eu quis ser só mais uma e eu fui. Ele também foi só mais um. Mais um ótimo, mais um pra listinha das melhores noites. Ou nesse caso dia.