25 de ago de 2017

Ele era taurino


Nosso primeiro encontro foi num restaurante lindo e que eu fiquei tentadíssima a tirar fotos de toda a decoração. Nenhum outro cara tinha me levado pra jantar num lugar tão legal e olha que nem era caro! Em geral o "vamos sair" envolve cervejas e petiscos sem sobremesa. Mas dessa vez não. Dessa vez teve tudo, inclusive sobremesa. Tudo isso me deixou com a impressão boa do cara, fala sério a gente não encontra um desses todo dia. Porém também fiquei um pouco desconfiada se aquilo não era só pra me impressionar.

Ah e se você pensou que do primeiro encontro para o namoro demorou muito já vou logo avisar que não. No dia seguinte ele disse que queria namorar comigo. Assim mesmo na lata. Sem sexo antes pra ver se combinava, nem nada. E além de fraco por doces eu tenho um outro: aventuras. Então eu disse sim e embarquei nessa com um cara que tinha tudo a ver comigo. Amava chocolate de panela e usar todos os segundos possíveis pra tirar aquela soneca. Era como se o balanço do ônibus ninasse a nós dois e quando percebíamos estávamos os dois dormindo profundamente.

Eu tive surpresa de 1 mês de namoro, 2 meses, 3 meses, 4 meses, 5 meses e no sexto eu resolvi fazer uma porque já estava me sentindo culpada. Ele amou é claro, mas eu sabia que ele preferia fazer a supresa do que receber. Quando completamos 1 ano ele entopiu minha casa de flores. Foi lindo, mas fez sujeira e como o preguiçoso de sempre ele não ajudou a limpar nada.

Nesse primeiro ano acho que eu me senti como esses casais recém casados onde tudo é lindo e tudo é -literalmente- flores. Poxa o cara era incrivelmente romântico e também curtia finais de semana em casa. O problema é que precisava ser desse jeito sempre. Nada de mudança nos planos, nada de tentar algo novo.

Não eu não vou ser a ex que só critica. Ele me passava muita segurança, uma pessoa pra contar sempre que eu precisasse não importando o que fosse, ele estava lá. Como um porto seguro pra me manter em pé em todos os perrengues que eu passei. Mas eu nunca consegui corresponder o que ele queria de mim. Os traumas dele de traições de outros relacionamentos continuavam ali. Eu sinceramente não sei porque alguém faria isso com um cara desses, mas eu também não podia mudar o passado.

Com certeza eu não fui a única que recebi incontáveis presentes e que tinha sempre um ombro amigo. Além disso tudo, estar com ele era estar perto de alguém com uma paz inconfundível. Nada de estresse desnecessário, nada de brigar por motivos bobos. Muito mais maduro que muitos outros que eu conheci e dedicado a conseguir aquilo que ele queria.

O problema é que ele só queria coisas e eu experiências. Ele queria um carro e eu queria viajar pra praia. Ele queria comprar um celular que faz cafezinho e eu queria gastar tudo no curso de alemão. Ele tinha um mundo que conhecia, que era seguro e por isso ele não correria riscos. Quando qualquer zona de conforto dele era questionada ele batia o pé e não parava até que o outro desistisse. Uma paciência de dar inveja a qualquer um. Mas o combo paciência + teimosia me desanimaram.

Quando conversamos sobre tudo isso a primeira vez ele entendeu, foi maduro e me ouviu. E aí? E aí que nada mudou. Ele continuou agindo igual, juntando dinheiro pra comprar alguma outra coisa, sem mudar nenhuma linha da sua agenda de cada dia e o meu distanciamento pra isso virou motivo de desconfiança.

Na cabeça dele eu sou vilã até hoje. Vira a cara quando me vê e diz pra todo mundo que eu nunca amei ele de verdade. Acontece que eu só desisti. Não dá pra fazer ninguém mudar por mim. Então eu tratei de emagrecer tudo aquilo que eu engordei nesse tempo e pagar o boleto do alemão. Eu sinto saudade daquele abraço incomparável que me fazia ter coragem pra enfrentar qualquer problema. Mas logo logo chega o verão e eu ainda quero viajar para a praia.