4 de mai de 2017

Ele era Capricorniano


Meu último namoro tinha acabado há dois anos, eu curti bem a vida de solteira, mas cansei. Sabe? Pois é, queria algo realmente sério. Conhecer a família, ter almoço de domingo na casa da avó. Mas eu não ia namorar qualquer um que aparecesse, calma ai. Daí que ao conversar sobre isso com um amigo, falando do quanto é difícil achar alguém que queira um relacionamento e sustente essa vontade por alguns anos, ele me disse "vou te apresentar um amigo que só namora". E eu fiquei pensando "han? como alguém só namora?"

Sim, foi um exagero do meu querido amigo. O cara teve relacionamentos longos, ele era muito maduro e não gostava de "perder tempo". Sério, ele disse isso. Se ele conhecia uma menina, via que eles dois não tinham nada a ver ele era prático: ficava com ela se a vontade fosse essa, mas não enrolava ninguém nem tentava um relacionamento "certo de dar errado". Eu pensei isso ai que você pensou "nossa, mas que monstro frio e calculista". Mas veja bem, isso economiza tanto estresse. Tantos "vamos conversar" que não precisaram ser ditos. É um estilo de vida sabe? É claro que não temos como ter CERTEZA se um relacionamento dará certo ou não, mas se o seu objetivo é um namoro sólido e tals, pra que ficar com todo mundo sem nenhum filtro? É uma questão de objetivos e esse cara tinha muito objetivo na vida.

Acho que o primeiro objetivo era ter muito dinheiro e se gabar de todas as economias. Sério! Que mão de vaca! Mas veja o lado positivo: ele comprou a casa própria antes dos 30 e não veio de família rica. Pois é, foco e determinação, eu aprendi tanto com ele. Mas não pense que sou uma interesseira. Nosso relacionamento começou porque eu fiquei muito muito apaixonada por aquela segurança que ele passava. Não eu NÃO ESTOU FALANDO DA CASA. Segurança emocional, segurança de decisões e opiniões. Sabe quando você pergunta pra alguém "azul ou verde?" e ela fala "ah, pode ser qualquer um" ou "os dois são bons" ou "tanto faz" "você que sabe"? Ele respondia "azul ficou melhor, combinou com seu brinco. O verde é bonito, mas acho que não com esse sapato." O cara tinha opinião, tinha coragem e era sincero. Como eu não me apaixonaria?

Eu tenho certeza que eu me apaixonei primeiro e fui a única apaixonada por um tempo. Mas foi o lance do "objetivismo" dele. Ele buscava um namoro, eu também, logo já tínhamos isso em comum. Daí eu me apaixonei (e eu sempre deixo claro quando me apaixono) e alguma coisa de boa ele viu nisso. Notavelmente ele não era uma pessoa de se entregar fácil, confiar fácil, tudo fácil. Na real era um pouco pessimista e isso talvez fosse o que mais o atrapalhava. Eu sempre estava lá tentando animar e ele me chamava de "sonhadora". Tudo bem, eu sou. Mas fantasia é bom né? Não, pra ele não era.

No nosso aniversário de um ano ele fez surpresa e tudo mais. Eu nem acreditei, porque sério ele não era nem de longe o cara mais romântico que andou nessa terra. Frases feitas, cartas, textão, nada disso era a cara dele. Ele era simples e quando fazia algo era especial. Ele fazia de corpo e alma.

Queria terminar dizendo "nós casamos, fomos muito felizes, tivemos 2 filhos e fim". Mas não foi assim que aconteceu. Com um tempo as minhas "fantasias sonhadoras" viraram "infantis demais". Com o tempo a praticidade até na hora de colocar o café na xícara ficou demais pra mim. Com o tempo necessidade de juntar dinheiro pra fazer uma viagem perfeita virou demais, eu poderia ficar numa barraca que tanto faz. Toda aquela "solidez" dele me pareceu tão dura com o tempo, quase uma armadura e eu fui ficando com preguiça de forçar a minha passagem. E eu admito: eu queria cartas, eu queria pétalas de rosa e usando a praticidade que aprendi: ele não ia me dar, logo melhor terminar. Foi uma equação bem simples. Ele não chorou, nem me disse coisas ruins. Falou "a escolha é sua, só que comigo não tem volta". Não teve mesmo, até porque ninguém tentou. Eu sempre fui muito orgulhosa.

Por: Sabrina M. Lima