5 de abr de 2017

Ele era Ariano


Eu sempre fui muito independente sabe? Meus pais sempre me incentivaram a ser uma mulher forte e não um mocinha indefesa e dependente de todos para sobreviver. Foi por isso que eu não assumi nenhum tipo de relacionamento sério com aquele cara. Porque só faltava a espada e o cavalo selvagem pra ele se achar ainda mais o guerreiro medieval que protegia a princesa, que nesse caso era eu. E eu não estou falando apenas de ser um cara protetor, mais que isso! Ele era o machão alfa de algum século passado que estava cuidando de um de seus bens. Ele queria que eu fosse o bem. Óbvio que isso me assustou bastante, então resolvi ficar naquela coisa nada-séria e não foi lá uma boa ideia.

Ele era super mimado. Se fosse um super-heroi seria esse o seu nome: Super Mimado. O filho caçula de uma família mega tradicional (sério, tudo ajudava pra que ele fosse ainda mais mimado) onde a mamãe fazia tudo e quase tinha que colocar a comida no prato por ele. Foi chocante quando ele dormiu na minha casa a primeira vez e eu disse "não gosto de cozinhar, vamo comprar algo ali". Mas serviu de incentivo, acredite se quiser. Ele começou a se arriscar na cozinha, da minha casa claro. Fiquei orgulhosa pela iniciativa e no fim das contas descobri que ele tinha muita para fazer muitas outras coisas.

Ele também tinha um amor estranho por desenhos e ninguém podia falar mal. Sério, parecia uma criança pirracenta quando alguém discordava. Eu sei, eu sei. Qualquer um diria "mas o que você viu nesse cara então?". Acho que na mesma medida que seus defeitos me irritavam me faziam gostar dele também. Veja bem, quando eu disse que não queria algo sério ele ficou tão bravo, mas ao mesmo tempo foi tão fofo! Dava vontade de apertar aquela carinha emburrada. E toda vez que ele se controlava pra não demonstrar ciume, porque sabia que eu não gostava de possessividade, também era fofo. Ou quando ele cuidava de mim como se eu fosse a coisa mais preciosa e eu só tinha pegado gripe. Quando ele se abria e mostrava tudo que estava escondendo eu amava, porque ele sentia de verdade e isso hoje é raridade, alguém que sente.

Nossa relação foi a maior parte do tempo uma doideira, a gente esquecia do mundo quando estava junto. Brigávamos muito, muito mesmo, mas nunca saímos no tapa. A gente discutia feio, com grito e tudo. Uma vez ele foi embora revoltadíssimo e ficou dois dias sem falar comigo. Eu nunca tinha passado por essa experiência de um namorado/ficante/rolo que parasse de falar comigo, não tive sequer reação quando ele apareceu dois dias depois pra me pedir desculpa. Primeiro porque eu tinha achado infantil, segundo que eu sabia o quanto aquilo era difícil pra ele. Depois disso foi quando eu consegui "entrar" naquela mente complicada e impulsiva. E soube de uma vez por todas que eu nunca conseguiria mudá-lo.

Ele sempre foi muito gentil comigo e me tratava bem. Sério, apesar das brigas calorosas ele não era um homem das cavernas que batia em mulher e essas coisas absurdas. Não, ele era mais desses que sapateiam de birra. Muitas coisas nessa criatura me fizeram ficar tanto tempo ao seu lado. A devoção para com as pessoas que ele amava e o cuidado que ele tinha com elas, mesmo entre tapas -mais tapas que qualquer outra coisa- e beijos, era realmente impressionante. O problema é que isso não era suficiente pra que ficássemos juntos. E eu vou confessar que quando ele beijava meu pescoço e me pedia pra não ir eu me rendia, porque qualquer mortal se renderia àquilo. Mas no dia em que eu juntei forças pra realmente terminar, vou resumir dizendo que foram bem mais do que só dois dias até ele se recuperar.

Por: Sabrina M. Lima