24 de mar de 2017

Que saudade dela



Ah que saudade dela. Saudade daquele jeito só dela. O mesmo jeito que, espero eu, ela ainda tenha mesmo que com outro ou outros. Ela me dizia o que fazer e isso, obviamente, me irritava um pouco. A senhora Dona da Verdade, que sempre sabia onde eu esquecia as chaves ou que me atrasaria para o trabalho na segunda se fosse de carro. Eu sinto saudade sim e não me culpo por isso. Nem mesmo me sinto menos maduro que alguém que não sente falta da ex.

É, eu sei que não deu certo. Nós terminamos, mas vez ou outra eu gosto de lembrar dela. Posso jurar que ainda tem lugares por aqui com o cheiro dela. E esse cheiro, nossa eu reconheço esse cheiro em qualquer lugar. Eu estou bem apesar de tudo, garanto. Sou só um pouco clichê demais nos meus pós términos.

Aquela pequenina, que na verdade media o mesmo que eu e por isso odiava saltos, ela era doida por mim e agora quando me vê só me dá bom dia. É um pouco cruel, eu acho. Mas ao mesmo tempo isso enriqueceu tanto a nós dois. Não, nós não conversamos muito depois que acabou. Porém eu tenho minhas outras formas de saber dela, só porque eu me preocupo é claro. E vou te dizer, ela mudou um pouquinho. Ficou mais independente, mais madura, mais certa das coisas que ela realmente quer e para a minha infelicidade, mas felicidade dela e dos próximos, ainda mais sexy do que antes.

É claro que eu não ia dizer nada disso a ela. Por isso digo aqui a você. Ela e os momentos com ela eram todos uma delícia e eu não estou exagerando. Toda a dança de corpos, misturados com suor, saliva e uma disposição, que disposição, faziam de nós o casal perfeito. O problema é que queríamos muito mais que isso, nossos planos não cruzavam em nenhum ponto. E advinha só? Ninguém queria ceder.

Quando essa saudade aperta forte assim eu até penso em ligar. E eu chego bem perto de discar o número dela. Mas eu sei que isso não ajudaria em nada. Ela não ficaria nada feliz de atender uma ligação minha. A gente até tentou ser amigo, conversar sobre assuntos amenos e até se encontrar de vez em quando. Mas é claro que não deu certo. No início ficamos tão travados, cada palavra era muito calculada antes de ser dita em voz alta. Depois nós simplesmente escorregamos e caímos na cama. Pois é, de repente. Sem roupa, sem vergonha e com muita culpa. Admito que mais da parte dela do que da minha.

Então chegou o dia que ela disse com todas as palavras "eu não quero mais ficar com você" e vou te dizer, isso doeu. Sério, doeu mesmo. Poxa, eu gostava daquela mulher! Tanto que estou aqui falando dela até hoje. Mas uma hora eu paro de lembrar porque eu sei que todo dia é um passo mais perto de superar. Todo mundo sabe que é assim. A primeira pancada dói, arde um pouco até, mas o tempo passa e vai melhorando. A gente se cura e quando vê tá pronto pra outra. Hoje foi o dia que eu menos lembrei dela e amanhã vai ser melhor, o amanhã sempre melhora.