29 de set de 2016

Eu não era pra você


Andei lembrando de um ano que passou e você esteve presente na minha vida num curto período dele. O doido é que você não foi alguém tão legal na minha vida que merecesse ser lembrado. Na verdade eu nem sei direito o que nós conversávamos e olha que minha memória é ótima! Eu atribuí a você todas as coisas ruins desse meu ano. Já todas as coisas boas que aconteceram nesse mesmo ano atribuí a outro.

As amizades que eu achei serem muito fortes e perdi, as vontades sucumbidas por motivos diversos, a tristeza de sempre que me perseguia, a burrice por ter criado um personagem em cima de você e até ter deixado você pensar que eu gostava de você. Associei todas essas coisas ruins a sua imagem e tive repulsa dela.

Você não foi tão ruim e traumático para ser lembrado também, tipo um grande aprendizado. Na verdade foi bem mais ou menos, foi infantil, foi insuportavelmente meloso, foi várias coisas que eu não gosto e que eu não queria na época. Não vindos de você. O que eu queria era me apaixonar, o que eu queria era algo que eu não sabia como procurar. De repente eu achei. Achei em alguém completamente diferente. Ou não, porque eu não conheci você. Conheci um personagem que eu achei que você fosse e do pouco que eu vi pude saber que você definitivamente não era nada daquilo que imaginei.

Encontrei o meu alguém com tudo aquilo que eu não sabia que procurava. Ele me deu a supervisão de pai que eu não tinha, me deu a implicância de irmão mais velho que eu também não tinha, juntamente a isso ele me deu a sinceridade de um amigo de sexo masculino, o colo de um confidente e o amor de uma alma gêmea. Com certeza eu não sabia que era isso que eu queria, mas quando eu tive eu quis e quanto mais eu quis mais eu tive.

Com o passar do tempo essa necessidade maluca passou. Todos aqueles buracos que eu tinha foram preenchidos por uma pessoa só. Algo que deveria ser sufocante, e foi até um momento, mas foi breve, muito breve. Depois de me sentir inteira e segura como nunca, eu não tinha a necessidade desse meu alguém. Mas ainda o queria. O queria por um só motivo: o amor. Em momentos que a paixão baixou, que o fogo diminuiu e que eu já tinha tudo, o amor foi tudo que sobrou de nós dois. Eu ainda queria. E continuo querendo.

Alguns momentos isso tudo volta, uma bronca de pai, ciume de irmão, segredos de amigos, mas o compromisso de amante nunca foi embora. Nem nas piores brigas, nem até mesmo nos meus piores humores. O amor sempre esteve ali pairando sobre nós dois. E de uma maneira em parte exagerada e em parte verdadeira eu associei a ele tudo de bom. Lembrar dele é como lembrar da felicidade, lembrar dele é como lembrar de um sorriso, lembrar dele é como lembrar de tudo que é belo, lembrar de uma leveza tão grande que eu seria capaz de voar, lembrar dele é não me trazer nada que não seja bom. Apesar de momentos ruins existirem entre nós, em todas essas décadas que passaram não são eles que prevalecem. Nem por um segundo são eles que prevalecem.

O que eu queria era pedir desculpa pra mim. Pra você não, porque provavelmente você nem lembra que eu existo. Afinal, faz tanto tempo. O que é ótimo, ter essa lembrança não te traria nada de construtivo. E se eu não dei os motivos concretos por terminar que fique claro hoje, aqui e agora: você não era o que eu procurava. Não era o cheiro, não era a cor, não era a mão, não era nada do que eu queria. Você não era ele. Mesmo sem saber era ele tudo o que eu queria. E por isso eu também não era pra você.