22 de set de 2016

Deixa eu ser boba-alegre



Venho por meio deste, dar o meu testemunho de vida que mesmo tão curta pode ser tão sábia, para quem sabe iluminar a de mais alguém. Ou apenas desabafar minhas loucuras num bloco de notas que não podia, nem queria, ficar em branco.

Eu odiava gente feliz. Ainda odeio gente SEMPRE feliz que TUDO tá maravilhoso. Pra mim ainda soa falso. Como assim você quebrou o braço e está sorrindo? Isso é inacreditável. Ou então quem não se arrepende. Sério, não rola. Mas pelo menos uns 5 anos atrás, eu odiava gente feliz. Gente que ria, que era alegre, que fazia piada e esboçava muitos sorrisos. Muito provavelmente isso era por uma infantilóide inveja enrustida. E eu era reconhecida pelo meu mau humor, em todos os momentos, em todos os dias.

É muito doido olhar pra trás e lembrar de como eu me sentia triste sempre. Não por um motivo em específico, por vários motivos. Porque a vida não tava boa, o cabelo também não, o céu, a lua, os amigos, os namorados, o passado, o presente, o futuro, Deus, o destino, as samambaias e as montanhas do Oriente também. Sério, nada estava bom. E a consequência de perceber o quanto tudo estava ruim era de tristeza e raiva. Um dia isso misteriosamente mudou. Mas todo mundo sabe que nada acontece misteriosamente.

Um processo longo começou dentro de mim pra que eu mudasse as lentes com as quais eu enxergava o mundo. E nada disso eu fiz sozinha. Pois acredito que as pessoas entram nas vidas umas das outras com um propósito. Nem que o propósito seja sair, mas ele existe. Eu sempre tive sorte com as minhas pessoas (sem conotações de posse, apenas o pronome). Essas minhas pessoas me ajudaram e o processo de mudança começou. Primeiro enxergando as coisas como elas realmente são. O problema do pessimista é querer virar um otimista. Isso não dá certo. Primeiro você passa de otimista pra realista. Veja as coisas como elas são de fato, sem floreios. Depois comece o processo de extrair o lado bom disso que é real. Falando assim parece receita de bolo, mas depois de um tempo é igual respirar.

Com o tempo você percebe que o cabelo não estava horroroso. Só estava diferente do que é agora. O namorado não era um merda. Era alguém que não combina com quem você é nem com quem você quer ser. A comida pode levar mais sal se faltar, o café pode esquentar de novo, o ônibus pode te dar tempo pra ler, a chuva pode refrescar, o atraso pode te fazer conhecer alguém, o tempo que você "perde" com alguém pode mudar a vida dela, de tudo que acontece nessa vida se pensarmos só na parte ruim é impossível acreditar que estamos vivendo.

Depois disso vira um ciclo. Quanto mais energia boa você joga ao seu redor mais energia boa você recebe. E isso não quer dizer que nada de ruim vai acontecer na sua vida. Eu seria mentirosa em dizer isso e você seria burro se acreditasse. Mas elas melhoram. Fica mais fácil passar uma situação ruim quando a sua primeira reação não é reclamar dela e sim pensar no que ela trouxe de bom e se for o caso resolvê-la e se não for o caso: que se dane!.

Perder a vida desejando que as coisas fossem de um jeito que elas não são nunca levou ninguém a nada. Soa absurdo ouvir a história de alguém dizendo "eu reclamei a minha vida toda, sempre achei tudo um lixo e tenho amigos ótimos, uma família que me ama, um emprego onde todo mundo se anima quando eu chego." Não tem lógica nisso. Não sou das exatas, mas nem a matemática deve explicar algo tão impossível.

Ser sinônimo de alegria nunca foi uma opção possível pra mim. Ser a pessoa "pra cima" do grupinho também não. No entanto eu estou aceitando qualquer título desses. Quem não quer ser lembrado pela felicidade? Quem não quer ser lembrado pelas boas energias? Quem não quer ser a pessoa a quem todo mundo recorre quando quer sorrir? Qual problema em ser alguém tão legal simplesmente sendo quem você é? Por que hoje em dia nos obrigamos a usar métodos de nos proteger? Por que precisamos de proteção aliás? Quem foi que disse que disse que fingir ser outra pessoa é se proteger de algo? Quem foi que disse que esse é o jeito de ninguém te julgar? E mais: quem foi que disse que todo julgamento é correto?

Então sim, eu sou uma pessoa alegre e estou num momento feliz (digo estou porque uma TPM pode aparecer e tudo ficar trevoso do nada, depois volta, daí eu choro e depois volta e depois trevas, etc). E eu quero ser lembrada exalando brilhinhos, purpurina, pó de pilim pim pim, chuva de arco-íris, Good vibes, amorzinho, boba-alegre, sabrinight, qualquer coisa que seja alegre, feliz e pimpona pode ser eu. Porque eu não ligo se vai ter uma Sabrina que odeia gente feliz pra me julgar. Eu não ligo se vai ter alguém contra a minha felicidade. Eu não ligo se mesmo apesar disso tudo eu fizer alguém sorrir, é o que importa pra mim.