26 de ago de 2016

Uma história de amor verdadeira


Eu sei que a gente se conhece desde... Desde sempre. Afinal, quando eu ainda estava na barriga, você e meu irmão já corriam pela minha casa. Era sempre difícil de entender porque nas férias você ia pra lugares diferentes. Nunca aceitava quando minha mãe dizia "não" quando eu e meu irmão mais velho queríamos ir juntos nas viagens da sua família. Na minha cabeça todo mundo mundo era uma grande família. Vocês na casa em frente da minha e pronto.

Fui ficando adolescente e mudando, consequentemente. Você a minha frente na idade quase, era bom enfatizar que era quase, 4 anos. E ainda sim nos dávamos tão bem! Meus irmão começou a me odiar e sentir ciume de qualquer pessoa que chegava perto de mim. Então o primeiro namorado que tive foi um horror. Tudo bem, eu tinha 12 anos e não posso dizer que sofri. Mas aconteceu algo que poderia me causar algum, mesmo que pouco. No fim da minha festa -nada tradicional- de 15 anos você quis dar uma de personagem de filme e me deu um beijo. Não era na frente do portão, porque estavam todos lá. E obviamente ninguém poderia ver.

Ninguém precisou saber também que aquele não era nosso primeiro beijo. Porque ele aconteceu anos atrás. Quando eu fui enfim dar meu primeiro beijo estava tão nervosa que achei que ia desmaiar. E daí você apareceu do nada e disse que me "ajudaria". Hoje em dia penso o quão inocente eu era. E o quão sorte eu dei de você ser um cara normal que realmente só me deu um beijo, afinal hoje existem tantos malucos por ai. E o meu primeiro beijo oficial foi tão tranquilo como respirar. Mas o não-oficial foi nervoso e eu tive medo, nojo e do nada passou tudo porque afinal de contas era com você.

Mas voltando a festa de quinze anos... Lembra? Você não me contou que o beijo era uma despedida. Eu era pouco comunicativa e não fazia ideia de nada que acontecia na sua vida. Pois é, você ia se mudar. Tinha sido aprovado numa universidade lá onde Judas perdeu os cadarços das botas. Ou ele acha que perdeu, porque não me lembro de botas com cadarços. Por fim você se foi e eu nunca te disse, mas chorei. Eu me senti uma total banana por estar chorando daquela forma, com direito a soluços e tudo mais. A gente não tinha nada. Eu nem se quer gostava de você. Mas e daí? Eu sentiria falta. E senti mesmo. Por isso ficamos tão próximos virtualmente. O que foi uma bela droga.

Apareceu uma tal de Jéssica na sua vida e vocês tiveram alguma coisa entre o "ficar" e "namorar". Defini dessa forma, pois ela conhecia seus amigos e não os seus pais. De toda forma eu a odeio para sempre e odeio o nome dela também.

Depois de jurar meu ódio. Uns dois anos mais tarde esqueci que Jéssica existia e você também. Porque apareceu um "Jéssico" na minha vida. Na verdade o nome dele era Bruno. E durante os nossos anos de namoro eu achei que ele era o amor da minha vida. Sabe essa coisa de "posso morrer porque já amei?". Eu acreditava veemente que ele era meu primeiro amor, o amor da minha vida, minha metade da laranja e que nós ficaríamos juntos para toda a eternidade. Com esses verbos todos no pretérito você já pôde adivinhar que eu estava errada. Mas na época eu não sabia.

Na época eu amava Bruno. Até minha família gostava um pouco de Bruno. Até meu irmão ciumento começou a suportar Bruno. Daí veio Caio e ninguém entendeu nada. Nem eu, mas eu sabia que gostava mais de Caio do que de Bruno. E eu precisava viver um amor de verdade antes de morrer. Sempre tive essa ideia de que eu ia morrer jovem, alguma maluquice minha tirada de algum filme com certeza. Nem lembro.

Depois de Caio veio o Vestibular. Fiquei muito apaixonada por ele, mas tínhamos um amor meio bandido. E minha família ficou BEM feliz. Realmente desse eles gostaram. Eu posso dizer que amei o término.

Consegui o curso que eu queria e não ficava muito longe de casa. O que era ruim porque eu esperava poder morar sozinha e quem sabe viver num American Pie? Pois é, não segui o ritmo das minhas amigas. Todas elas permaneceram em namoros de 3 anos atrás. Ou seja, eu era a "má influência" na cabeça das mães delas. Mas eu tinha a consciência limpa de que mesmo terminando com um e outro eu não traia ninguém, nem ficava doida pensando em gravidez sem saber quem era o pai. Minha mãe sabia das minhas aventuras e confiava em mim. Eu era uma ótima influência pra quem acredita em influência.

Quando você e meu irmão voltaram comecei a me sentir completa novamente. E viramos parceiros. Agora saíamos juntos e vocês apresentavam os amigos e eu as minhas amigas novas que eram tão boas influências quanto eu. Só que de repente eu acordei e não estava mais no meu quarto de sempre. E sim eu lembrava de tudo. Talvez dessa vez minha mãe não pudesse saber das minhas aventuras.

Foi tão difícil olhar para os seus pais. Em pleno domingo, era óbvio que eles estariam em casa de pijama o dia todo. E eu sozinha no seu quarto que não tinha nada a ver com o que eu lembrava. Não tinha bonecos e figurinhas. Também não tinha mais CD's de bandas e roupas jogadas no chão, nunca entendi aquelas meias embaixo da cama... Agora estava tudo até bem arrumado e sem montantes de coisas em cima uma das outras. Pelo menos eu estava vestida. Com uma camisa que não era minha, mas estava.

-Oi. Bom dia. Dormiu bem?

Quase infartei quando você abriu a porta dizendo isso. Mas depois eu me senti tão em casa, tão em casa que fiquei por lá o domingo todo. E depois no outro domingo e no outro e no outro. Depois eu estava lá na sexta e no sábado também. Segunda e terça você estava na minha casa. A quarta e a quinta eram nossos dias de "folga". Não conseguia nem pensar direito naquilo que estava vivendo. Afinal de contas pra que pensar?

Do nada alguém perguntou "vocês namoram há quanto tempo?". E me vi respondendo que nosso casamento era em menos de 6 meses. Enfim parando pra pensar eu vejo o quanto o tempo voou. O quanto você fez com que as coisas se tornassem tão simples e tão fáceis que eu não conseguia sentir peso. As minhas ideias de morte. Ou o sonho do American Pie sumiram. Tá bem, ainda tenho vontade de fazer um reencontro do ensino médio. Mas aí você seria meu marido gostoso que todas as meninas teriam inveja. Foi sem esperar que eu encontrei o amor que eu tanto queria. Foi só muitos anos mais tarde que eu percebi que não amava nem Bruno, nem Caio, nem Thiago e muito menos aquele Fernando. O quê? Não falei deles? Não importa. Importa que eu te amo e não, não tem motivo pra falar deles. Acredite.