14 de ago de 2016

Quem irá dizer que não existe razão?


-É... Oi! -Vem cá, sabe onde passa o ônibus pra Copacabana?

-Ah, me desculpa eu não sou daqui.

-Hum, turistando pelo Rio.

-Sim. Turistando, mas não estou perdido.

-Opa, desculpa ai.

-Não, não que isso. Calminha ai. Foi uma brincadeira.

-Dessculpa não ter entendido. -Ela imitou o sotaque dele.

-Ará-rá-rá! Uma carioca zuando meu sotaque? Adivinha de onde eu sou?

-Ah, não sei. Biscoito ou bolacha?

-Bolacha!

-Então São Paulo!

-Não, não. Eu sou de Brasília, mas eu morei boa parte da vida em São Paulo. Gosto muito daquela cidade.

-Tá infiltrado. Pelo menos você não é do sul.

-Não, não. Mas eu morei um ano lá.

-Sabe o que dizem dos caras né?

-Puro preconceito.

-Eu sei e concordo. Com a gente aqui também. Falou "carioca" todo mundo acha que a gente vive na praia se bronzeando. Ou então com uma arma na mão roubando tênis da Nike.

Ele dá gargalhadas.

-Essa foi boa. Qual seu nome?

-Você vai ter que adivinhar também.

-Mas é impossível. Não tem como adivinhar um nome pelo sotaque.

-Tem como adivinhar por uma música.

-É, ai fica mais fácil. Então... Carla?

-Não.

-Bárbaraaaaa não maltrate o meu amigoooo. -Ele riu. - É Bárbara?

-Não, não.

-Ana Júlia?

-Ih não vai acertar nunca.

-Anaaaaa, teus lábios são labirintos, Anaaaaa. Não?

-Não.

-Renata ingrata?

-Não também.

-Tem que dar uma dica, ficou muito difícil! Deixa eu pensar... Carolina? Florentina?

-É uma bem famosa!

-Todas essas que eu falei são famosas.

-Mentira, não conheço a Bárbara.

-É o nome da minha mãe. Quer conhecer?

Ela riu. -Tem que adivinhar primeiro. Como vai me apresentar?

-Ah, mas tá muito difícil. Eu não sei mais nenhuma. Quero ver adivinhar o meu!

-Sem dica?

-Também tem numa música, por incrível que pareça.

-Tá brincando?

-É verdade.

-Eduardo?

-Sim! Caraca, você é muito rápida.

-Eu não to acreditando.

-Por quê?

-Adivinha!

-Não!

-Sim.

-Mônica?

-Isso!

-Puta que pariu! Impossível.

-Acredite.

-Vamos ter que ir numa festa legal.

-Eu não bebo conhaque, mas cerveja com certeza.

-Então me passa seu número.

Eduardo e Mônica trocaram telefone.

-Pera ai, quantos anos você têm?

-Vinte e sete, pode ficar tranquila. E você?

-Vinte e seis. Sou geminiana por acaso.

-Ah, não sei muito dos signos. Mas o meu é libra.

Conversaram mais um tempo ali naquele ponto de ônibus no meio do centro. Depois se despediram e foi cada um para o seu lado.

"Eu posso te buscar. Mas relaxa que não tô de camelo." -Ele disse em uma mensagem.
"Sobre o céu, a terra, a água e o ar só posso ir a fundo com os signos." -Respondeu Mônica.
"Tudo bem, vamos só tomar cuidado com os gêmeos." -Brincou Eduardo.
"Ih Eduardo, espero que você já tenha aprendido a beber melhor do que faz cantadas."

Riram em cada canto da cidade como eles disseram.