19 de ago de 2016

Não é você, sou eu


Depois que você me disse bem em cima da hora que não poderia me ver, comecei a desconfiar. "Será que ela estava saindo com outra pessoa?" Pensei. E tudo bem, é um direito seu. Já passamos da fase de dizer que mulher não pode isso ou aquilo. Mas não era isso que eu estava buscando. Após uma boa fase de balada pra provar pra minha ex que eu superei o término, queria entrar na de buscar um novo relacionamento. Sou um cara bom para relacionamentos. Meus amigos discordam, mas tenho certeza que pelas minhas costas eles sabem que não jogo bem no time dos solteiros.

Você sempre demorava respondendo as minhas mensagens. Ás vezes levava quatro horas pra responder uma pergunta simples como "tudo bom?". Nunca entendi o que tanto fazia. Sempre tão ocupada. Mas tudo bem, não ia tirar conclusões precipitadas. Sou mais do tipo que espera a pessoa dizer com todas as letras. Sei que isso pode ser considerado defeito. Mas pra mim não. E eu, assim que lia as mensagens, respondia com toda vontade de começar uma conversa interessante. Exatamente como no dia em que nos conhecemos. Daí passavam mais horas e horas até ter uma nova resposta vazia.

Quando eu fiquei de saco cheio, desculpe a sinceridade, simplesmente parei de responder. Você entrou para uma lista de mulheres que não fiquei e que por algum motivo valia a pena guardar o número. E quando eu te encontrei bem no meio daquele ônibus cheio preso num engarrafamento, não poderia dispensar uma conversa com alguém conhecido.

"Oi!"
"Oi."

E fez uma cara que dizia "não fale mais uma palavra". Até tentei, mas não teve jeito.

No dia seguinte me enviou mensagem, perguntado porque havia falado com você no ônibus se eu não tinha nenhum interesse. Como assim? Foi você quem fez das conversas uma espera insuportável. Esperar por um "estou bem e você?" é demais pra mim. O desinteresse parecia ser seu. E acho que passei da idade de fazer tais cortejos. Gosto de quem conversa de verdade. Fala sobre a vida, filosofia, sonhos, futuro, medos e tudo. Gente que não tem medo de ser intensa e mostrar quem é. Mesmo nas coisas mais bobas.

Você tinha medo que eu me interessasse por você e por isso cortou qualquer micro interesse que eu pudesse criar. Tinha medo de parecer "desesperada", você disse. E por quê? Não entendo porque demonstrar querer o que realmente quer é desespero. Então se eu quero transar com você eu primeiro preciso fingir que te amo? Depois dou um pé na bunda? E se eu quero alguma coisa séria preciso fingir que na verdade só quero trepar e que você é só mais uma? Dá onde veio essa lógica da enganação? Sim quer dizer talvez, não quer dizer sim e talvez quer dizer não? Fico sempre perdido nesses novos significados atribuídos para essas palavras.

No fim das contas você entendeu que comigo pode ser quem você é. Se você gosta de passas no seu cachorro-quente eu não irei julgar. Se você quiser me ligar do nada, pode ligar. Ou se quiser dizer que lembrou de mim com o filme, não verei problema. Eu também lembro. Já consigo associar seu nome a músicas. Sabe aquela? Saaara, Saaaaaaara? Daquela banda Starship. É única deles que eu conheço e ouço.

Peço a você que se o interesse acabar, não me diga em códigos. Fale a verdade, ou use um que já seja universal se preferir de discrição. Algo como "o problema não é você, sou eu". Vou entender. Já passei por isso e é mais fácil usando a honestidade. Mas se for pra ficar comigo, seja você. Não tente ser um tipo padrão de pessoa que parece estar sempre em jogo de blefes e apostas e toda essa coisa chata que elimina toda a diversão. Se é pra viver que viva!

"Eu gosto de você, você gosta de mim?" Perguntei e ouvi sim. Espero que tenha entendido que o sim é realmente sim.