1 de ago de 2016

Mudei de cidade



Desde o início ouvimos que "não daria certo" ou que "não acabaria bem". Só porque estávamos numa fase em que a maioria das pessoas está confusa e não sabe o quer. E você concorda comigo que nós também não sabíamos. A nossa única certeza era um ao outro, mas essa era certeza que todos a nossa volta mais tinham dificuldade em aceitar. Porque na cabeça deles o amor tem idade pra acontecer e quem ama sabe que isso não existe.

Sua faculdade não foi certeza. Você trancou. Pensou em mudar para outro curso, mas no último segundo resolveu ficar e terminar. Mas e ai? Por que estaria errado você se permitir questionar a si mesmo? Questionar suas escolhas? Questionar o que quer de si para o futuro não deveria ser errado. Não deveria significar imaturidade e sim o oposto. São tantas possibilidades! Devemos escolher a que melhor nos cabe, correto?

Quase oito anos depois, nosso namoro virou mais um item na lista de incertezas. E dessa vez a culpa foi minha. Não havia ficado com quase ninguém antes de você. Nós decidimos "dar um tempo". Foi a melhor coisa que fizemos. A insistência só faria com que nós nos magoássemos. Assim pudemos ficar bem, sozinhos e com outras pessoas. Não nego que senti saudade quando fiz o intercâmbio. Quando eu me sentia muito sozinha só conseguia pensar em você. Em como você diria "deixa de ser boba e aproveita essa cidade linda". Ás vezes eu ouvia seus "conselhos" e até tirava fotos pensando em te mostrar.

Chegar a sua casa e vê-la completamente diferente me fez hesitar. Sua mãe nunca aceitaria pintar a frente de roxo-caixão. A simpática senhora de cabelos coloridos me disse que vocês se mudaram. Voltando para a minha própria casa fiz as contas de quantos meses não nos falávamos. Será que você tinha ficado firme com alguém? E tentando bancar a adulta disse a mim mesma: ele é solteiro! A cidade não era a mesma depois da viagem. Eu começaria um emprego novo em outra logo, queria ter pelo menos feito uma visita. Perguntar a você para onde se mudou parecia um erro.

Novamente minha mãe chorou com a minha mudança, dessa vez fixa. Prometi que a visitaria todo dia. Meu pai se limitou a dizer "é uma cidade grande, cuidado com as suas coisas" e apontou para o meu lado esquerdo do peito. Sempre poético.

Quase não acreditei quando abri a porta e vi você. Mas como assim você sabia onde eu morava? E na verdade você não sabia. Você só veio avisar que talvez tivesse um pouco de barulho, mas respeitaria o horário até as dez da noite.

Depois de quase dois anos separados, vivendo incontáveis experiências completamente diferentes uma do outro. Estávamos nós dois ali, sentados na mesma sala e no mesmo sofá. Juntos. Pelo destino, pelo cupido, por Deus ou sei lá. Se o universo quis conspirar a nosso favor, ele fez. E nós prometemos nunca reclamar. Afinal, deu tudo tão certo e acabou tão bem que não consigo me lembrar de querer outro alguém.