12 de ago de 2016

Esse tipo de menina


Ah ela não é como essa gente. Essa ai cheias de certezas. Sabem o que vão ser, o que irão comer, onde vão morar, quantos filhos vão ter e os nomes deles. Tem certeza de tudo que o futuro promete. Sabe como irão agir diante de uma pirraça ou numa briga de casal. Sabe essa gente que aponta o erro do outro e diz "jamais farei isso!"? Ou dessas que nunca passaram pela situação, mas tem certeza de que agiriam diferente se estivessem no lugar da pessoa que de fato está? Ela não é desse tipo de gente.

Ela é do tipo de menina leve e que não adivinha como será seu relacionamento. Ela não diz "eu não farei voz de bebê". Porque se der vontade, ela fará. Ela sabe que não precisa assinar um contrato com a sociedade prometendo e detalhando cada passo que dará. É uma dessas meninas que adora rir de si mesma. Na verdade ela adora rir. Ela ri quando alguém lembra do apelido bobo que a chamavam quando pequena. E todo mundo admira isso nela.

Os preconceitos que ela teve, nunca escondeu. E esconde menos ainda que os perdeu. Pois ela admira as mudanças. Gosta de acordar e ser diferente de quem ela foi ontem. Gosta de dormir e saber que aprendeu algo nesse dia. Gosta de lembrar das coisas boas. Ela não precisa de nenhuma modéstia para admitir que é super gente fina. Afinal de contas, ela é. E sabe de mais uma coisa? Não precisa que ninguém a diga isso. Não precisa de aprovação de ninguém pra saber que é bonita, interessante e uma companhia excelente de domingo a domingo.

Sabe o destaque da turminha? Não aquela que quer aparecer. Ou a mais bonita. Muito menos a mais peituda. Aquele destaque de pessoa que conversa, mas conversa mesmo. Ela dá conselho, conta piada, ri de tudo, faz qualquer reuniãozinha virar festa e todo mundo sente falta quando ela não está lá. Ela desse tipo de destaque.

Quando alguém a pergunta como faz pra ter tanta felicidade ou se ela não tem nenhum dia de tristeza, ela é sincera. "A felicidade está onde eu quero que esteja." Simples assim. Ela apenas acorda e diz: hoje o dia vai ser bom. E ele é. Não sei dizer se é a Terra que gira favoravelmente ao cabelo dela. Ou se o sol sempre faz seu rosto ter um iluminado diferente. Desconfio um pouco da chuva que só cai quando ela não aparece. Como se o céu chorasse na ausência dela.

É uma dessas meninas que a gente encontra por ai. E quando encontra não quer sair mais de perto. Mas esse é o maior desafio, pois elas são leves. Viajam com o vento. Se apegam fácil, mas não firmam raízes. Elas voam por ai e depois voltam. Voltam e fica tudo bem, como se nunca tivessem partido. Voltam e mostram que a sua ausência na verdade foi uma espera que valeu a pena. E mesmo com todas as mudanças esse tipo de menina continua simples. Sem tantas certezas, sem medo de ser diferente, sem medo de não usar mais asas no dia em que quiser criar raízes. Esse tipo de menina é livre.