28 de ago de 2016

Espalhar amor por ai


-Tá feliz hoje hein! -Brincou Paula.

-Aé, se ainda tivesse 15 anos ia dizer que comeu alguém. -Concordou Ricardo.

-Depois desse comentário você realmente parecem ter 15 anos. -Respondeu Diego que tentou esconder uma risada, mas não conseguiu.

-Fala Di! O que houve? -Perguntou Paula.

-Nada demais. Acho que é coisa da sua cabeça.

-Claro que não é. Você tá mais feliz a semana toda! Bora, eu te conheço há muito tempo pra saber que não é coisa da minha cabeça. Compartilha sua felicidade. Tá apaixonado?

-Sempre esteve né. Aquela mina dele lá. Terminou, mas ele continuou assim. Já falei que tenho o número de vários remédios pra dor de corno. -Ricardo riu da sua piadinha sem graça.

-Eu não sou corno. E NÓS terminAMOS. Foi um acordo.

O assunto acabou quando o chefe chegou. Paula e Ricardo foram para suas mesas e ninguém mais tocou no assunto até a hora do almoço.

-Vocês vão comer aqui ou vão sair?

-Aqui. -Responderam juntos Paula e Diego.

-Ah, eu vou sair. Até já. -Despediu-se Ricardo.

Os dois almoçaram jogando conversa fora, prestando atenção no noticiário e descansando o almoço.

-Eu odeio trabalhar sábado.

-Quem não odeia Paula? Mas daqui a pouco isso acaba.

-Sim. Eu não posso nem arrumar um carinha pra ficar, porque eu só tenho domingo pra descansar. Fico sem cabeça pra homens.

-Homem nenhum quer sua cabeça. -Diego piscou.

-Ai que engraçadão Diego! Quer um prêmio?

-Nossa. O que aconteceu entre hoje mais cedo e agora? Você tava mais bem humorada.

-Nada não.

-Que foi? Não deu?

-Ai que ridículo Diego! Vai pra merda. -Ela disse e começou a encarar a tv.

-Eu estou só brincando. Fiz um gancho com a piada do Ricardo. Mas desculpa, em geral você aceita as brincadeiras.

-Ricardo é um idiota.

-Ele é. Mas deixa isso pra lá.

-Sim, acho que é melhor. Me fala o porquê da sua alegria toda? Você é meu amigo, vai me deixar feliz saber.

-Ah... Não sei se vai não.

-Por que não?

Diego balançou a cabeça.

-É ela mesmo? O idiota do Ricardo tava certo? Não acredito Di! Vocês voltaram? Ah, mas ela é uma vaca!

-Não Paula, ela não é uma vaca. Não quero ficar defendendo meus motivos por ter voltado. O problema deveria ser só meu. Eu só te contei porque você tá realmente curiosa.

-Diego, ela te deixou na merda quando vocês terminaram.

-É isso que ninguém entende. Ela não ME deixou na merda. Nós dois nos deixamos na merda. Nós dois terminamos. Ela foi morar numa cidade muito longe. Não tinha como manter um relacionamento à distancia. Era horrível. Eu ficava puto toda vez que ela não podia e a gente brigava sempre. Era um inferno.

-E agora o que aconteceu? Ela voltou pra cá?

-Voltou.

-SÉRIO?

-Sim.

-E você nem me contou! Caramba...

-Não queria ter que ficar me explicando.

-Tá bom, às vezes eu sou meio mãe. Mas é que você é um dos poucos caras decentes que eu conheço. Ai eu tento te proteger. Vou parar de dizer que ela é uma vaca.

-Obrigado.

-Mas me conta! Como que foi tudo? Ela voltou e te avisou? E ai vocês se encontraram? E o que aconteceu? Você tá apaixonado igual antes?

Ele ficou encarando Paula e o monte de pergunta assustado.

-Diego Almeida, não me esconda nada.

-Não estou acostumado com tudo isso de pergunta. Homens não perguntam isso.

-Vocês homens não perguntam porque não querem. Acho que uns tem medo de achar o amor lindo e desejá-lo para si. Daí eles não perguntam.

-Acho que nós não perguntamos porque não é importante.

-É importante. Bora! Conta logo. Eu gosto de ouvir sobre relacionamentos, justamente porque eu quero um.

Ele riu dela.

-Fala cara!

-Tá bom, tá bom. Quer repetir as perguntas? Eram muitas, eu já esqueci.

-Não. Fala logo, você não esqueceu nada.

-Tá legal. Ela conseguiu emprego aqui e se mudou. Ela veio morar com uma tia. Daí ela me mandou uma mensagem dizendo que estava aqui e queria me ver. E foi isso.

-Ai que sem graça. Você faz tudo ser uma droga. Olha isso, parece um enterro.

-O que você quer? Não sei ser muito detalhista.

-Você não SENTIU nada? Um frio na barriga, uma coisa doida tipo "MEU DEUS ELA VOLTOU!". Ou sei lá... Você sentia saudade dela?

-Claro que eu sentia.

-Então me dê detalhes. Ninguém tá ouvindo, só eu. -E piscou pra que ele entendesse que tudo na conversa seria um segredo.

-Detalhes... Eu não esperava que ela fosse me procurar quando voltasse. Sabia que voltaria, mas não que me procuraria. Nosso término foi tão... Tão ruim. Mas eu ainda gostava dela, mesmo depois de tanto tempo, eu gostava. Quando ela me mandou mensagem fiquei surpreso, porque ela apagava tudo e deletava tudo sempre que brigava com alguém. Ela me odiava. Você acha que eu fiquei mal porque não viu como ela ficou quando o tempo foi passando depois que decidimos terminar.

-Ai tadinha. Mas e como foi o encontro?

-Chamei ela lá em casa. Eu cozinhei e tal.

-AI QUE FOFO! -Os olhos de Paula brilharam imaginando. -Seu pai viu que ela voltou? Ele adora ela.

-É, ele gosta mesmo. Mas não. Ele não tava em casa. Já te falei que às vezes parece que moro sozinho de tanto que ele fica fora.

-É verdade... Continua!

-O que mais?

-Como que foi tudo.

-Ah não Paula, isso é pessoal.

-Para, não quero saber as posições que vocês fizeram. Só como que foi. É uma pesquisa, vou escrever um livro e preciso de muitos casos de amor para me inspirar.

Ele riu balançando a cabeça. Pensou o quanto Paula era doida, mas o assunto estava divertido então tudo bem.

Diego apoiou os braços na mesa.

-Não sei mais o que você quer ouvir. Sei lá... Foi estranho quando ela chegou. Ela conhecia o caminho, então não precisei ir buscar. E porra três anos se passaram. Ela poderia estar completamente diferente. Nem sei como ela aceitou ir pra minha casa. Porque ela sempre foi muito... Tímida não é a palavra.

-Como assim? Pra dar? Ela esperava?

-Sim. Achei que ela ia fazer algo do tipo comigo.

-Ai Diego, vocês namoraram. É diferente. Você não é um estranho. Ela já confiava em você. Não estava ganhando ainda sua confiança. Eu entendo a Bia nesse sentido. Ás vezes eu queria ser mais desencanada e fazer na primeira noite. Mas como eu to sempre em busca de um amor eterno, nunca faço. -E riu de si. -Mas eu não ligo de ser assim. Ela também não deve ligar. Continua, estou anotando tudo mentalmente.

-Pode ser isso. -Pensou. -Eu estava certo em achar que ela estaria diferente. Realmente mudou. O cabelo foi a principal mudança física. Mas internamente ela parecia ter envelhecido uns dez anos. Foi muito madura, aquilo me surpreendeu muito. Nós conversamos sobre tudo. Ela me contou o que tinha feito nos últimos anos -ele olhou pra Paula- você vai me xingar por isso.

-Fala.

-Ela disse que não namorou mais ninguém e eu fiquei feliz.

-Você merece ser xingado. Seu idiota!

Os dois riram.

-Mas você sabe que eu também não namorei ninguém. Tive umas histórias só.

-Como minha mãe diz foram uns "trê-lê-lê". -Paula ria.

-É. Eu achei que ela ia colocar alguém pra me substituir logo. Não sei porque achei isso, mas achei. Com certeza ela ficou com outros caras. Mas o fato de não ter namorado significou que ela ainda gostava de mim também. Entende? Por isso fiquei feliz. Não é porque sou um machista nojento e tudo mais. Esse é o Ricardo.

-Eu odeio esse lado dele. -Admitiu Paula.

-Todo mundo odeia.

-E depois dessa conversa toda?

-Entra a parte que você disse que não queria saber.

-Ah. -Ela arregalou os olhos. -Com certeza não quero. -Paula segurou no braço de Diego. -Estou realmente feliz por você. Pelo visto a Bia não é uma vaca mesmo, ela te faz bem. Quero reencontrá-la também. Na verdade vou conhecer ela de novo. Sem ciume porque me libertei disso. Você é tipo meu irmão, gosto de cuidar de você. Mas assim como meu irmão de verdade eu quero me apegar a sua esposa que vai ficar com você pra sempre pra eu poder confiar meus filhos pra ela ser madrinha e tal. Não quero qualquer uma entende?

-Entendo. -Ele riu.

-Eu estava um pouco desiludida. Tomei um fora por mensagem inacreditável. Seu caso me fez ter mais esperança.

-Quem era? E por quê? Eu conheço? Olha quem não me fala nada.

-Olha quem tá perguntando muito... -Os dois riram- Ah, não Di. Já fui contaminada pelo lado bom da vida. Vamos deixar o outro lado pra outro dia. Já tá na hora de voltar pro trabalho e vou passar minhas anotações mentais pra um bloco de notas.

-Tudo bem.

Os dois sorriram.

-Eu gosto de você porque você não é insistente como eu.