29 de jul de 2016

Pessoas descartáveis



Ela é mais alta, mais magra e tem os olhos num tom castanho mais escuro que os meus. Também cursa a mesma coisa que você, o que os faz terem mais assuntos e gostos em comum. Acredito que a diferença de idade entre nós duas seja de, no máximo, dois anos. E ela também parece amar um fast food devido as incontáveis fotos no Mc Donalds no Facebook. Observei tudo isso tentando não me comparar. Não consegui.

Foram muitas fases até chegar aqui onde estou. Primeiro eu senti ódio, queria matar os dois. Depois senti a tristeza inabalável. Meus pés perderam o chão. Então eu comecei a me questionar. Por quê? O que faltou em mim? O motivo não foi paixão, como você alegou. E em mim eu tenho certeza que não faltou nada, constatei.

Quando conhecemos alguém estamos abertos a muitas reações diferentes. Nós podemos gostar daquela pessoa ou não gostar. Os motivos que nos farão gostar ou não são os mais diversos possíveis. E a forma como essa pessoa nos atingirá depende muito da nossa permissão. Você disse que "foi sem pensar", usou palavras como "aconteceu" e "a gente não escolhe por quem se apaixona". Concordei. Você não pensou em ninguém além de você. Aconteceu porque você não tinha preocupação com as futuras consequências. A gente não escolhe por quem se apaixona, mas permite. Você permitiu se apaixonar por alguém diferente.

Entre o "gostar" e a "paixão" existe um caminho que eu considero curto. Entre a paixão e o amor o percurso é um pouco maior. Quando ele não acontece, acaba. Você deu permissão ao seu coração de traçar o primeiro. O momento de parar, você perdeu. Não culpe o coração, não culpe a paixão por ter "acontecido". Não apele para o meu espírito romancista para justificar as suas falhas. Também não me peça para perdoa-las. Sempre avisei que não sou boa com perdões ou desculpas. O que foi feito, já está feito. Ainda não permito que meu coração caminhe nessa direção. Assumi.

Você sentiu-se mal e quis terminar. Terminar com ela e não comigo. Porque você sabe que não são todos que fazem o segundo percurso. Para achegar no amor é preciso bem mais do que só um papo bom, um sorriso fácil e uma bunda boa. Mais uma vez você "não pensou" o quanto isso a magoaria. Por isso mais uma vez você deixou "acontecer" seu egoísmo para com ela. Mas não diga que "escolhe" a mim como se eu fosse um dos seus Pokemons. Ou que quer continuar me amando. Ou que "vamos fazer da certo de novo". Não deu certo. Por isso aqui.

Usarei de toda as minhas reflexões e meditações para tirar dessa história algo bom. Ensinamentos, aprendizados que a vida sempre tem a oferecer. Tirando esse lirismo todo, não quero mais nada. "Lembrar de momentos bons." Não quero. Eu quero lembrar de quanto eu quero ser feliz sem você. É o que faz sentido agora. Acima de tudo: não quero ser como você. Nem quero alguém como você na minha vida. As duas coisas que te peço são: não me procure mais e seja honesto com as pessoas, elas não são descartáveis.