4 de jul de 2016

Dias como esse


Era um sábado e todas as amigas de Milena haviam ido a balada na noite passada. Todas elas beberam e mesmo agora, por volta do meio-dia, ainda não conseguiram levantar. Milena também não levantou, mas ela não foi a balada.

Não bebeu, não dançou a noite toda, não teve uma semana de muito trabalho. Mas ela está cheia de tudo. Cheia para beber, cheia para dançar, cheia para trabalhar. E ninguém parece entender esse sentimento de que mesmo "cheia" ela está vazia. Sem vontade de sair de casa nesse final de semana e nas próximas duas semanas também. "Vontade de dormir hoje e só acordar no próximo mês" Milena disse para as paredes.

Ela não teve nenhuma discussão com namorado, amiga ou parente. Não está mal no trabalho também. É uma garota que sai quando tem vontade, ri por bobeiras e curte boas companhias. Mas nem sempre é assim. Nesse sábado ela não estava assim e não queria ser assim. Queria ser ninguém em lugar nenhum fazendo o nada de agora. Deitada na cama até tarde mesmo tendo acordado bem cedo. E qual o problema? Ela não sabe! Simplesmente quer continuar ali sem buscar coisas para se preocupar, sem inventar ideias loucas para dar motivo a esse seu estado.

Enquanto o dia inteiro se arrasta, Milena se levanta apenas para ir ao banheiro. Não teve fome para o café da manhã ou almoço, não sentiu sede para beber os tantos litros d'água que uma pessoa saudável precisa. Suas amigas já comeram e beberam remédios para dor de cabeça. Uma vomitou, de novo. A outra teve que dispensar um cara rapidinho. Teve outra que foi até trabalhar. Mas naquele momento Milena não pensava nos outros.

Na real ela estava ciente de que isso duraria um dia ou dois. Que essa vontade de não viver passaria e ela voltaria a rotina normal que, no momento, odiava. Já passara por momentos assim. Mas não é algo que se possa controlar. Não dá pra fingir e dizer "estou bem e quero pular de paraquedas". Do mesmo jeito que alegria e felicidade não surgem do nada.

Alguns chamam de "dia de preguiça". Mas para Milena preguiça a gente sente de fazer obrigações, coisa que a gente não gosta. Como poderia estar com preguiça de comer o chocolate que estava na geladeira?

O importante é que essa coisa-sem-nome vai passar e ela sabe que vai. Milena não se exige tanto porque todo mundo merece um dia ou dois como esse.