14 de mar de 2016

Amor de salto alto


Desculpe-me o Marcinho, mas se tem uma coisa que eu gosto de falar é sobre o amor. E eu sei que algumas pessoas podem ter problemas quanto a minha idade, por isso gosto de relembrar a todos que: o amor é cego. Ele não vê cara, não vê cor, não vê peso, nem idade, religião ou sexo. Não posso fazer nada por quem acredita no contrário.

Eu sempre quis me apaixonar, viver um grande amor. Mas os meus modelos eram os de filme, onde a mocinha senta e espera o príncipe (no caso da Disney) ou então são um casal que começam dando errado e depois da tudo certo pra sempre. Não é assim que funciona! Pode começar errado e dar errado pra sempre. Pode começar errado, dar certo um tempo e dar errado de novo. Pode dar certo pra sempre. Pode dar certo e depois errado. Enfim, mil tretas. Eu nunca ia achar meu amor de filmes. 
Essa foi minha primeira desilusão amorosa. 

Com mais alguns anos eu voltei a querer me apaixonar perdidamente. Só que eu sempre fui meio velha pra minha idade. Então eu enjoava muito das pessoas e eu via o fim de tudo antes de começar. Conclusão: nunca me apaixonava e só partia corações. Segunda desilusão amorosa.
"Chega, não sirvo para o amor." Eu havia me cansado de procurar uma coisa que talvez não fosse pra mim. Desisti do amor assim como desisti de usar salto. E foi ai que minha vida mudou. O amor gosta de uma rejeição. Veio pra mim tão fácil que demorei a acreditar. Em todas as formas, por todos os lados. Eu vi o amor em tudo e descobri que eu posso ser amor também.

Às vezes eu ainda sento e espero meu amor, que eu chamo de pai ou de mãe. Às vezes meu amor da errado no início, mas depois vira amiga. Ás vezes meu amor late. Ás vezes meu amor dorme comigo. Mas quando só da errado vira salto, eu deixo pra outro amar.