11 de fev de 2015

Casa no peito


Toda vez que eu escrevo eu desabafo alguém que existe em mim. Tem muita gente sim. Tem gente que mora só uma semana no mês, tem gente que mora e vai embora e tem gente que não paga conta, não lava louça e nem arruma bagunça. Mas eu amo que more, que em mim more. 

Quando a felicidade mora em mim eu não a deixo quieta, a faço visitar todos. Eu queria que todo mundo tivesse uma felicidadezinha morando por perto, pra não esperar demais. Uma vizinha sempre ao lado para quando precisar de uma xícara de açúcar.

Mas a felicidade tem uma prima, ou irmã, que de vez em quando mora em mim também, sabe que eu até gosto dela? É algo que me inspira muito. "Quanto mais triste mais bonito soa".

Mas e quando a paixão vem morar sem avisar? Às vezes eu não tenho tempo, a vida tá mais corrida agora. Daí ela chega, e tem fome, tem sede, quer lugar pra esticar o pé e tadinha de mim! Eu tenho só 1,60. Não cabe muita coisa. E essa é uma inquilina espaçosa, que me consome as energias e acha que tudo bem. Mas o pior de tudo é quando ela vai embora. Dai quem vem? Saudade, óbvio! Parece que combinam, ai cá estou eu desestabilizada com o sorriso rasgando a cara. A saudade senta do meu ladinho, fala bastante e baixinho, lembra de tudo que ela consegue, dá detalhes demais e eu fico com aquele gostinho de quero mais.

Sabe que o amor até tenta me deixar calma nesses vai-e-vem que essa gente toda faz? Coitado, ele fica muito dividido e cansado. Mas ele é aquele inquilino fixo, que não arreda o pé de jeito nenhum. A gente briga pra caramba, faz cara feia e até da tapa. Mas não tem jeito. Ele não se muda porquê na verdade já é proprietário dessa casa.