11 de ago de 2017

O amor vai muito além do que te disseram


Eu acho que você não vai ler nada disso, mas eu precisava escrever mesmo assim. Eu preciso dizer que mesmo depois de tudo, eu ainda tenho amor por você. Não da mesma forma que antes, mas eu ainda tenho sim e na verdade eu sinto orgulho de mim por isso. Poderia ser diferente.

Eu poderia te odiar, achar você o cara mais idiota do mundo porque não quis entender o meu lado. Olha só: você estava errado. Não vou mudar de ideia porque o tempo passou, não darei colher de chá porque você sofreu. Eu também sofri, mas quem é que não sofre? Sofrer não me diminuiu, sofrer me fez crescer. Acho até que é bom sofrer. Mas a gente só enxerga isso depois que para de sofrer e percebe que aprendeu. O problema é que você não chegou nessa parte.

Como eu dizia anteriormente: você errou. Pois é, eu sei que eu também errei. Acontece que eu quis mudar e você ficou para trás. Vivendo algo que não existia, numa relação que não existia, com pessoas que não existiam mais. O que era tudo aquilo senão uma ilusão? O ponto final era necessário, só você não viu. Ou se viu não quis admitir que viu. Você quis teimar, espernear e fingir que estava tudo bem. Pois é, não estava.

Eu poderia ter raiva de você, mas da mesma forma que não te odeio eu também não sinto raiva. Não que eu não tenha te odiado ou sentido vontade de te esganar. Eu senti. Eu senti com todas as minhas forças. Mas passou. Porque assim como o nosso momento de ficar junto e feliz passou o momento te ter raiva e ódio passou também. E mais uma vez eu não tive medo, medo da raiva, medo do ódio, medo da tristeza avassaladora de tomar a decisão de terminar com alguém. Porque não é fácil. Nunca é fácil.

Depois de tudo isso eu percebi que ainda te amava e que eu não deixaria de amar nem tão cedo. Por mais que eu tente, por mais que eu me esforce, não adiantava. A gente viveu tanta coisa boa, tanta coisa bonita. A gente deu tanta risada junto, dançou e ficou bebendo toda madrugada. Fomos em karaokês juntos e em velórios quando era preciso. Você foi meu porto seguro e eu o seu. Eu te amei em cada centímetro e você amou a mim também. Mas o momento de acabar chegou. Nada fazia mais sentido. As tentativas não davam em nada. Foi uma história de amor e ponto final.

Não só os "para sempre" são finais felizes. Veja bem eu estou feliz agora. Eu não tenho você por inteiro, mas tenho um pequena parte em mim. Eu ainda te amo verdadeiramente e quero tudo de bom pra você no mundo, mesmo que você tenha errado. Quem é que não erra? Eu não consegui continuar nem relevar, mas isso não apaga nada do que vivemos nem o meu perdão.

O amor, a dor, a felicidade, as tristezas, o ódio, a loucura, a paixão e todas essas sensações que viver no traz é bem mais do que as pessoas dizem. É bem mais do que os poetas tentam descrever em palavras, vai além do que os filmes ilustram, nem mesmo as melhores composições conseguem captar. Por mais parecidos que nós sejamos, todo mundo tem algo que te faz único e todo mundo pode descrever uma mesma sensação de forma diferente. Hoje você diz que o amor é dor e burrice, Zé Ramalho canta que amor é amar, eu digo que amar é sentir tudo até o último pedaço do corpo e da alma.

9 de ago de 2017

Tire do Armário #Sabrinice12


Oi gente! 

Que saudade de escrever minhas doideiras aqui nesse blog! 

Resolvi voltar falando de um assunto leve e que pode incomodar muita gente. Na verdade segundo a Universidade do Estado de Sabrina numa pesquisa feita esse ano foi constatado que 90% das pessoas tem problemas com roupas, mas não assumem isso publicamente.

Como todos os sabrinices que eu fiz aqui eles têm um quê de experiências reais sejam minhas ou de terceiros. Nesse caso é minha mesmo e eu tenho até um pouquinho de vergonha de assumir, mas assumirei pelo bem da nação. 

Quando eu disse "problemas com roupas" me referi a dificuldade que as pessoas tem para usar as roupas que elas gostam sem medo do que os outros vão pensar. E não precisa ser uma peça muito diferente, pode ser um decote (que é algo tão comum quanto um chinelo), pode ser uma estampa, qualquer coisa do tipo pode gerar um conflito interno. As peças diferentes tem ainda mais dificuldade para saírem do armário.

Agora entra o meu testemunho: eu também já fiz isso. Sempre fui a mocinha do básico, nada de estampas, tudo preto, branco, cinza e uns jeans. Fim. Mas um belo dia eu fui dar ouvido aos outros e não que isso seja um problema, sabe? A gente tem que ouvir o que os outros dizem, só não podemos aceitar aquilo como verdade sem pensar antes. Eu errei, assumo. Porém se tentar enxergar o lado positivo posso dizer que ao menos experimentei, eu tentei ter um armário colorido, estampado e agora estou caminhando pra voltar a ter as roupas de antes. 

É claro que mais pessoas passam por isso. A gente tem essa mania de se importar com o que os outros pensam, mas não adianta se importar porque não podemos controlar o que pensam sobre nós. Uma roupa é só uma roupa. Ela pode mostrar quem você é, mas pode ser só a primeira roupa que você viu e vestiu porque ainda não é permitido andar nu no Brasil.

Chapéu, meias diferentes, decotes, calça numa festa de quinze anos ou casamento, entre tantas outras roupas totalmente aceitáveis, mas que em alguns lugares as pessoas não estão acostumadas e elas vão criticar. Mas se você se vestir todo de preto adivinha? Vão falar. Se você usar estampas, mas a roupa for um pouco curta, vão falar. Se for muito longa, vão falar. Se a roupa for larga, vão falar. Vão querer te dizer qual tipo de roupa é certo para o seu corpo, para a sua altura, a sua idade, tudo. E como eu disse: ouvir as pessoas pode ser bom, entretanto é necessário equilíbrio entre o ouvir sem questionar e o negar todas as opiniões alheias.

Se você tem alguma peça e tem medo de usá-la por opinião dos outros fica ai o desafio: use-a! Porque o corpo é seu, a vida é sua e se você não está fazendo mal a ninguém qual o problema? É difícil lidar com os julgamentos das pessoas, é difícil ter auto-estima boa tendo que seguir padrões impossíveis. Então o que nos resta nessa vida é sermos nós mesmos, nos aceitar assim do jeitinho que viemos. Dá pra mudar? Claro que dá! Mas você vai mudar por quem? É a resposta dessa pergunta que muda toda uma vida. Só faça se for por você!



DICA FINAL:

Está no final, mas não é menos importante. Enquanto eu escrevia esse texto não pude deixar de pensar que existem problemas diferentes desse: algumas pessoas não tem o que vestir, elas não tem uma vasta possibilidade de combinações. Então se você não gosta de alguma peça seja ela diferentona ou não: DOE. Seja na campanha do agasalho, seja em pleno verão enquanto você faz uma faxina no armário. Simplesmente não guarde o que não te serve e ajude quem você puder.



Como eu disse no Sabrinice #1 não sou a Dona da Verdade, nem pretendo ser. Também não quero com esse texto dizer o jeito certo ou errado de viver, é apenas uma reflexão. Estou aqui exercendo meu direito de escrever algo que tenho total liberdade em publicar.

Obrigada por me ler, usem bolinha com listrinha, roupa preta no verão, não guarde no armário quem você é por causa dos outros e o que não servir: doe.



21 de jul de 2017

Ele era Leonino


Claro que tínhamos que nos conhecer assim: ele no meio da roda entre amigos, rindo, não um riso qualquer, aquele sorriso brilhante que parece que tem diamante nos dentes, sabe? Todo mundo envolta como se cultuassem alguma espécie de deus, maravilhados e rindo junto envoltos naquele magnetismo todo. E é claro que isso me deu uma preguiça imensa. O típico cara que é lindo e sabe que é lindo e fica por ai sendo lindo a troco de nada, porque ele é lindo mesmo vai fazer o que?

A verdade é essa: não nos bicamos de cara. Ele queria que eu o cultuasse e fizesse todo cortejo pra conquista-lo e blá-blá-bá. Não era pra mim, eu sabia que não era. Aquelas fotos no Facebook que ele estava sempre maravilhoso. Como isso era humanamente possível? Até fazendo careta o cara ficava gato. E quanto mais eu sabia da vida dele -sou uma boa stalker- mais me dava ódio. Ele não estava satisfeito em ser lindo, ele também tinha que ter um trabalho incrível com colegas que o idolatravam, conseguia sempre o que queria com a maior facilidade e ainda aquela família de comercial de margarina. Parei na foto com o labrador, foi demais pra mim.

Sabe lá Deus o porquê eu falei com ele no elevador. Até hoje acho que aquilo foi alguma energia louca que me forçou a isso. Você deve estar pensando "nossa como ela é exagerada", mas não sou, acredite. Ele entrou, olhou pra mim, riu, virou de costas e só. Mas o riso não foi do tipo "olá" e sim do tipo "percebeu que eu to aqui? Pois é, continue olhando". Maldito "oi". Maldita solicitação de amizade. Maldito ele que aceitou. Maldito encontro. Tarde demais, apenas tarde demais.

Admito que julguei muito sem conhecer ok? Ele era legal. Legal não, ele era incrível de verdade e merecia ser cultuado mesmo. Nunca namorei um cara tão bonito, então todas as minhas tias faziam questão de dizer "nossa que gato esse namorado, até que enfim um bonitão ein". Imagina se elas vissem como ele era por dentro? Ficariam como eu: apaixonadas.

Logo eu que nunca fui muito romântica, recebi flores e outras várias surpresas. Também tive que ser mais fofa do que o normal e fiz bem mais elogios do que de costume. Ele era tendencioso ao drama quando fazia algo e não era elogiado, mesmo quando era um nescau. Sim, vaidade era seu segundo nome. O terceiro podia ser generosidade, porque ele conseguia tempo e inteligência pra se importar e cuidar muito de si e do próximo. Aquelas fotos que eu falei, acho que elas não registravam nem metade do bem que ele fazia para os amigos e família.

A respeito das brigas... Famoso "dois bicudos não se beijam". Era necessário muita conversa pra ele ceder ou assumir que estava sendo mandão. Ele era muito mandão, tudo precisava estar perfeito sempre, mas é claro que ele não ia por as preciosas mãos na massa. Trabalhamos muito nisso e ele acabou aprendendo. Outra qualidade maravilhosa dele: a vontade de evoluir como pessoa pra ser alguém melhor. Claro que escorregando no egocentrismo vez ou outra, afinal apesar de acharem que ele era um deus, o cara era bem humano.

Apesar de tudo tínhamos muita sintonia. Nas conversas, nos programas que fazíamos juntos, algumas ideias não batiam muito, mas eu sempre amei o novo. Não sou muito conquistadora, mas acabei não precisando me esforçar muito. Nunca tivemos aquela relação gato e rato, ele me conquistou só existindo e eu o conquistei sendo eu mesma também, muito contrário do que eu pensei que seria. O único campo que ele tinha total necessidade de conquistar e mandar era no sexo. Eu reclamava? Claro que não, em time que está ganhando não se mexe. E eu tenho que admitir: foi o melhor estratégia de todas as estratégias que eu já vivenciei.

Parece até brincadeira, mas terminamos. Pois é, num certo momento eu fui teimosa demais, ele orgulhoso demais. A gente acabou se afastando e ficou tudo meio esquisito. Foi meu relacionamento mais longo e acabou de um jeito sem fim. É por isso que eu ainda não namorei mais ninguém, parte de mim ainda está ligada a ele. E eu sei que se eu ligar a gente até pode voltar, mas antes eu tenho que admitir que senti muita saudade, que somos um par perfeito e talvez citar uns trechos de pagode do tipo "eu nunca amei assim" pra encher todo aquele ego imenso e ele dizer que sim.

13 de jun de 2017

Um texto de amor


Um texto de amor para o meu amor

Já nesse dia eu acordei impulsiva, quer dizer mais impulsiva do que o meu normal de impulsividade e fui falar com você. Ah, tanta aconteceu e ao mesmo tempo tanta coisa deveria ter acontecido. "Não custa nada tentar" eu pensei. Claro que não fui chutando o balde, porque essa nunca foi minha linha. Se eu pudesse definir a minha linha eu usaria o famoso "oi sumido :)" em resumo.

Os dias passaram e você estava na minha casa, eu na sua e pera ai qual é minha casa? Qual é a sua? Acho que foi um período que a gente se embolou tanto que virou um só. Uma só loucura, uma só vontade, um só desejo e você sabe o que era tudo isso. Sim! Era paixão. Era loucura que virou paixão e disso virou uma paixão louca, sem limites, sem pudores, sem vergonha, sem hora e sem lugar, na verdade toda hora era hora e todo lugar era lugar.

Ahh é claro que tivemos aquela fase super apaixonada de início de namoro. Eu só falava em você, pensava em você, via você nas ruas, lembrava de você com as músicas, ouvia sua voz quando me concentrava um pouquinho, sentia o seu cheiro no travesseiro, a minha mente era sua praticamente o dia o inteiro.

O amor me pegou, é verdade. Te pegou também, não tem como negar. Eu gostava de ser boba, eu gostava de ser louca por você. Daí que um dia eu resolvi que isso ia durar. Peguei as chaves do meu coração e te deixei entrar pra morar. Contrato vitalício. A única cláusula desse contrato era conservação do espaço, nada demais. Você assinou e se comprometeu a fazer bem mais do que eu esperava e do que eu podia imaginar ter.

Mané, meu amor, menina, princesa e cara de frango (que eu admito ser o melhor) são alguns dos apelidinhos que você me arrumou. Eu amo o nome que tá lá na minha certidão de nascimento. Mas também amo esses que você me deu, mesmo o mai clichê é único porque veio de você. E fala sério, eu te amo amoreco!

A gente planeja o futuro junto, as viagens para os lugares mais doidos, as cores dos móveis da sala e a eterna briga se nosso filho vai ser gato ou cachorro. E eu gosto. Eu gosto quando você discorda de mim pra me irritar ou pra testar a minha capacidade de argumentação. Porque você desarma minha bravesa rápido e mesmo depois de tanto tempo ainda me olha de um jeito apaixonado.

Rir do seu lado, chorar do seu lado, aprender do seu lado, fazer incontáveis coisas ao seu lado. É tudo isso que eu queria. Mesmo não parecendo, eu fui a menininha que assistia os filmes da Disney e queria meu príncipe encantado. Acontece que eu adaptei o cabelo loiro e o olho claro, mas ainda gostaria de fugir num cavalo. Dai você chegou e toda mágica aconteceu, mágica essa que até hoje não se perdeu.

Com você eu vivi tudo que eu não vivi com mais ninguém e nisso inclua coisas boas e ruins. E eu não mudaria simplesmente nada, não trocaria nenhum segundo do que vivemos por algo diferente. Não, não, nem as coisas ruins, afinal foram tão poucas. Olha que eu achava estranho a gente ser um casal que não briga nunca. É essa minha mania de desconfiar de quando tá tudo dando muito certo. Mas em alguns casos vai dar tudo muito certo mesmo, porque a vida tira, mas ela também dá. Ela me deu você e eu sou muito muito muito grata.

Os anos voaram, porque eu ainda lembro da gente só amiguinho de escola sem ter ideia de que um dia ficaríamos juntos. Tudo bem, a gente queria, mas a gente não sabia que essa vontade se tornaria realidade. Ainda bem que se tornou, ainda bem que a gente se encontrou e reencontrou tantas vezes. Ainda bem que a gente se apaixonou e reapaixonou. Ainda bem que a gente se amou, mas nunca re-amou, porque entre a gente o amor sempre transbordou, nunca faltou.

Só queria escrever um texto que falasse sobre nós. Sobre nosso amor, a beleza dele e o quanto eu amo dizer "nós". Acreditando em destino, reencarnação e todas essas coisas que eu acredito, todos os dias que passam eu tenho mais e mais certeza que estava escrito em algum lugar que ficaríamos juntos. Acho também que nas outras vidas a gente esteve junto e que nessa agora nós nos escolhemos de novo. Escolhemos não só amar um ao outro, mas dividir uma vida juntos. Nessa vida a gente não depende um do outro, nem controla ou persegue. Nessa vida a gente só sabe que se pertence e não por posse, mas porque não existe nenhum outro lugar que gostaríamos de estar se não um ao lado do outro.


4 de mai de 2017

Ele era capricorniano


Meu último namoro tinha acabado há dois anos, eu curti bem a vida de solteira, mas cansei. Sabe? Pois é, queria algo realmente sério. Conhecer a família, ter almoço de domingo na casa da avó. Mas eu não ia namorar qualquer um que aparecesse, calma ai. Daí que ao conversar sobre isso com um amigo, falando do quanto é difícil achar alguém que queira um relacionamento e sustente essa vontade por alguns anos, ele me disse "vou te apresentar um amigo que só namora". E eu fiquei pensando "han? como alguém só namora?"

Sim, foi um exagero do meu querido amigo. O cara teve relacionamentos longos, ele era muito maduro e não gostava de "perder tempo". Sério, ele disse isso. Se ele conhecia uma menina, via que eles dois não tinham nada a ver ele era prático: ficava com ela se a vontade fosse essa, mas não enrolava ninguém nem tentava um relacionamento "certo de dar errado". Eu pensei isso ai que você pensou "nossa, mas que monstro frio e calculista". Mas veja bem, isso economiza tanto estresse. Tantos "vamos conversar" que não precisaram ser ditos. É um estilo de vida sabe? É claro que não temos como ter CERTEZA se um relacionamento dará certo ou não, mas se o seu objetivo é um namoro sólido e tals, pra que ficar com todo mundo sem nenhum filtro? É uma questão de objetivos e esse cara tinha muito objetivo na vida.

Acho que o primeiro objetivo era ter muito dinheiro e se gabar de todas as economias. Sério! Que mão de vaca! Mas veja o lado positivo: ele comprou a casa própria antes dos 30 e não veio de família rica. Pois é, foco e determinação, eu aprendi tanto com ele. Mas não pense que sou uma interesseira. Nosso relacionamento começou porque eu fiquei muito muito apaixonada por aquela segurança que ele passava. Não eu NÃO ESTOU FALANDO DA CASA. Segurança emocional, segurança de decisões e opiniões. Sabe quando você pergunta pra alguém "azul ou verde?" e ela fala "ah, pode ser qualquer um" ou "os dois são bons" ou "tanto faz" "você que sabe"? Ele respondia "azul ficou melhor, combinou com seu brinco. O verde é bonito, mas acho que não com esse sapato." O cara tinha opinião, tinha coragem e era sincero. Como eu não me apaixonaria?

Eu tenho certeza que eu me apaixonei primeiro e fui a única apaixonada por um tempo. Mas foi o lance do "objetivismo" dele. Ele buscava um namoro, eu também, logo já tínhamos isso em comum. Daí eu me apaixonei (e eu sempre deixo claro quando me apaixono) e alguma coisa de boa ele viu nisso. Notavelmente ele não era uma pessoa de se entregar fácil, confiar fácil, tudo fácil. Na real era um pouco pessimista e isso talvez fosse o que mais o atrapalhava. Eu sempre estava lá tentando animar e ele me chamava de "sonhadora". Tudo bem, eu sou. Mas fantasia é bom né? Não, pra ele não era.

No nosso aniversário de um ano ele fez surpresa e tudo mais. Eu nem acreditei, porque sério ele não era nem de longe o cara mais romântico que andou nessa terra. Frases feitas, cartas, textão, nada disso era a cara dele. Ele era simples e quando fazia algo era especial. Ele fazia de corpo e alma.

Queria terminar dizendo "nós casamos, fomos muito felizes, tivemos 2 filhos e fim". Mas não foi assim que aconteceu. Com um tempo as minhas "fantasias sonhadoras" viraram "infantis demais". Com o tempo a praticidade até na hora de colocar o café na xícara ficou demais pra mim. Com o tempo necessidade de juntar dinheiro pra fazer uma viagem perfeita virou demais, eu poderia ficar numa barraca que tanto faz. Toda aquela "solidez" dele me pareceu tão dura com o tempo, quase uma armadura e eu fui ficando com preguiça de forçar a minha passagem. E eu admito: eu queria cartas, eu queria pétalas de rosa e usando a praticidade que aprendi: ele não ia me dar, logo melhor terminar. Foi uma equação bem simples. Ele não chorou, nem me disse coisas ruins. Falou "a escolha é sua, só que comigo não tem volta". Não teve mesmo, até porque ninguém tentou. Eu sempre fui muito orgulhosa.


1 de mai de 2017

Os amigos vão embora #Sabrinice12


Oi gente!

Não, esse título não é só pra chamar atenção. É a mais pura verdade mesmo. Os amigos vão embora. Ou pelo menos a maioria deles.

Por muito tempo eu pensei "não existe ex amigo, amigo de verdade é amigo pra sempre", mas o que significa "para sempre"? Pra muito gente significa "um instante". Então eu deixei pra lá essa ideia de que todas as relações "verdadeiras" duram pra sempre e permanecem iguais.

Os amigos de verdade vão embora também. Não eu não estou dizendo que vocês vão brigar, se esfaquear e nunca mais olhar um na cara do outro. Mas a vida vai mudando, amizades de quando a gente tem 13 anos são fáceis de manter porque, na maioria das vezes, as pessoas nessa idade só estudam. Mas aos vinte e poucos ou trinta e poucos tem trabalho, tem faculdade, tem esposa/marido, tem pouco tempo pra dividir entre os muitos afazeres. Até o seu melhor amigo vai sentir dificuldade pra te ver.

Claro que quem se importa dá um jeito. A gente sai mais cedo do trabalho, chega atrasado num compromisso, mas a gente vê o amigo. Mesmo que veja menos, mesmo que seja rápido. Dá pra dar um jeito e manter a amizade. Não ser orgulhoso é o tipo de coisa que ajuda e MUITO a manter uma amizade das antigas. Mas eu queria falar dos amigos que vão. Esses são o foco do post de hoje.

Os amigos que vão não estão fazendo nada de errado. Eles estão seguindo em frente. Não foram falsos (às vezes talvez, mas não sempre). A vida apenas tomou rumos diferentes, alguns esforços não foram suficientes pra continuar com a amizade. Às vezes vocês estão tão diferentes que simplesmente não conseguem mais manter uma conversa normal.

Muita gente já sabe de tudo isso que eu escrevi até aqui. E o que eu queria dizer com essa repetição é: isso é normal. Sim! Sabrina está mais uma vez dizendo o óbvio. Desculpe-me, mas por vezes é necessário dizer. Tá tudo bem se os seus amigos não são os mesmos de dez anos atrás, tudo bem se você vê bem menos seus amigos, mas ainda assim os ama muito e marca algo sempre que pode. Tudo bem se você tem aquele amigo que você não vê nem fala há anos, mas em pensamento está sempre desejando coisas boas.

Ter um relacionamento-amizade com alguém até a morte pode ser maravilhoso. Mas não ter também pode. O que importa, ou deveria, são todos os momentos bons e aprendizados. Se ficou pela metade do caminho talvez devesse ser assim e se você achar que não deveria: faça algo a respeito. Não fique por ai dizendo "ai meu Deus, meus amigos não me procuram". Se não adiantar apenas aceite, siga em frente e faça amigos novos. Manter a calma e a esperança é tudo.


Como eu disse no Sabrinice #1 não sou a Dona da Verdade, nem pretendo ser. Também não quero com esse texto dizer o jeito certo ou errado de viver, é apenas uma reflexão. Estou aqui exercendo meu direito de internauta em escrever algo que não infringe nenhuma lei e por isso tenho total liberdade em publicar.

Obrigada por me ler e não esqueça que amigos vão, mas eles também vem -e voltam.



29 de abr de 2017

Eu vim te buscar


-O que? O que você tá fazendo aqui?

-Eu vim te buscar. Gostou da surpresa? -Ela parecia muito surpresa.

-Eu tô realmente surpresa. Que doido! Por que você não me avisou? E por que você veio aqui? Hoje é sexta-feira!

-Eu sei. Você já tem planos? -Me senti maluco. Eu não falava com essa mulher há duas semanas e apareci do nada no trabalho dela. Agora não dava pra voltar atrás. 

-Não. Eu ia pra casa. Mas agora que você apareceu a gente pode beber alguma coisa, aqui tem uns lugares ótimos.

-Ah Soraia, vai soar estranho se eu te chamar pra ir pra minha casa? -Como não parecer um tarado? Tava ficando foda. Mas a cara que ela fez me deu a certeza de que eu parecia um tarado. -Calma! Não precisamos ir se você não quiser. Tranquilo.

-Como assim ir pra sua casa? Eu nunca fui na sua casa. 

-Primeira vez então. -Sorri o menos tarado que eu pude.

-Desculpa, eu sei que a gente se conhece há um tempo e ficamos amigos. Mas ir pra casa é algo que está muito acima da nossa intimidade. A gente se viu quantas vezes desde o aniversário da Roberta?

Que que ela tava dizendo? A palavra "amigos" ficou se repetindo na minha cabeça. Sério? Amigo? Que amigo? Eu? Amigo dela? Talvez um pouco, mas não SÓ amigo. Ah não, amigo não pensava o que eu pensava.

-Soraia, que amigo?

-Han? Como que amigo?

-Po Soraia. Sério? Eu vim até aqui te chamar pra minha casa... Sério? Eu preciso ser tão explícito? Eu posso ser, mas eu não queria te deixar sem jeito. Então eu quero...

-EI! Calma. Eu entendi. Só que eu não percebi antes. Poxa, eu terminei há pouco tempo. Fiquei desligada dessas coisas. Não achei que você tivesse esse tipo de intenção comigo. Foi mal.

Fiquei encarando ela porque eu não sabia o que fazer. De verdade. Ela não per ce beu que eu queria ficar com ela. Como não? Será que eu tinha perdido minha experiência? Que climão ótimo agora.

-Desculpa então. Eu entendi errado e pode deixar que...

-Calma! Eu não estou te dando um fora. Eu só disse que não tinha percebido. O que você tem pra beber em casa? Se disser cerveja já me convence.

-Tem cerveja. -Relaxei o corpo de novo. Só pode ser brincadeira ou um sonho, talvez fosse um sonho. -E tem eu.

Claro que tomei um tapa. Mas foi no braço e foi de leve. Quer dizer um leve que demorou um pouco a passar, mas passou.

Abrindo a porta de casa eu senti vontade de perguntar de novo:

-Sério que você não percebeu?

-Sério. -Ela disse entrando e tirando os sapatos. -Você é bem menos transparente do que pensa. E eu não acho que todos os caras que falam comigo querem necessariamente ficar comigo. Não é uma regra.

-Tá bem, acho que eu fiquei um pouco desencorajado porque você não respondia da maneira que eu esperava.

-Hoje eu não respondi da maneira esperada também, né?

-Não. Não mesmo. Hoje você respondeu bem melhor e eu estou louco pra te recompensar por isso da melhor maneira que eu puder.

26 de abr de 2017

Falem bem #Sabrinice11


Olar você!

E ai? Já pensou em quantas vezes você já falou mal dos outros? Ou em quantas vezes fez "comentários" a respeito de alguém desnecessariamente? Como por exemplo "nossa que camisa é essa que essa mulher está usando?". Ou quem sabe você só estava tentando falar a verdade e sem querer querendo exagerou quando disse que seu irmão manchou SUA CAMISA INTEIRA quando na verdade foi só um pedacinho que nem dava pra perceber tanto?

Se você nunca fez nenhuma dessas coisas TÁ DE PARABÉNS! Inclusive me manda seu endereço que vou te enviar uma medalha. Porque sim você é uma pessoa muito maravilhosa e pre-ci-sa passar esse dom adiante. Eu não sou uma pessoa maravilhosa assim, eu tenho esse maldito defeito de falar mal do nada DO NADA. E percebi o quanto isso me faz mal. Porque é preciso ter coisas ruins dentro de você pra que você as coloque para fora. Logicamente ter coisas ruins dentro de si não é bom. Foi quando eu percebi que precisava mudar isso.

Eu me preocupava MUITO com o que os outros pensavam de mim porque eu também ficava pensando várias coisas a cerca dos outros. É sempre assim né? Eu tinha medo de que os outros reparassem muito em mim se eu andasse com algo furado, ou sem o cabelo perfeitamente arrumado. Depois que eu comecei a ligar menos para o que os outros pensariam de mim eu comecei a pensar menos coisas a respeito dos outros também. Foi automático. Ampliei isso então. A ideia agora era passar menos coisas ruins para o universo ao meu redor e tem dado bem certo. Eu me sinto melhor por dentro. MAS óbvio que vez ou outra eu vejo uma coisa horrorosa e fico "nossa como que alguém usa isso?". Daí vem uma voz na minha cabeça que diz "usando né? Tem gente que gosta. Não existe só você no mundo."

É difícil largar costumes e manias. Se você tem o hábito de reparar na roupa de todo mundo da festa, toda festa que você for vai ser difícil não reparar. Mas tente curtir a festa que você não vai encontrar tempo pra reparar na roupa de ninguém e se reparar guarde pra você o comentário maldoso.

Venho tentando elogiar mais tudo o que eu puder e achar que merece ser elogiado. Mesmo que eu não conheça a pessoa porque a gente não precisa disso pra fazer um elogio. A gente não precisa conhecer alguém pra fazer essa pessoa dar um sorriso, ficar feliz por ouvir "nossa seu cabelo é lindo". Sabe? Porque quando falamos mal, a gente fala escondidinho e não tá nem aí se conhece ou não a pessoa.



Eu falo a mesma coisa há duzentos anos: nunca vou ser perfeita. Nunca, nunca, nunca. Mas se eu puder melhorar pequenas coisas em quem eu sou pra ser uma pessoa melhor e feliz eu vou melhorar. Pode ser que eu desista, pode ser que eu mude de ideia, pode ser que eu tenha mais "recaídas" no processo de mudar esse hábito. O que importa pra mim é tentar. Na tentativa de ser melhor já vai fazer de você uma pessoa melhor.

Recomendo que mande esse texto como indireta para algum amigo com aquela vibe ruim, aquela mania chata de falar mal dos outros.

Podemos mudar, podemos ser melhores! É só querer.


Como eu disse no Sabrinice #1 não sou a Dona da Verdade, nem pretendo ser. Também não quero com esse texto dizer o jeito certo ou errado de viver, é apenas uma reflexão. Estou aqui exercendo meu direito de internauta em escrever algo que não infringe nenhuma lei e por isso tenho total liberdade em publicar.

Obrigada por me ler e fale bem, fale bem, mas falem de mim.

12 de abr de 2017

Série de livros: A mediadora


Olar minha gente!

Hoje resolvi voltar com os posts de dicas porque eles estavam bem desatualizados né? Como estou numa vibe muito leitora (o que não acontece sempre) resolvi dar dica de uma série de livros que eu li recentemente.

A série da Mediadora contém sete livros, o último foi lançado bem depois do sexto, todos pela editora Galera Record e é escrita pela Meg Cabot, a mesma do Diário da Princesa.

Como são muitos livros eu prefiro fazer um resumão da história do que um por um, acho que ficaria massante o post e a ideia é ser rapidinho.

Nossa personagem principal é Suzannah, uma adolescente de 16 anos. Só isso já diz muita coisa porque adolescência é uma fase de mudanças, onde tudo é esquisito e tal, todo mundo quer se encaixar. Mas como se isso não fosse suficiente, a mãe dela (que é viúva) se casou com um cara super legal que tem três filhos e mora na Califórnia. Por isso logo no início da série Suze se muda de Nova Iorque para morar com o padrasto e os meio-irmãos Jake, Brad e David (ou como ela os chama: Soneca, Dunga e Mestre). Cidade nova, amigos novos, escola nova, família nova, mas um "dom" velho: o de ver fantasmas. Sim ela vê fantasmas e é isso que que move o enredo da série.

Suze tem problemas com construções antigas porque a probabilidade de alguém ter morrido lá é grande. E infelizmente é numa construção antiga que ela vai morar. O problema dela com os fantasmas não é medo, ela não tem medo. Desde muito pequena ela os via. É que os fantasmas que ficam na Terra tem algum assunto mal resolvido e por isso precisam da ajuda de um Mediador, nesse caso Suze, para ir para "próxima fase". E é com tudo isso que ela precisa lidar.

Assim que chega na casa Suze conhece Jesse, um fantasma que vai ser muito, MUITO, importante durante toda a história. Ela conhece outros 3 mediadores ao decorrer dos livros e aprende mais sobre esses "poderes" que ela tem. Arruma uns dates porque Suzannah não é boba. E claro que tem romance no meio dessa história toda, só não posso dar spoiler demais se não perde a graça.

Eu terminei de ler os livros amando a personagem principal. Ela é adolescente e por isso viaja na maionese às vezes, mas por ter esse "plus" de ver fantasmas ela acaba sendo muito madura em momentos importantes. Sem falar que ela faz de tudo para proteger as pessoas com as quais ela se importa e ama. Ela é muito decidida com o que ela quer e "mete a cara" pra conseguir o que ela quer. Eu sou a loca dos romances, então a parte romântica de amor impossível e tudo mais mexeu bastante comigo. Terminei o sétimo livro querendo uma cópia do marido da Suze (no sétimo livro ela está mais velha, pois já se passaram alguns anos).

Enfim, recomendo o livro para quem gosta de histórias leves de "juvenis", fáceis de ler, com um pouquinho de romance e muito fora da realidade. Eu amo viajar lendo livros que não tem nada a ver com a vida real.

É isso galere, até a próxima!

10 de abr de 2017

Medo de ficar sozinhx #Sabrinice10


Oi gente!

Pensei muito para o tema do sabrinice de hoje, muito mesmo e acabei decidindo falar sobre medos. Mas daí fiquei achando que "medo" abrange tanta coisa e eu nunca conseguiria fazer um post rápido, direto e reto sobre todos os medos. Então resolvi abordar um que conheço muito bem e que você que leu o título desse post já sabe. Medo de ficar sozinho/a.

Vou avisar que esse post terá algumas informações de cunho pessoal. Ao contrário do que muita gente acha, não são todos os meus textos que são pessoais. Na verdade 99,9% não é nada pessoal, inclusive não tive 12 namorados um de cada signo e caso você não esteja entendendo clique aqui.

Sou uma mocinha bem jovem, mas eu já fui mais jovem ainda (é pode crer que apesar de pequena eu não nasci desse tamanho) e eu sempre tive a vontade (que para alguns pode ser besta) de viver um grande amor. Na verdade eu queria me apaixonar e namorar alguém que eu amasse. Acabei conseguindo e tal, mas antes disso eu ficava me apaixonando até pela folha que o vento levantava. Sério, eu era uma adolescente que precisava de atenção, como qualquer outra em qualquer outra época, nada de especial. E eu queria me apaixonar para ter alguém. Algumas pessoas fariam amigos, eu queria um namorado. Gosto não se discute né?

Acabou que eu me apaixonei 953 vezes, me desapaixonei mais rápido do que a velocidade da luz e não fiquei com praticamente nenhum desses meninininhos. Comecei a namorar depois quando eu já tinha parado de procurar, quando não estava mais carente daquele jeito e quando eu enfim tinha perdido o medo de ficar sozinha. Pois é, você ai achando que só as jovens de 40 e poucos anos tem medo de ficar sozinha né? Tem nada disso, medo é algo que não vê cor, idade, nada. Ele só vem e pronto.

Essa foi a minha experiência em primeira pessoa, mas eu vi de perto experiência de terceiros e todas deram no mesmo. Com isso tudo eu aprendi que quando você está carente ou com medo de ficar sozinho a melhor coisa a fazer é ficar sozinho mesmo. Porque essas duas sensações fazem você ficar um tanto quanto desesperado e isso te leva a ficar com qualquer pessoa. No meu caso eram caras que não tinham nada a ver comigo e em outras circunstâncias eu não ficaria. Porém existe a possibilidade de você esbarrar com pessoas ruins, cruéis, que vão te fazer mal ou que vão fazer você passar por momentos ruins que você não precisava.

"Sabrina você está dizendo que é pra eu ficar sozinho/a o resto da vida?" Então, se você for uma pessoa carente o resto da vida: SIM. Mas se você estiver só num momento eu SUGIRO, até porque eu não posso nem irei obrigar ninguém a nada, que você dê um tempinho pra você. Quando essa maré de desespero "pelo amor de Deus eu preciso de alguém" passar e você ainda quiser ficar com a MESMA pessoa, vai fundo!

Eu sempre fui muito impulsiva, agora não sou mais como antes. Tudo que eu fazia e falava era sem nenhum filtro. Eu não pensava em nada antes de falar ou fazer. Imagina o quanto de merda eu já disse! Ou o quanto de besteira que eu fiz e hoje me da vergonha... Pois é, mas herrar é o mano né mores? Então bora geral se amar muito em primeiro lugar, nada de depender do outro pra ter amor, nada de se humilhar e muito menos ficar com qualquer um/a só porque tá carente. Quero que fique claro: estou falando de carência EMOCIONAL. Se você está carente apenas de SEXO e encontrou alguém que também esteja, os dois querem APENAS isso um com o outro e todo mundo foi sincero sobre isso, parte logo "pro" abraço. Mas se for carência emocional, ai sugiro que pense mais.

É isso galera, cuidado com esse medo de ficar só. Porque a sua companhia tem que ser a melhor companhia. Se até você tem medo de ficar apenas com você, como alguém vai querer ficar com você hein? E aceitar qualquer um só pra curar carência pode fazer você se dar bem mal.

Como eu disse no Sabrinice #1 não sou a Dona da Verdade, nem pretendo ser. Também não quero com esse texto dizer o jeito certo ou errado de viver, é apenas uma reflexão. Estou aqui exercendo meu direito de internauta em escrever algo que não infringe nenhuma lei e por isso tenho total liberdade em publicar.

Obrigada por me ler e fique só!

7 de abr de 2017

Eu sei que é clichê


Às vezes eu cometo o erro de pensar demais no passado e desejar que não tivesse encontrado algumas pessoas. Sim, alguns caras que agora são chamados de "ex". Eu acabado desejando que você tivesse sido o único. Mas em que isso ajudaria né? Todos esses seres do meu passado me fizeram chegar até aqui e ser quem eu sou pra estar com você dividindo isso que nós temos, isso que é tão maravilhoso.

Se não fosse aquele fulano eu jamais perceberia o quanto eu preso a liberdade. Pois é, foi com ele que aprendi que um carinho é bom, mas que dormir de bundinha um para o outro também. É saudável ter nossos momentos separados e ficar cada um no seu quadrado. Com ele eu descobri que não gosto de mensagem toda hora e que fazer isso na verdade me sufoca.

Tem aquele outro moço que me fez perceber que um ciumezinho eu tolero, mas que mexer no meu celular é o fim do mundo. Querer me controlar, saber onde eu vou, com quem estou, do que eu falo e todos os meus pensamentos é algo que absolutamente não vai acontecer e é por isso que tivemos que terminar. Graças a Deus foi pra nunca mais voltar.

Sabe que mais eu descobri? Eu descobri que eu prefiro flores a chocolate sim. Descobri que cerveja com batata é uma surpresona de aniversário, que andar de mãos dadas no calor é dispensável, que eu não gosto de sexo com tudo apagado, que eu não sei perdoar quem passa a minha frente nas séries, que tomar banho junto e lavar o cabelo não dá certo, que viajar com quem só ouve um tipo de música pode me fazer pensar em suicídio e eu não suporto gente indecisa.

É claro que com você eu aprendi muito também. Mas algumas coisas já chegaram prontas, foi bem mais fácil. A gente se descobriu sabendo do que gostava e do que não. Tem tudo a ver com amadurecer e com descobrir quem somos. Mas também tem tudo a ver com todas as pessoas que passaram pelas nossas vidas, namorados/as ou não. E qualquer que seja a "força" que nos uniu, só o fez porque temos tudo a ver. Quase aquela coisa clichê de "fomos feitos um para o outro" entende?

Quando eu olho demais para o passado eu tento pensar também que "tinha que ser assim" pra você e pra mim. Foi tudo isso que me fez assim e foi tudo isso que trouxe você pra mim. E nos fim das contas tudo isso faz de você único, o único que foi realmente perfeito pra mim. E sim, eu sei o quanto isso é clichê.

5 de abr de 2017

Ele era Ariano


Eu sempre fui muito independente sabe? Meus pais sempre me incentivaram a ser uma mulher forte e não um mocinha indefesa e dependente de todos para sobreviver. Foi por isso que eu não assumi nenhum tipo de relacionamento sério com aquele cara. Porque só faltava a espada e o cavalo selvagem pra ele se achar ainda mais o guerreiro medieval que protegia a princesa, que nesse caso era eu. E eu não estou falando apenas de ser um cara protetor, mais que isso! Ele era o machão alfa de algum século passado que estava cuidando de um de seus bens. Ele queria que eu fosse o bem. Óbvio que isso me assustou bastante, então resolvi ficar naquela coisa nada-séria e não foi lá uma boa ideia.

Ele era super mimado. Se fosse um super-heroi seria esse o seu nome: Super Mimado. O filho caçula de uma família mega tradicional (sério, tudo ajudava pra que ele fosse ainda mais mimado) onde a mamãe fazia tudo e quase tinha que colocar a comida no prato por ele. Foi chocante quando ele dormiu na minha casa a primeira vez e eu disse "não gosto de cozinhar, vamo comprar algo ali". Mas serviu de incentivo, acredite se quiser. Ele começou a se arriscar na cozinha, da minha casa claro. Fiquei orgulhosa pela iniciativa e no fim das contas descobri que ele tinha muita para fazer muitas outras coisas.

Ele também tinha um amor estranho por desenhos e ninguém podia falar mal. Sério, parecia uma criança pirracenta quando alguém discordava. Eu sei, eu sei. Qualquer um diria "mas o que você viu nesse cara então?". Acho que na mesma medida que seus defeitos me irritavam me faziam gostar dele também. Veja bem, quando eu disse que não queria algo sério ele ficou tão bravo, mas ao mesmo tempo foi tão fofo! Dava vontade de apertar aquela carinha emburrada. E toda vez que ele se controlava pra não demonstrar ciume, porque sabia que eu não gostava de possessividade, também era fofo. Ou quando ele cuidava de mim como se eu fosse a coisa mais preciosa e eu só tinha pegado gripe. Quando ele se abria e mostrava tudo que estava escondendo eu amava, porque ele sentia de verdade e isso hoje é raridade, alguém que sente.

Nossa relação foi a maior parte do tempo uma doideira, a gente esquecia do mundo quando estava junto. Brigávamos muito, muito mesmo, mas nunca saímos no tapa. A gente discutia feio, com grito e tudo. Uma vez ele foi embora revoltadíssimo e ficou dois dias sem falar comigo. Eu nunca tinha passado por essa experiência de um namorado/ficante/rolo que parasse de falar comigo, não tive sequer reação quando ele apareceu dois dias depois pra me pedir desculpa. Primeiro porque eu tinha achado infantil, segundo que eu sabia o quanto aquilo era difícil pra ele. Depois disso foi quando eu consegui "entrar" naquela mente complicada e impulsiva. E soube de uma vez por todas que eu nunca conseguiria mudá-lo.

Ele sempre foi muito gentil comigo e me tratava bem. Sério, apesar das brigas calorosas ele não era um homem das cavernas que batia em mulher e essas coisas absurdas. Não, ele era mais desses que sapateiam de birra. Muitas coisas nessa criatura me fizeram ficar tanto tempo ao seu lado. A devoção para com as pessoas que ele amava e o cuidado que ele tinha com elas, mesmo entre tapas -mais tapas que qualquer outra coisa- e beijos, era realmente impressionante. O problema é que isso não era suficiente pra que ficássemos juntos. E eu vou confessar que quando ele beijava meu pescoço e me pedia pra não ir eu me rendia, porque qualquer mortal se renderia àquilo. Mas no dia em que eu juntei forças pra realmente terminar, vou resumir dizendo que foram bem mais do que só dois dias até ele se recuperar.

3 de abr de 2017

Mania de endeusar #Sabrince9

(imagem: pinterest)

Olar meus amigos (desculpem, mas depois de "koe" "olar" é meu cumprimento favorito).

Mais uma semana começa e com ela mais um sabrinice também. Novamente fui inspirada por um vídeo a fazer esse sabrinice que me deixou pensando não só no tema em si, mas em várias outras coisas que a gente endeusa. Sabe? Faz algo parecer mais do que ele realmente é? Darei exemplos, sigam-me os bons.


O vídeo falava sobre exposição na internet e hoje em dia quem não se expõe né? É difícil encontrar alguém fora de todas as redes sociais. E se expor não é só para aquelas pessoas que postam tudo o que elas fazem no Twitter ou 5 fotos por dia no Instagram ou no Facebook. Até as pessoas "invisíveis" que só postam uma fotinho a cada 6 meses estão de expondo sim e tudo bem né?

Não vou mentir, já falei mal de pessoas que postam 50 selfies por dia. Mas isso foi antes de eu descobrir o botão "parar de seguir". Porque convenhamos eu não sou obrigada a gostar das 50 selfies nem a pessoa é obrigada a parar de postá-las. Logo achamos um meio termo: eu não falo mal dela e ela continua postando suas fotos. Perfeito! Se todas os problemas pudessem ser resolvidos assim o mundo seria outro né? Mas nem tudo é tão simples e isso não é o tema desse post. 

Pois bem, depois de confessar meu erro ao julgar aquele pobre ser humano que não fez mal a ninguém tenho a seguinte indagação: por que uma pessoa que posta menos fotos é melhor do que aquela que posta mais? Porque sim eu vejo isso. A pessoa que posta fotos é tida como fútil, sem o que fazer, carente, com necessidade de chamar atenção etc. E mesmo que ela seja tudo isso, ajudar seria melhor do que criticar. Quando entramos no mérito de fotos de casais então... Sério EU SEI que existem casais que vivem de aparência e na realidade, fora da internet, eles brigam todo dia e se odeiam por alguns (ou vários) momentos. Mas e daí? Se alguém se ilude nisso são eles, ninguém mais. 

Se você não de expõe muito porque isso te faz bem, isso é ótimo. Se você se expõe muito porque isso te faz bem, é ótimo também. Não temos que endeusar as pessoas que são ofline ou que "não se expõe" como se elas fossem mais intelectuais, mais inteligentes, maduras ou qualquer coisa do tipo. Assim como cada um tem a própria vida pra cuidar dela, cada um tem a própria conta pra cuidar dela.

Outra coisa que é muito endeusada por ai é o relacionamento aberto. E, admitindo meu erro novamente, até eu já fiz isso. "Quem tem relacionamento aberto é muito evoluído/maduro." Hoje eu penso diferente. O relacionamento aberto é só um outro tipo de relacionamento. Porque na verdade cada relacionamento tem um tipo. Tem pessoas que se casam e vivem para sempre em casas separadas. Tem outras que casam e moram na casa dos pais. Tem gente que namora a distância. Tem gente que só transa com uma pessoa. Tem gente que transa com 2. Tem gente que transa com N pessoas. É um acordo que os integrantes daquele relacionamento (sejam 2, 3, 4 ou 69) "assinam" e respeitam. Não é que o destino de todos os casais seja abrir o relacionamento.

Mais uma vez: assim como cada um tem uma vida pra cuidar, cada um tem um relacionamento para cuidar. Se você não tem um relacionamento afetivo com ninguém e quer ter, baixe o Tinder ou procure de alguma maneira um parceiro/a. Mas se você não quer nenhum, quer continuar solteiro e feliz deixe quem namora em paz postando fotos ou não.

Por último e não menos importante temos o endeusamento daqueles que assistem Netflix no sábado à noite. Sério pessoal, isso não é nada de anormal. E ficar l0k0 na balada também não tem nada de especial. Depende do seu estilo de vida, dos seus gostos pessoais. A sua preferência dirá se isso é algo bom para você ou não. Mas o que você acha bom não é a definição de bom, é só uma opinião.


Então galera, só queria alertar isso: algumas coisas não são tão extraordinárias assim. Elas só são diferentes do que você vê no dia-a-dia e tudo bem.

Como eu disse no Sabrinice #1 não sou a Dona da Verdade, nem pretendo ser. Também não quero com esse texto dizer o jeito certo ou errado de viver, é apenas uma reflexão. Estou aqui exercendo meu direito de internauta em escrever algo que não infringe nenhuma lei e por isso tenho total liberdade em publicar.

Obrigada por me ler ordinário!


28 de mar de 2017

Não era ela



-O que você quer dizer com "aconteceu"? -Eu precisava me segurar pra não ficar puto.

-Ué, acontecendo Jorge. Tipo eu não sei quando começou, mas ai sei lá. Me desculpa.

-ME DESCULPA? -Eu estava puto, não tinha como não estar puto. -DESCULPA? VOCÊ ME TRAI E QUER PEDIR DESCULPA?

-Eu não te trai! Eu não fiz nada! Calma Jorge, pelo amor de Deus. Vamo conversar direito.

-Como que eu converso direito com você? Sua... Sua... Sua vaca! -Eu gostaria de ter xingado de outra coisa. Admito, mas me segurei.

-Jorge, eu não fiz nada. Eu estou te dizendo. Eu vim falar a verdade pra você, porque eu não posso mais continuar assim...

-ASSIM COMO? COMO QUE É ASSIM? ASSIM COM DOIS CARAS?

-Eu não... EU NÃO ESTOU COM DOIS CARAS!

-Quantos são então? -Ah!!! Agora ela tinha ficado brava. Que bom!

-Nenhum! Eu... Olha só eu não trai você. Eu nem sequer beijei outra pessoa que não fosse você desde o dia que a gente começou a namorar. Entendeu? Você tem que acreditar em mim. Que merda! Eu sei que eu posso parecer errada, mas olha eu não fiz de propósito. Foi sem querer. Quando eu vi já tinha acontecido.

Eu não sabia o que dizer. Eu queria explodir tudo.



-Como assim vocês terminaram? -Érica perguntou.

-Terminando Érica. Ela terminou comigo né. Aparentemente ela gosta de outro cara. Ela disse que "se apaixonou sem querer". Nossa isso é ridículo. -Estava me sentindo num filme americano deitado na cama da minha amiga, enquanto ela pintava a unha do pé de azul (Érica era a única mulher que eu conhecia que pintava a unha do pé de azul).

-Como isso aconteceu?

-Ela chegou e disse. Como que você acha que aconteceu? Duvido que a Vanessa saiba código morse.

-Não idiota! -Ela me olhou. -Como ela se apaixonou por esse cara? Quer dizer foi um cara?

-Claro que foi um cara. Érica, ela me namorava. Você acha que ela não gosta de homens porque ela me namorava? CARALHO ÉRICA!

-Não. -Ela revirou os olhos. -Eu só estou tentando entender a história cara. -Ela se concentrou na unha novamente. -Você chegou aqui chorando e falando que ela tinha acabado com você. E do nada tem um cara e uma paixão no meio. Conta a história completa. Que merda.

Eu ri. A minha situação era trágica, mas eu ri porque ela era engraçada também. A situação, não a Érica. A Érica era às vezes.

-Presta atenção porque eu não vou repetir. -Respirei fundo e ela fechou o vidro do esmalte já que havia terminado. -Ela, a Vanessa, ela chegou na minha casa e disse que queria conversar. Então ela começou uma ladainha sobre nosso namoro e o quanto ela tinha consideração por mim. Mas isso não importa. Porque o que ela tinha pra dizer era ruim. Ela disse que estava apaixonada por um cara chamado Gabriel e que tinha conhecido ele na faculdade, eles conversavam muito e quando viu ela tinha se apaixonado e não conseguia tirar ele da cabeça e blábláblá.

-Então ela te traiu?

-CLARO!

-Nossa, que vaca! Por que ela não te falou antes e ficou com o cara depois?

-Mas foi isso que ela fez. -Eu queria que Érica ficasse com raiva dela também, mas não dava pra mentir.

-Então ela não te traiu. Quer dizer, talvez você possa considerar um pouco traição. Mas ela foi honesta! Ela se apaixonou e te contou antes de ficar com o cara. Ela realmente tem consideração e respeito por você Jorge.

-MAS EU NÃO QUERO CONSIDERAÇÃO. -Sentei na cama e me encostei na parede.

-Você quer que ela fique com você sem gostar de você? E pior: gostando de outro.

-É. -Será que a gente não pode ser infantil nem quando toma um chute bem no meio da bunda?

-Ai Jorge vai pro inferno. Você é tão idiota. Cresce cara.

-Meu Deus. Érica você é a pessoa mais sem coração que eu conheço! Nossa, até meu pai se sensibilizaria com a minha causa.

-Eu não sou seu pai. Você quer inventar uma coisa que não aconteceu. Não houve traição. Você pode até sentir raiva porque você gosta dela e queria ficar com ela. Mas agora dizer por ai "ai como eu sou coitado, sou chifrudo" isso é mentira.

-Tá bom. Tá bom. Eu só queria que você sentisse raiva dela também.

-A Vanessa era minha amiga antes de vocês dois namorarem. Isso é muito doido. Eu virei sua amiga por isso, porque você namorava ela e agora que vocês terminam você vem chorar e me contar isso e eu nem sabia que ela tava apaixonada por outro cara.

-É, é. Olha que ótimo. Eu sou um amigo muito melhor.

-Não Jorge, é sério. Ela me contava tudo. Agora você meio que pegou o lugar dela.

-Ah, Érica e daí? Tá arrependida? Você gosta mais dela? Nossa hoje todo mundo resolveu me chutar.

-Jorge você é ser mais dramático da face da Terra. Eu só tô falando como isso é curioso. Eu gosto de você, você é ótimo. -Ela piscou pra mim. Ainda sentada no chão.

Tecnicamente eu não deveria reparar na beleza da Érica já que somos só amigos. Mas é óbvio que eu já tinha reparado. "Porque você é um cara escroto Jorge!" Pode ser também, mas porque ela é realmente bonita. Claro que eu não tinha nenhum interesse nela, éramos amigos e é claro que eu acredito em amizade entre pessoas de sexo oposto. É totalmente possível. Não sou tão escroto assim. Mas poxa, ela era realmente bonita, legal e às vezes engraçada.

-Eu também gosto de você Érica. -Respondi meio distraído.

-Vou mandar uma mensagem pra Vanessa. -E riu. -Vanessa, tudo bom? -Ela leu a mensagem em voz alta.

-O que você vai dizer a ela? Érica não me faça parecer mais idiota do que eu já estou parecendo.

-Vou dizer que você veio aqui e me pediu em namoro.

Han?

-Tá falando sério? Isso é o que? Pra ela ficar com ciume?

-Rá-rá! Claro que não Jorge! Você acha que ela ficaria com ciume de você? Ela gosta de outro cara!

Então era pra que?

-Mas você vai falar isso pra que?

-Eu não vou falar isso. Eu estou brincando! Qual seu problema?

Por um momento eu achei que não. Eu to falando sério.

-Nada. Acho que tô carente. -Sorri forçado. Eu não estava só carente, tava puto também e triste. Ok eu não tinha dito "eu te amo" nem nada pra ela, mas eu gostava da garota o suficiente pra namorar e ela se apaixonou por outro sem mais nem menos. Eu acho que me sentia obrigado a estar triste e com raiva, mesmo que eu estivesse me divertindo ao fazer meu drama.

-ELA RESPONDEU. -Érica disse depois de soltar um gritinho.

Ok, eu estava me sentindo uma menina. Quase pedi pra ela pintar minha unha de azul também.

-Eu não entendi o motivo disso ainda. -Por que ela estava fazendo isso?

-Porque eu quero ver o que ela vai me dizer. Acabei de dizer que achei curioso essa mudança de papéis. Olha o que ela disse: imaginei que o Jorge iria correndo te contar Érica, então eu não preciso te dizer mais nada. Pelo menos eu fui sincera com ele. Ele nunca assumiria gostar de outra. -Ela riu de um jeito estranho. -Viu parece que você é canalha aqui.

-EU? Nossa claro que eu assumiria! Mas que merda é essa? Ela quer me fazer de vilão? Deixa eu ver isso.

-Não! -Ela abaixou o celular.

-Você tá mentindo né? Ela nem deve ter te respondido. Nossa, às vezes você é mais otária que eu Érica.

-Eu não sou otária. -Disse e fingiu ter ficado ofendida.

-Deixa eu ver então.

-Não.

Levantei da cama e com pouco esforço peguei o telefone dela. Sim foi escroto isso também, mas não fui agressivo.

Realmente não era isso que estava escrito na mensagem. Digamos que ela editou um pouco. A última parte era "Ele nunca assumiu que gostava de você."

Eu nunca vi a Érica daquele jeito. Porque claro que eu conhecia as reações dela, mas isso... Vergonha? Nossa não. Talvez eu nunca tenha percebido. Mas caramba! Nossa eu nunca tinha percebido. Ela gostava de mim e não queria que eu pensasse isso. Também não queria que eu pensasse que gostava dela, por isso ela repetia tantas vezes que somos "amigos".

-Érica você é apaixonada por mim?

Ela riu alto. Mais alto e mais estranho do que todas as vezes, porque ela estava... Nervosa talvez?

Devolvi o celular.

Ninguém disse nada durante bastante tempo.


E esse foi o dia que eu perdi e ganhei uma namorada. As duas da forma mais inesperada possível, mas mesmo assim foi ótimo. Claro que eu continuo acreditando em amizade entre homens e mulheres, mas assim às vezes acontece mesmo isso de "opa sem querer me apaixonei" só que eu não tinha percebido isso igual a vaca... Quer dizer igual a Vanessa. Então... Bem, então eu meio que era um canalha mesmo, mas ninguém traiu ninguém. E poxa, a Érica está me chamando bem agora e me olhando com uma cara engraçada que eu acho que significa que ela peidou. Nossa eu preciso abrir uma janela. Tchau.

24 de mar de 2017

Que saudade dela



Ah que saudade dela. Saudade daquele jeito só dela. O mesmo jeito que, espero eu, ela ainda tenha mesmo que com outro ou outros. Ela me dizia o que fazer e isso, obviamente, me irritava um pouco. A senhora Dona da Verdade, que sempre sabia onde eu esquecia as chaves ou que me atrasaria para o trabalho na segunda se fosse de carro. Eu sinto saudade sim e não me culpo por isso. Nem mesmo me sinto menos maduro que alguém que não sente falta da ex.

É, eu sei que não deu certo. Nós terminamos, mas vez ou outra eu gosto de lembrar dela. Posso jurar que ainda tem lugares por aqui com o cheiro dela. E esse cheiro, nossa eu reconheço esse cheiro em qualquer lugar. Eu estou bem apesar de tudo, garanto. Sou só um pouco clichê demais nos meus pós términos.

Aquela pequenina, que na verdade media o mesmo que eu e por isso odiava saltos, ela era doida por mim e agora quando me vê só me dá bom dia. É um pouco cruel, eu acho. Mas ao mesmo tempo isso enriqueceu tanto a nós dois. Não, nós não conversamos muito depois que acabou. Porém eu tenho minhas outras formas de saber dela, só porque eu me preocupo é claro. E vou te dizer, ela mudou um pouquinho. Ficou mais independente, mais madura, mais certa das coisas que ela realmente quer e para a minha infelicidade, mas felicidade dela e dos próximos, ainda mais sexy do que antes.

É claro que eu não ia dizer nada disso a ela. Por isso digo aqui a você. Ela e os momentos com ela eram todos uma delícia e eu não estou exagerando. Toda a dança de corpos, misturados com suor, saliva e uma disposição, que disposição, faziam de nós o casal perfeito. O problema é que queríamos muito mais que isso, nossos planos não cruzavam em nenhum ponto. E advinha só? Ninguém queria ceder.

Quando essa saudade aperta forte assim eu até penso em ligar. E eu chego bem perto de discar o número dela. Mas eu sei que isso não ajudaria em nada. Ela não ficaria nada feliz de atender uma ligação minha. A gente até tentou ser amigo, conversar sobre assuntos amenos e até se encontrar de vez em quando. Mas é claro que não deu certo. No início ficamos tão travados, cada palavra era muito calculada antes de ser dita em voz alta. Depois nós simplesmente escorregamos e caímos na cama. Pois é, de repente. Sem roupa, sem vergonha e com muita culpa. Admito que mais da parte dela do que da minha.

Então chegou o dia que ela disse com todas as palavras "eu não quero mais ficar com você" e vou te dizer, isso doeu. Sério, doeu mesmo. Poxa, eu gostava daquela mulher! Tanto que estou aqui falando dela até hoje. Mas uma hora eu paro de lembrar porque eu sei que todo dia é um passo mais perto de superar. Todo mundo sabe que é assim. A primeira pancada dói, arde um pouco até, mas o tempo passa e vai melhorando. A gente se cura e quando vê tá pronto pra outra. Hoje foi o dia que eu menos lembrei dela e amanhã vai ser melhor, o amanhã sempre melhora.