15 de fev de 2017

Ele era pisciano


Romântico incurável, do jeito que eu sempre sonhei em casar. Sim, daqueles que trazem flores e bombons.

É claro que não nos conhecemos na balada. Foi aquele romance de escola que demorou pra engatar (só quando saímos da escola), mas uma hora engatou. Não foi na primeira porque ele estava tímido, nem na segunda porque eu fiquei com medo de que ele não quisesse nada, mas na terceira ele me deu o tão famoso beijo de boa noite e eu quis que ele ficasse a noite inteira. É claro que ele ficou, porque ser romântico não tira o tesão de ninguém nessa vida. Amém.

E qual era a graça? A graça era estar com alguém leve e simples. Porque ele ficava feliz com as pequenas coisas. "Nossa, hoje um menininho falou que minha barba era maneira." Pronto, ganhou o dia. Ele também refletia muito sobre a vida. "Pra onde vamos depois daqui?", "Será que a gente fica junto?". Havia os dias de drama também. Drama porque eu não liguei pra avisar que cheguei bem. Drama porque no primeiro mês eu não comprei um presentinho. Mas isso não virava uma confusão muito menos chororôs intermináveis. Era só um beicinho que eu nunca resisti.

Pode até parecer clichê, mas ele amava água. Praia, piscina, beber água, tomar banho junto... Tendo água ele estava lá! Eu embarcava com ele nas "aventuras marítimas" em atravessar trilhas pra chegar numa praia porque "nossa olha esse horizonte". Embarcava também quando ele, e o beicinho dele, diziam "hum vamo ficar o domingo todo na cama comendo besteira e assistindo série diz-que-sim?". Aquela manhã e aquela aptidão para fazer brigadeiro de panela deveriam entrar para o currículo.

Falando em trabalho, eu me lembro do dia que ele foi demitido. Ficou triste, reclamou um pouquinho, mas disse que tudo bem. Outras portas se abririam, talvez tudo isso o deixasse ainda mais próximo do seu sonho. Os insensíveis de plantão e os machistas também, duvidavam da sexualidade dele. Na verdade eu fui alertada pra "não perder meu tempo com quem gostava da mesma fruta que eu". O motivo era simples: ele transbordava sensibilidade. Não, ele não chorou assistindo Marley e Eu, mas ele sentia no meu "oi" pelo telefone que eu não estava bem e precisava conversar. Eu não precisava falar muito pra que ele entendesse que não estava bem ou que eu precisava de alguém pra desabafar. Era como se ele lesse cada sensação em mim e tivesse um manual perfeito de como agir.

No dia que ele saiu da minha vida eu fiquei mal. Um dos poucos relacionamentos que não fui eu quem terminou. Ele precisou se mudar, adivinha pra que? Pra seguir um de seus sonhos que, infelizmente, estava em outro país. Mas pensa que ele disse só um "vou sentir sua falta, fica bem, a gente vai ser amigo". Não, não. Ele fez carta, ele me fez lembrar na semana antes de ir embora de todas as coisas maravilhosas que a gente viveu. Quando a despedida enfim veio eu estava de coração partido, mas imensamente grata pela alegria de ter aquela pessoa na minha vida tanto tempo. Nem a partida dele provocou confusões, só um chororô. Ele foi, levou uma parte de mim e deixou outra tão grande dele aqui.
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12 de fev de 2017

Irmão do ex



-Alice, acho que eu já vou. Você vai também?

-Se algum dos meninos for, eu vou.

-Tá, vou ver.

Caminhei até "os meninos" que eram três: meu ex, o irmão do meu ex e o Flávio. Nós todos éramos amigos. Sim, apesar de termos terminado, meu ex e eu conseguimos ser amigos. É bom chamá-lo pelo nome: Rodrigo. E o irmão do Rodrigo era o Alex.

-Gente, acho que vou embora. Alguém mais tá indo? Até porque seria bom uma carona.

Quando falei só Alex prestava atenção de fato. Flávio estava com o pescoço esticado para o meu lado, mas os olhos cravados na menina de decote. Rodrigo já estava se amassando loucamente com uma menina de cabelo vermelho.

-Eu posso levar vocês, sou o único que não bebeu. -Disse Alex. Ou "lêlê" como eu sempre chamei.

Nós nos conhecíamos há muito tempo. Ele era da minha turma na escola e sempre fomos amigos, até que na adolescência eu descobri uma super paixão pelo seu irmão 3 anos mais velho, alguns anos depois ficamos, namoramos, terminamos e agora frequentamos baladas com Alice.

-Alice, o Alex vai levar a gente. Bora?

-Bora!

Saímos da boate, caminhamos até o carro falando sobre como os homens chegam de maneira bizarra nas mulheres.

-Uma mulher deu um tapa na cara de um homem que chegou nela perto do banheiro! Nunca tinha visto isso acontecer, mas sempre quis que acontecesse com alguns babacas.

Eu ri.

-Ai meu Deus Alice, que agressiva! -Ri de novo. -Eu já senti vontade de dar uns tapas também.

-Ah, fala sério! Tem uns que são uns amores, dá vontade de levar pra casa e não deixar ir embora nunca. Tipo aquele que eu fiquei mês passado, mas tem uns que da vontade de desistir da vida.

Eu ri. Sempre dramática.

-Será que eu faço alguma mulher querer desistir da vida? -Perguntou Alex.

Quase respondi "é óbvio que você é de levar pra casa", mas seria tão estranho falar isso. Não seria? Deixei pra Alice responder.

-Ah, lêlê não sei! -Ela deu de ombros. -Não fiquei com você, nem pretendo porque isso iria acabar com várias amizades, mas eu acho que você deve ser do tipo que leva pra casa mesmo e amarra no pé da cama pra não fugir porque é muito disputado. -Ela riu e olhou pra mim.

Não sou mais uma adolescente, assumo que já pensei nisso que você está pensando. O Alex é um gato! Enquanto Rodrigo fica se destruindo com fast food quase todo dia, o irmão bebe os famosos 2 litros d'água diários, corre todo dia e não é doente com dietas ou corpo, faz isso porque "deixa ele mais disposto". Então sim, eu já pensei nisso. Eu já pensei várias vezes nisso. Várias.

Entramos no carro.

-Nossa, estacionou longe hein lêlê!

-Pegou a mania da Vivian de me chamar de lêlê. Ninguém merece.

-Para! Você nunca reclamou de eu te chamar de lêlê, lêlê. -Eu ri.

-Parece que eu tenho dez anos ainda quando você me chama assim, vivi. -Ele fez uma cara de tédio ao falar meu apelido.

-Tudo bem, eu paro.

-Eu não paro! Lêlê é ótimo! Falar em "lê" e aquele Leonardo hein Alex? Você disse que ia me apresentar hoje e o cara nem foi!

-Acho que ele tava passando mal de sei lá o que. Mas vai ter churrasco na casa dele semana que vem, quer ir?

-Han? Eu nem conheci o cara e já vou na casa dele?

-Qual problema? Eu vou, Rodrigo vai, Vivi vai. -Ele piscou pra mim.

-Eca. Rodrigo... Não sei como você conseguiu ficar um ano com o Rodrigo! Nossa, ele é tão... Tão bosta.

Eu queria dizer "verdade, também não sei o que me deu". Mas Alex sempre defendia, então continuei muda.

-Rodrigo é idiota Alice, acho que a Vivian queria consertar ele, mas não ia dar certo nunca.

Han?

-Como que é Alex? Você sempre defende ele e agora vem com essa? O que houve? Brigaram? -Fiquei indignada mesmo.

-Não briguei não. Só assumi que meu irmão não valoriza algumas pessoas. É um defeito dele, como todo mundo tem. Não adianta eu fingir.

-Chegamos. Valeu pela carona, lêlê.

Desci com ela pra dar um abraço e mudar para o banco da frente.

Sentei no banco do carona e Alice apareceu do nada na janela.

-Quem sabe você dê valor às pessoas que o babacão do seu irmão não deu não é não lêlê? -Riu. -Tchau gente. -Virou e saiu correndo pra entrada do prédio.

-Nossa, não acredito que ela disse isso. -Sério, eu não acreditava. Ela tinha me jogado pra cima do cara. Não que eu não quisesse ficar em cima do cara, mas eu meio que não podia.

-Ah, relaxa.

Relaxa? Meu Deus! Achei que ele diria algo tipo "Não, nada a ver! Eu e você não podemos ficar nunca." Como ele já disse tantas vezes.

-Relaxar?

-É. -Ele me olhou. -Foi uma brincadeira só.

-Uhum. -Disse encarando ele, que prestava atenção na estrada.

Ficamos em silêncio um tempo enquanto as paisagens iam mudando. Faltava pouco.

-Rodrigo disse uma coisa uma vez.

-Que coisa?

-Nada, deixa.

-Até parece! Começou então termina.

Ele pareceu ponderar muito, olhou para os lados. Fiquei bem impaciente. Rodrigo disse algo sobre mim? O que?

Estacionou o carro. A próxima rua era da casa dele.

Ele virou pra mim bem sério.

Naquele momento ele me deu um nervosinho.

-Ele falou que você nunca ficaria comigo. Na verdade ele falou isso mais de uma vez. Antes de vocês namorarem, antes dele saber que você gostava dele anos atrás e depois de vocês terminarem também.

-Uau. Não esperava por essa.

-Segundo ele eu deveria parar de tentar.

-Han? Mas você nunca tentou!

-Na cabeça do meu irmão eu tentei. Ele acha que eu tentei ficar com você várias vezes e que você me rejeitou em todas elas.

-Nossa! Mas como o Rodrigo é idiota! Como ele consegue?

Alex sorriu pra mim.

-Vou levar você pra casa. -Disse e olhou pra frente.

Espera ai Alex, eu já tirei até o cinto.

-Lêlê?

Ele me olhou com a mesma cara de tédio e isso me fez rir. Isso e o pequeno nervosismo.

-Se você já tivesse tentado, já teria conseguido. Mas como você não tentou, eu vou tentar.

Eu vi a confusão nos olhos dele e mesmo assim o beijei.



-ALEX?

-Ai caramba! -Sentei na cama muito rápido.

-Calma. -Alex disse tocando minhas costas e continuou deitado.

-QUE FOI RODRIGO?

-Cadê a chave do carro? -Deu pra perceber que a voz estava bem perto. Meu ex estava bem ali atrás da porta. E eu estava do lado de cá completamente nua na cama do irmão dele! Não sei dizer qual era a sensação, as sensações na verdade.

-TÁ NA SALA! PERTO DA TELEVISÃO!

-JÁ É! -A voz respondeu longe.

-Viu? Tá tudo bem.

-Sim, eu só me assustei. Achei que ele sabia que eu tava aqui e ia fazer um barraco.

-Ele não sabe, nem precisa saber. Pelo menos eu não vou contar. Mas acho que se ele soubesse ele faria um barraco sim. -E riu.

-Vem cá é isso mesmo? Você tá se achando porque dormiu comigo?

-Ei! Eu não dormi com você!

-QUE CACHORRO!

Acertei um tapa.

-Ai. Era só brincadeira, calma. -E riu fingindo uma dor muito maior.

-Tenho que ir embora antes que ele volte.

-Ele não deve voltar cedo.

Eu também não queria voltar cedo. Por mim eu ficaria em cima do cara o dia todo. Acho que chega desse trocadilho né? Pois é. Mas eu tinha um dia longo com a minha mãe, então não poderia ficar.

-Eu tenho realmente que ir.

-Tá bom linda. -Ele levantou. AI MEU DEUS ELE LEVANTOU NU. NU! Sei que comparações são horríveis, mas noooooooooooooossa deu de 7x1 no Rodrigo! Acho que a diferença, em centimentros, devia ser mais ou menos isso. Nãoo, tamanho não é documento, mas é que você não viu a diferença, porque se tivesse visto concordaria comigo.

Ele percebeu e riu.

Comecei a colocar minha roupa.

-Então, seus pais não estão também né?

-Não, não.

-Nossa ia ser horrível me virem saindo do seu quarto. Eles já me viram saindo do quarto do seu irmão.

-Olha que bom, só mudou de porta.

-Vai a merda Alex!

-Eles gostam de você.

Outro tapa.

-Ai cara! Calma. -E riu.

Engraçado como ele estava animado. Será que era tudo por minha causa? Ou sexo deixava ele assim?

Antes de abrir a porta ele virou pra mim, pensou um pouco. Nunca tinha percebido que ele pensava bastante antes de falar.

-Olha só, eu sei que é um pouco diferente essa situação aqui, mas eu espero que você não fuja de mim depois de ontem.

Querido, se eu pudesse eu morava nesse quarto. Se eu pudesse eu voltaria no tempo e nunca teria entrado no quarto ao lado.

-Claro que eu não vou fugir de você lêlê.

-É que não vai ser mais a mesma coisa. Você sabe.

-Quem disse que eu quero que seja a mesma coisa?

Ele riu.

-Ótimo. Eu nem sei porque eu te apresentei meu irmão.

-Relaxa.

-RÁ-RÁ-RÁ! Usando minhas falas.

-Vamos viver o momento. Ta bom? -Falei sinceramente. Eu não sabia onde aquilo iria dar, mas contando que desse. Nossa! Sério, chega de trocadilho.

-Ta bom não, tá ótimo! -Ele riu, me deu um beijo e abriu a porta.

-Tchau lêlê!
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23 de jan de 2017

Direita ou Esquerda? Sabrinice #6


Olar galera!

Sim o primeiro post do ano demorou muito, mas o motivo é: estou de férias. Quando estamos de férias acabamos sendo possuídos por um espírito chamado preguiça que não nos permite fazer nada. Mas agora já passou, estou aqui cheia de energia e posso começar mais um post nesse novo ano de blog (que jaja fará um ano de existência).

E ai? 
Esquerda ou direita?
Preto ou branco?
Frio ou quente?
Alto ou baixo?
Gordo ou magro?
Romântico ou safado?

Por que não os dois?

Tem algo que venho me perguntando e não consigo encontrar resposta: o fato das pessoas não aceitarem as liberdades que a vida oferece. E nesse momento você deve estar se perguntando "como assim eu não aproveito a liberdade Sabrina? Eu sou a pessoa mais livre que você respeita." Espero realmente que seja, mas mesmo assim senta aqui um pouquinho e vamos conversar.

Quantas vezes você já ouviu a frase "eu não esperava isso de fulano"? Algumas vezes pode até fazer sentido, mas não sempre. Vamos aos exemplos ilustrativos: José das Couves é um rapaz muito romântico e carinhoso, mas ao contar experiências sexuais ele demonstra um lado safado do tipo que dá tapa na cara (com consentimento, nada de espancar ou coisas do gênero) e eis que ouve a frase "nossa José, não esperava isso de você, achei que você nem transava". Por que o José só pode ser romântico ou o Alfredo só pode ser safado? Por que não ser os dois em momentos diferentes? Às vezes as pessoas tendem para um lado ou outro, mas elas são livres para escolher como querem ser.

Esse tipo de frase propaga inúmeros preconceitos. "Você ouvindo funk? Nossa! Mas você sempre ouviu rock, não esperava isso de você." Como se um estilo musical definisse a pessoa como boa ou ruim. Ou "Você não é gay? Como você ficou com aquela menina outro dia? Não esperava isso de você Igor." Por que Igor não pode estar indeciso? Por que ele não pode gostar dos dois? Por que precisamos nos definir como uma coisa só excluindo as outras o tempo todo? Se eu prefiro coca não posso pedir um suco de laranja? E se hoje eu concordo com uma proposta de esquerda eu, de forma alguma, posso concordar com alguma proposta de direita? Por que? Onde foi que escreveram que há uma regra de opiniões a serem seguidas? Cadê a liberdade que todo mundo quer e tanto fala? Não podemos mudar de opinião, gostos etc.?


O seu amigo pode achar a mina gordinha linda e a mina sarada também, ele não precisa ter "um tipo" só. A sua amiga pode querer vestir burca hoje e minissaia com top amanhã, afinal o guarda-roupa é dela. Você pode ser do tipo que vai pra balada e que fica em casa sexta noite assistindo séries. Uma coisa não precisa ser melhor que outra, escolher uma coisa não te torna melhor do quem escolhe duas muito menos escolher A não te faz melhor do que quem B, são apenas diferentes. 

Como eu disse no Sabrinice #1 não sou a Dona da Verdade, nem pretendo ser. Também não quero com esse texto dizer o jeito certo ou errado de viver, é apenas uma reflexão. Estou aqui exercendo meu direito de internauta em escrever algo que não infringe nenhuma lei e por isso tenho total liberdade em publicar.

Obrigada por me ler e use menos OU e mais E!
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31 de dez de 2016

Para deixar em 2016 Sabrinice #5


Fui inspirada pela minha psicóloga a fazer uma listinha para o ano de 2017. Eu sou a menina das listinhas. Lista do dia (coisas pra eu não esquecer de fazer naquele dia), lista dos textos (com textos pra eu escrever pro blog ou ler pra aula), lista com o que eu gastei dinheiro, lista com o que eu não devo mais gastar dinheiro, lista com o que eu pretendo comprar, lista de coisas que eu não posso morrer sem fazer, lista de tudo mesmo. E lista de meta eu faço todo ano. Inclusive das dez que eu criei em 2016, não consegui 2 que foi viajar e meditar. Por isso amigos estou aceitando dicas paras as duas coisas.

A lista que ela me sugeriu fazer foram "as coisas que você pretende deixar em 2016" e não eu nunca tinha pensado nisso. Porque eu, particularmente, sou uma pessoa de mudanças, logo querendo ou não todo ano eu deixo coisas para trás. Porque não ter metas de coisas que você não quer além das que você quer? Serve de inspiração, serve de lembrança "eu era assim e não quero ser" ou "não quero ser 2016" (sabemos que esse ano vai render memes).


Nunca tornei pública nenhuma dessas listas, mas resolvi fazer diferente nesse finalzinho de ano que com certeza ainda promete. Então segue a lista para inspirar você ai amigo:

1. Insegurança

Passei anos e anos sendo a pessoa mais insegura que você respeita. Com tudo. Com o corpo, com o cabelo, com a cara, com as coisas que eu fazia (sempre achava dos outros melhores). E eu sempre fingi não ser insegura. Inabalável Mello. Muita gente fica surpresa quando eu falo que tinha 1 milhão de inseguranças porque eu não demonstrava. No passado eu tinha mais ainda, larguei muitas em 2015 e quero largar todas que sobraram em 2016.

2. Culpa

O bichinho da culpa gosta de me picar. E eu não estou falando culpa por coisas que realmente tenho culpa, porque ai até teria algum sentido, mas ainda assim não seria bom porque culpa não é bom. Mas eu sinto culpa por não ter arrumado a cama. Ou sinto culpa por não ter lido algo a tempo. Ou sinto culpa por não ter postado no blog. Sinto culpa por não ter cumprido 2 das minhas 10 metas. Não é o fim do mundo, não matei ninguém, mas eu me culpo.

3. Medo

Os principais medos que tenho são do erro e da reprovação (que tem tudo a ver com insegurança). Entrei na faculdade esse ano com medo do que iam pensar de mim, com medo de não ser o suficiente. E foi uma grande perda de tempo. Nada disso aconteceu, conheci pessoas ótimas. Realmente sempre vai ter alguém que não vai gostar de você e tá tudo bem. Já o medo de errar é um pouco prepotente né kirida? Todo mundo erra, vlw flw.

5. Raiva

Esse é um sentimento que vez ou outra nós temos, mas eu consegui sentir bem menos ao longo do ano e pretendo continuar assim durante meus próximos 80. Sabrina Zen.

6. Remexer no passado

Quando acontece algo ruim e você não consegue enxergar nada de bom nisso, simplesmente esqueça. (Exceto em casos de crimes, nesses procure a polícia.) Porque carregar coisas ruins do passado que não são úteis não vão te ajudar em nada. Carregar erros também não, carregar problemas sem solução também não. A gente tem que ter na mala tudo que é bom, tudo que faz bem, tudo que acrescenta e tudo que é necessário. O resto joga fora. Mala de coisa ruim pesa, já a mala de coisa boa te deixa leve.

7. Preguiça

Acho que isso deveria estar na minha meta desde que tenho uns 10 anos de idade. Porque outros 10 anos se passaram e eu continuo sendo a Sabrina Preguiça Mello. Então tchau preguiça, você não tinha nem que tá aqui linda.

Feliz ano novo!!
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30 de dez de 2016

Feliz amanhã


Sempre gostei do ano novo porque sempre gostei da ideia de começos e principalmente recomeços. Iniciar um novo ano significa, para mim, renovar as energias para fazer mais um ano valer a pena. Afinal só você pode fazer seu ano valer a pena. Não são os outros, não são os acontecimentos aleatórios, a passagem de um cometa, astrologia ou Deus. É você. E não isso não é ceticismo, isso é não colocar no outro uma responsabilidade que é só sua e de ninguém mais.

O ano de 2016 foi louco? O ano de 2016 foi louco. Em todos os sentidos que a palavra louco pode ter. Morreu tanta gente (famosa ou não, boa ou não) no mundo todo, algumas guerras continuaram, outras pioraram, mas algumas estão perto do fim, casais (e essa fã número 1 do amor aqui, ficou triste com isso) terminaram, a política virou de cabeça pra baixo tanto nacional, quanto internacional, mas conheci tanta gente legal, aprendi tanta coisa nova e sei que isso não foi algo exclusivo para mim. São os famosos dois lados da moeda, você escolhe pra qual quer olhar mais.

Espero, de mim e não de 2017, começar o ano leve focando nas coisas boas que aconteceram e deixando as ruins de 2016 como um aprendizado, por vezes doloroso, mas importante para me ajudar ao longo da vida.

Espero, de mim e não de 2017, fazer desse ano bom, produtivo e focado em mudar as coisas ruins que ainda persistem.

Espero, de mim e não de 2017, cumprir minhas metas, conseguir o que quero porque me esforcei e tive pessoas que me ajudaram (porque sempre temos quem nos ajude) pra fazer do meu ano um bom ano.

Espero, de mim e não de 2017, ser grata a tudo que acontece desde de a hora em que acordo até quando volto e tenho uma cama me esperando pra dormir.

Gosto de insistir na tecla do "a felicidade está nas suas mãos" porque ela está. Se você põe algo tão importante assim nas mãos do outro e não consegue ser feliz a culpa é sua mesmo. Um ano novo tem tudo pra ser bom e tem tudo pra ser ruim. Depende das nossas escolhas, das nossos objetivos e o que fazemos pra alcança-los. E talvez o mais importante seja não perder a vontade de viver mesmo depois da virada, mesmo depois do carnaval, mesmo depois das férias de julho, mesmo quando o começo não for de ano que você seja o começo que provoque mudanças. Seja você sempre a boa energia que procura para recomeçar. 

Hoje ainda é dia trinta de dezembro, mas já vou te desejar feliz ano novo e feliz amanhã!
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26 de dez de 2016

Já foi amor



Eu escrevi textos, eu fiz declarações, arrisquei poesias amadoras e entreguei algumas dezenas de cartas nesses anos juntos. Foram muitos afinal, muito mais do que eu esperava e muito mais do que eu passei em outros relacionamentos. E além de te dar arte eu dei amor, eu dei cuidado, carinho e todas aquelas coisas que os casais apaixonados fazem depois que a paixão acaba, porque ela acaba. Todo esse tempo foi incrível, mas ele também acabou, assim como o cuidado e o carinho tiveram que acabar. Até o amor teve que acabar e tá tudo bem.

Quando se tem um relacionamento longo é normal perceber as fases. Em algumas há mais paixão, mais fogo, mais vontade. Em outras é mais calmaria, menos brigas, mais companheirismo. Tudo isso faz parte e é imprescindível. Nós tivemos, lembra? Não adianta negar. Não adianta dizer que "sou só um episódio que você quer esquecer" ou que sou uma "página virada" na sua vida. Por que virar se você pode ler de novo pra não fazer igual? Eu sei que errei, mas você também. Fazemos isso todo dia.

Foi difícil ouvir amigos me dizendo que você não queria mais saber de mim. Tudo bem, terminamos, foi ruim. Eu sei! Eu estava lá também! Mas entenda eu não quero jogar tudo fora. Apertar o "reset" e esquecer tudo aquilo que vivemos apenas porque não durou até a morte. Foi eterno mesmo durando menos. Foi incrível mesmo com um final doloroso. A gente se amou. Não amou? Por que você nega? Então todas as vezes que me disse "eu te amo" eram mentira? E todas as vezes que eu fui o único ao seu lado foram em vão? Fui apenas uma pessoa em meio a tantas que te serviram de alguma forma e que agora não servem mais?

Eu te amei. Isso mesmo, sem nenhum medo eu afirmo que amei. Ao contrário da Joelma, eu acredito que pode ser amor mesmo quando acaba. Quem a gente ama tem uma facilidade imensa de nos fazer chorar. Eu pedi desculpas pelos meus erros e não quero carrega-los numa mala pra onde eu for. Também não quero dizer que você "não foi nada" mesmo depois de tantos anos juntos. Dividindo a conta, dividindo a cama, dividindo a vida.

Como eu disse a paixão acaba sim. Com o fim as outras coisas também vão sendo obrigadas a acabar. Mas não é porque acabam que nunca existiram. Nossa vida tem um fim e não é por isso que não existimos. As pessoas vão lembrar de nós. Eu vou lembrar de você e do que eu aprendi com você. Só que agora eu não te amo mais. É bem mais simples se olhar dessa maneira.
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1 de dez de 2016

Vá ao psicólogo Sabrince #4


Olá! Eu sou Sabrina, esse aqui é o meu blog que se chama Sabrinando e essa é uma série (não sei como chamar na verdade) de textos opinativos chamado sabrinices que não possuem verdades absolutas e que tem apenas a intenção de fazer refletir.

E ai gente, tudo bom? Mas tudo bom MESMO? Já se perguntou como você está hoje sem responder o automático "bem"?

Desculpe o transtorno, mas precisamos falar sobre você.

Como eu disse no início, esse é um texto 100% opinativo e em minha opinião eu julgo extremamente necessário ir ao psicólogo. Acredito que todo mundo no mundo deveria ir ao psicólogo. E por quê? Ah, amigo pensa comigo: se um dente estragado dói, imagina uma mente estragada. Muitos, mas muito mesmo, das doenças são causadas por um psicológico maltratado. "Ansiedade" é uma doença da moda, mas além dela existem outras diversas que causam problemas de saúde seríssimos. Então eu te devolvo a pergunta: por que não deveríamos cuidar do cargo chefe que controla nossos corpinhos?

Preconceito
Sério, no dia que não houver mais preconceito será o ponto mais alto da evolução da humanidade. Mas por enquanto a gente tem que lutar contra ele mesmo. "Psicólogo é pra maluco". Não gente, não é. Primeiro que não existe um diagnóstico de maluquice. "Hum acordou sete da manhã pra correr, mas não foi? É maluco. Toma aqui esse rivotril." Não é assim que funciona. Um psiquiatra estuda anos MUITOS ANOS, pra absorver conhecimentos na medicina e poder ajudar as pessoas com as variadas patologias mentais. Ele não é o "profissional que cuida de maluco". Porque maluco não existe, maluco é aquele teu amigo que você encontra no bar. "E ai maluco, beleza?". Você não precisa ir necessariamente ao psiquiatra, você pode ir a um psicólogo, ele também fez um curso superior e se ele ver que você precisa de um psiquiatra ele vai recomendar.

Todo mundo tem problema
Essa é uma premissa bem óbvia que muita gente concorda. Mas tem gente que pensa que precisa resolver tudo sozinho. Não é bem assim. Não é bom tomar remédio de dor de cabeça sem saber o causador dela. Ás vezes nem sabemos de onde veio o problema, mas a gente quer resolver sozinho custe o que custar. Afinal de contas somos seres TOTALMENTE independente que nunca precisam nem precisarão de ninguém na vida para ABSOLUTAMENTE nada. Não né? Sabemos que não. A gente precisa de alguém pra ir pra todos os lados. Quando tem greve dos motoristas de ônibus ou de garis todo mundo sente. Parece que o lixo não caminha sozinho né? Esse lixo que está na sua cabeça te atrapalhando, também não sai sozinho, você precisa de ajuda e isso é perfeitamente normal.
Diariamente nós enfrentamos situações difíceis e que exigem de nós. Sem falar dos eventos especiais como gravidez, vestibular, divórcio, perda de alguém próximo, etc, Ter alguém que te ajuda não a sobreviver a isso, porque não queremos ser sobreviventes, mas sim a conviver e viver bem com tudo isso sem surtar, deveria ser mais valorizado.
É mais saudável buscar ajuda e se curar do que passar todos os dias fingindo que está tudo bem, que você é muito forte e nada te abala.

Acessibilidade
Sim, aqui de fato eu preciso concordar: não está acessível a todos. Eu sou a favor de psicólogos (no plural) em todas as escolas. Mas além disso deveria ser mais barato a terapia em si. Esse não é o caso então serve aqui o mesmo que eu disse para o preconceito: tente lutar contra isso.

1) Procure instituições sociais que oferecem esses serviços de maneira mais acessível. Existem associações em comunidades com profissionais dispostos a fazer o atendimento por preços populares e de acordo com a renda da família.

2) Se informe com alguém que já paga um psicólogo pra saber se ele atende pacientes gratuitamente ou por preços mais baixos. Porque sim existem profissionais que fazem serviços gratuitos maravilhosos.

3) Vá a universidades ou converse com alunos de psicologia. Quase sempre tem atendimento em universidade, até porque é a forma de estágio dos alunos. Mas tem supervisão, então não se preocupe que o trabalho não será mal feito por se tratar de alunos.

Se você ainda acha que ir ao psicólogo é desnecessário não julgue aqueles vão. Não tem como saber o que outro passa, a gente pode tentar se por no lugar e respeitar. Mas não critique.

Como eu disse no Sabrinice #1 não sou a Dona da Verdade, nem pretendo ser. Também não quero com esse texto dizer o jeito certo ou errado de viver, é apenas uma reflexão. Estou aqui exercendo meu direito de internauta (e esse linguajar de tiazona?) em escrever algo que não infringe nenhuma lei e por isso tenho total liberdade em publicar.

Obrigada por me ler e vá ao psicólogo!

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25 de nov de 2016

Ele era escorpiano


Vou contar como esse furacão aconteceu na minha vida. Ou o mais importante: como eu sobrevivi a ele.

Um amigo levou o primo para um churrasco que organizamos. Foi assim que nos conhecemos. Ele não era tão falante quanto eu, não falou com muitas pessoas e mesmo assim no dia seguinte minhas amigas só falavam dele e daquele ar misterioso. Sim, ele tinha um ar misterioso. Mas ares misteriosos não me agradavam muito, por isso deixei pra lá qualquer possibilidade de falar com ele de novo. Sabe essa mania de julgar sem conhecer? Eu assumo que fiz. Depois que já estávamos junto há um tempo eu contei essa história e ele nunca mais esqueceu dela. Vez ou outra ele falava "quem foi que me julgou sem me conhecer?". Pois é.

Antes de enfim ficarmos eu me sentia bem incomodada com a presença dele. Mas não era um incomodo do tipo "quero que ele vá embora". Era um incomodo do tipo "porque ele não fala quase nada?". Estranho eu não querer me aproximar dele, mas queria que ele se aproximasse de mim. Toda vez que nos falávamos tinha no ar um quê de diferente. Como se ele exalasse aquela coisa que ele tinha e eu não sabia o que era. Mas eu queria saber, mesmo contra toda a lógica que há nesse mundo.

Nossa aproximação foi tão lenta que nem pensei que ficaríamos. Mas acho que era algo com ele, quando ele queria ficar com alguém ele dava um jeito daquela pessoa cair nas suas garras. Eu cai. Admito. Quanto mais nos conhecíamos, mais eu sentia no ar aquela tensão. Mesmo quando nossos amigos estavam próximos eu sentia isso. Ele sentia também porque sempre me dava uns olhares que eu juro que faziam com que eu me arrepiasse. Eu sei, pode parecer exagero. Era como se eu estivesse enfeitiçada por aquele cara e se você só soubesse do início da história nunca imaginaria esse final.

Fazia tempo que eu não sabia o que era ficar nervosa com um cara. Tudo bem, a primeira vez com um cara diferente dá sempre um nervosinho. Mas é um nervosinho pequeno, aceitável, de empolgação. Eu estava suando quando ele apareceu simplesmente do nada e sentou do meu lado na varanda. Eu já estava me sentindo desprotegida por estarmos sozinhos na casa dele, então todo movimento era um mini enfarto. O fato dele ter sentado ali era totalmente esperado, mas eu estava tão nervosa que quase pulei. Daí ele disse alguma coisa e o resto que eu lembro vou guardar pra mim.

Depois disso eu estava completamente apaixonada. Acho que foi um divisor sabe? A primeira vez que não criei expectativas devido a tamanho mistério e fiquei tão surpresa que até hoje quando lembro eu suspiro. Uso a expressão "até hoje" porque já terminamos faz um tempo e ele não fala muito comigo desde então. É claro que eu sinto saudade. Mas infelizmente aquele amor bandido não combinou comigo. Ao passo que ele era romântico e um adjetivo que ainda não sei na cama, ele também gostava de brigar só pra ter a reconciliação. Claro que eram maravilhosas, mas geravam desgaste. A intensidade daquele homem me enlouquecia tanto para o lado bom quanto para o ruim. Por isso acabou. E se eu voltasse no tempo não mudaria absolutamente nada.

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17 de nov de 2016

(Reclam)ações Sabrinice #3


Olá! Eu sou Sabrina, esse aqui é o meu blog que se chama Sabrinando e essa é uma série (não sei como chamar na verdade) de textos opinativos chamado sabrinices que não possuem verdades absolutas e que tem apenas a intenção de fazer refletir.

Quero falar sobre algo que muita gente faz e que é chato pra caramba: reclamar.

Ei você, já reclamou hoje? Conhece alguém que reclama o tempo inteiro? Olha eu já escrevi outros textos sobre isso, mas dessa vez resolvi abordar de um jeito mais informal. Dando um pouco da minha história de vida.

Reclamar é algo comum, acho até que é impossível viver uma vida sem reclamar de nada. A gente reclama porque reclamar é natural do ser humano. Todo humano reclama, você é humano. Logo você reclama. Gostando ou não é uma realidade. Mas não enxergo nenhuma necessidade em ser uma pessoa ingrata e que "reclama de barriga cheia".

Minha barriga estava cheia. Cheíssima! Estava CHEIA ATÉ O TAMPO. E eu reclamava de tudo, da escola, do sol, da lua, do trabalho, do vento, da terra, da água, dos signos, de simplesmente tudo. Quando eu olho para trás penso: como eu cheguei ali? O que foi que me aconteceu pra eu ficar tão desesperadamente de mal com o mundo? E como eu consegui ser tão ingrata?

Não havia nenhum motivo externo que fosse causador disso, estava tudo dentro da minha cabeça. Meu trabalho e minha escola da época eram ruins de fato, mas não valia a pena viver com uma nuvem negra em cima da cabeça por isso. Chegava ao ponto de ser realmente ingratidão. Afinal quantas pessoas precisam de um emprego e não conseguem? Quantas pessoas gostariam de poder estudar e não podem? Eu tive essas duas oportunidades e ganhei com as duas. Por que reclamar? A resposta que eu consigo pensar é a soma de ingratidão com mal hábito. Pois sim, reclamar vira um hábito se você deixar seu cérebro no piloto automático.

Reclamar do tempo é uma das coisas mais absurdas. Você tem o poder de fazer sol ou chuva? Então pra que perder seus segundos de alegria se irritando por algo que nem ao menos está ao seu alcance? Seja um pouquinho racional e perceba o quão inútil é vociferar "Não suporto sair em dias chuvosos, odeio chuva!"ela é necessária você odiando ou não, ela vai continuar caindo independentemente da sua vontade.

Seja grato com as coisas e as pessoas que te cercam. A sua casa pode não ser a mais bonita, mas é a sua casa. O seu quarto pode não ser decorado igual a de uma blogueira famosa, mas você tem um. Um dia bonito pra você pode ser o dia nublado, mas o céu azul é lindo pra outras pessoas, você não pode ser o único agradado. É normal querer mudar (eu AMO mudanças), é normal querer crescer e modificar sua realidade, mas esses desejos não precisam menosprezar o que você já tem.

Outra coisa importantíssima a dizer é: se você não vai mudar, não reclame. Essa é com certeza uma das tarefas mais difíceis. Mas se você não vai varrer o chão, não reclame por ele estar sujo. Se você não junta dinheiro (quando tem a possibilidade de fazê-lo) não reclame por estar no vermelho no fim do mês. Há anos repetem o famoso "a gente colhe o que a gente planta" e se você plantar sacanagem amigo, vai colher solidão.

Às vezes não tem outro jeito. Você vai reclamar e tudo bem. Só não precisa reclamar todo dia, toda hora, todo tempo e por tudo. Eu digo isso como alguém que se curou da doença que é reclamar. Pense mais quando você for dizer algo e se livre daquilo que te incomoda com ações não com reclamações.

Como eu disse no Sabrinice #1 não sou a Dona da Verdade, nem pretendo ser. Também não quero com esse texto dizer o jeito certo ou errado de viver, é apenas uma reflexão. Estou aqui exercendo meu direito de internauta (e esse linguajar de tiazona?) em escrever algo que não infringe nenhuma lei e por isso tenho total liberdade em publicar.

Obrigada por me ler e não reclame!
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13 de nov de 2016

Eu vivi um filme


Nós tivemos aquele relacionamento lindo que as pessoas idealizam e chamam de "perfeito" às vezes. Nós nos conhecemos bem novinhos, namoramos durante seis anos, tínhamos planos de casar e nossos futuros filhos já tinham nomes. Quase todas as nossas primeiras experiências foram juntos, algo que sempre que contava ouvia as pessoas dizerem "ai que lindo, parece um filme". Mas conhece aquela velha frase "nem tudo que reluz é ouro"? Nosso relacionamento também não era. Nenhum relacionamento é perfeito.

Se você acha que seu relacionamento está ruim por uma briga, você não sabe o que é relacionamento. Se você acha que um relacionamento que quase não tem brigas é ruim, você também não sabe. Eu não tenho doutorado no assunto e não é preciso pra saber o básico. É só ser atento e observar os relacionamentos que dão certo a maior parte do tempo. E eu digo "maior parte do tempo" porque é possível terminar algo que deu certo anos e depois parou de dar. Acontece de algumas relações serem só de pontos negativos, mas precisamos aprender com elas para não vivermos outras assim.

Gostaria de desconstruir também a ideia de que só o primeiro é o melhor. As pessoas que casam só depois do quinto relacionamento não estão "atrás" daquelas que casaram com o primeiro. O mesmo eu digo sobre virgindade. Essa fantasia do casal jovem que perde a virgindade junto é muito mais lindo e romântico do que quando um deles não é mais. É tudo lindo se é da vontade dos dois, é tudo lindo se é com respeito. É isso que importa na verdade. Não existe esse "casal de filme" na vida real. Porque o casal de filme já sabe o que acontece com eles no final, tá no script. A vida real é uma surpresa diária.

Eu nunca imaginaria terminar aquele relacionamento. Aos meus vinte e dois anos, faltando pouco para completar sete anos de namoro e eu vi que aquilo não fazia mais sentido. Eu namorava alguém porque eu namorava esse alguém há seis anos. Porque ele era perfeito. Porque nós dois éramos perfeitos juntos. Não, não foi sempre assim. Teve paixão, teve amor e de ambas as partes. Mas com o tempo virou comodismo. Estávamos acostumados com o nosso relacionamento de filme e as pessoas acostumadas com nós dois sendo um. Era comum me encontrarem sem ele e me perguntarem onde ele estava. Antes eu não ligava, mas quando o fim foi se aproximando isso começou a me frustrar.

Existe um ideal de término também. Mas esse varia um pouco mais. Algumas pessoas tem o ideal como terminar com a pessoa e nunca mais na vida se falarem ou chegar perto um do outro, excluir de todas as redes sociais, apagar fotos e fingir que a pessoa nunca existiu. Outras querem ser amigos e levar tudo numa boa. Acredito que seja questão de personalidade e mais uma vez defendo que o respeito seja mantido. Nós dois seguimos o segundo caminho. Na verdade eu fiquei chocada em perceber que ele sentia as mesmas coisas que eu. Ele até disse "parece que somos só amigos" e isso era tão verdade que me senti mal por ser tão passiva.

Terminamos num dia lindo de sol no período de férias. Não nos falávamos todos os dias como antes. Foi difícil isso, assim como foi difícil acostumar a ficar sozinha nos finais de semana e o pior de tudo era ter que dizer a mesma coisa três vezes porque as pessoas simplesmente se recusavam a acreditar que tínhamos terminado. "Como assim?!" "Vocês eram LINDOS juntos!". Eu tentava consolar elas dizendo que estava bem. Mas tenho quase certeza de que elas achavam que eu estava mentindo. Deixei o tempo cuidar da dúvida delas.

Dois anos se passaram e eu continuo solteira. Não por promessa ou porque espero voltar. Na verdade o Luís até já tem outra namorada e eu acho que eles formam um casal bem mais lindo do que nós éramos. É que na verdade eu não estou a procura de ninguém. Sempre estive esperando por um relacionamento, até viver um ótimo, maravilhoso e que teve um fim bacana também. Acho que estou satisfeita. Acho que um dia eu posso voltar a namorar e quem sabe casar. Mas agora eu estou perfeitamente bem do jeito que estou e mais uma vez tem gente achando que essa frase é mentira. Fazer o quê?
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11 de nov de 2016

Ele era Virginiano


Ah ele era de virgem...

No início todas as minhas amigas achavam que ele era "meio gay" e tentavam me fazer desistir. Mas eu enxergava algo legal nele, precisava tentar. Nós não devemos julgar as pessoas antes de conhecer. Foi por isso que o conheci e não sei como não sai correndo o mais rápido possível. Acho que estava louca ou muito curiosa. Sinceramente não sei explicar.

Aquele cara era a pessoa mais metódica que eu já conheci em toda a minha vida. Eu não podia bagunçar a cama, mas como não bagunçar a cama enquanto dorme? Ele também tinha rituais certos para dormir do tipo: primeiro escovo os dentes, segundo tomo banho, terceiro coloco pijama. Peraê! Nenhum outro cara que eu fiquei usava pijama! Eles dormiam de qualquer jeito mesmo. De cueca, sem, com qualquer camisa ou short e variações desse tipo. E ele tinha pijamas, mais de um sim senhor!

O mais difícil nesse tempo que estivemos juntos era não me atrasar. Porque ele era absurdamente pontual e eu não sei se quando uma pessoa diz três horas ela que dizer realmente três ou três e meia, acaba que eu chego as quatro e fica tudo bem. Mas quando ele dizia seis significava cinco e cinquenta. E se atrasasse é claro que iria escutar uma reclamação de um velho bem ranzinza. Ele odiava que eu o chamasse de ranzinza. Dizia "um pouco de pontualidade não faz mal" e também "olha o seu quarto, não dá pra achar a cama".

No início eu pensava "ai que fofo ele é tão certinho" e ficava admirada. Mas com o tempo isso foi me dando nos nervos e fiquei ainda mais bagunceira só pra provocar. Claro que ele odiou e até brigamos, mas não terminamos ali. Ele gostava dessa coisa de rotina, de ter alguém no dia-a-dia, ainda mais por não ser do tipo que dá chances para qualquer pessoa. "Você era diferente, engraçada." Segundo ele foi por isso que aceitou meu convite pra ficar no barzinho que todo mundo bebia, pelo menos, uma na sexta, mas que ele sempre preferia ir pra casa. E apesar dessa briguinha ficou tudo bem. A reconciliação foi ótima!

Mesmo sendo chato como um velho ele tinha senso de humor, sempre ria das minhas piadas sem limites. E eu adorava fazê-lo rir. Foi assim que percebi o quanto ele apreciava pessoas engraçadas (ou metidas a engraçadas como eu) porque ele não era de sorrir pra qualquer um. Acontecia ali no nosso momento. Eu e ele sozinhos e aquele monte de conversa em que discordávamos de quase tudo. Em um monte de recordações que eram tão opostas que doía. Isolamento, poucos amigos, ficar sozinho, procurar por alguém certo... Eu estava sempre com a galera, conhecia todo mundo, não namorava, mas também não ficava sozinha. "Alguém certo" pra mim sempre foi mito.

Ele pensava em casar e ter filhos. Era mais do que "curtir o momento" ou "vamos ver no que dá". Muito romântico pra uma pessoa como eu. E às vezes ciumento. Arrisco dizer que ele era desse tipo de cara pra envelhecer junto. Porque ele seria fiel, cuidaria da pessoa amada todos os dias sem achar isso uma obrigação ou martírio. Nós estávamos em momentos diferentes, preciso admitir. Talvez combinássemos em outra fase ou só em outra vida.

Com o tempo as nossas diferenças foram criando uma barreira. Eu queria sair nos finais de semana, queria viajar nos feriados, não queria estar em almoços de família ou assistindo "um filminho". A ideia de namoro estava me assustando assim como a de precisar dobrar a roupa antes de dormir. Acabei sendo uma enorme decepção para aquele rapaz. Fui aquela chuva de verão que veio só pra molhar e bagunçar tudo que esteve tão estável por tanto tempo e no outro dia eu não estava lá. Deixei apenas vestígios.
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6 de nov de 2016

Não olha para o lado


-Olha aquele cara! -Apontei com o olhar.

-Nossa! Muito maravilhoso mesmo. -Nós rimos.

-Ihhhhhh Tabata, que isso? Você não namora?

-E daí que eu namoro? Estou correndo nua atrás do cara? Eu fiz um elogio e só você e a Luna ouviram.

Dito isso o clima pesou. Um comentário idiota, de uma garota que nem era nossa amiga estragou o pequeno momento de observação da beleza humana.

Isso é algo que eu nunca entendi. Por que uma garota que namora não pode elogiar um cara bonito? E eu estou usando feminino porque sou mulher. Também sou contra no caso de homens. Gente bonita é pra ser elogiada. Ninguém tem que andar na rua gritando "Ei linda!" ou "Oi maravilhoso!". Mas se você vê uma pessoa bonita e pensa "nossa como essa pessoa é bonita" tudo bem externar esse pensamento para o amiguinho ao seu lado. Você não estará sendo idiota, nem inconveniente muito menos desrespeitoso. É só ter cuidado com as palavras que usar.

Mas nesse caso o problema nem foi o uso das palavras e sim o fato da minha amiga namorar. Então quer dizer que pra elogiar alguém a pessoa precisa, necessariamente, querer transar com esse alguém? Ninguém mais vai poder elogiar crianças, nem carros, correto? Se uma mulher disse que outra é bonita ela é lésbica também? Em pleno século XXI e esse tipo de pensamento persiste?

Veja bem, não quero entrar na questão do machismo aqui. Ele existe eu sei e ele é uma droga. O ponto é: namorar não te deixa cego, namorar não tira todos os seus desejos, namorar não liga um editor de imagens na sua cabeça que coloca uma tarja preta na cara de todas as pessoas que passam na sua frente. Namorar é você ter total liberdade de escolher ficar com seu namorado (a). Não é uma prisão.

Essa minha amiga poderia ter dado uma resposta muito mais agressiva. Achei a atitude dela muito educada. Eu teria dito algo muito pior, porque quando namorava ouvia tanto isso que tinha vontade de morrer.

Ei você que pensa que se a sua namorada elogiar alguém é porque ela quer te trair, tira isso da sua cabeça. Se o seu namorado acha alguma garota bonita é só porque ele tem olhos. Trair e achar pessoas bonitas, não são coisas que estão obrigatoriamente ligadas. Conheço muita gente que começou a ficar com alguém (pasme!) porque achava a pessoa super gente boa. Viu? Nem sempre é a beleza que guia as atitudes das pessoas para com as outras. Também não é só porque você achou alguém bonito que esse alguém vai querer ficar com você.

Por fim, se você achar alguém bonito e quiser elogiar faça de maneira gentil, educada e respeitosa. Se você quiser elogiar só com o amiguinho do lado faça de maneira gentil, educada e respeitosa. Se você quiser apenas pensar sobre o quanto essa pessoa é bonita faça de maneira gentil, educada e respeitosa. Gente bonita é pra "se ver" e não pra "se constranger".
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25 de out de 2016

Um mal desnecessário Sabrinice #2


Olá! Eu sou Sabrina, esse aqui é o meu blog que se chama Sabrinando e essa é uma série (não sei como chamar na verdade) de textos opinativos chamado sabrinices que não possuem verdades absolutas e que tem apenas a intenção de fazer refletir

Estresse: um mal desnecessário

Quem nunca se estressou na vida ou morreu muito novo ou teve alguma outra coisa muito séria que interferiu pra que essa proeza acontecesse. Todo mundo tem, teve e terá problemas de estresse, mas se tem uma coisa que eu aprendi é que a gente tem um poder de ESCOLHA muito importante em quase todos os momentos da nossa vida. Não está entendendo nada? Serei mais didática com uma experiência própria.

Quando eu estava na escola me irritava muito fácil com qualquer bobeira dentro da sala de aula, por isso eu lembro da época sempre como um período ruim. Darei exemplos de estresses por bobeira:
1- Quando alguém fazia alguma pergunta que eu considerava absurdamente ridícula.
2- Quando alguém perguntava algo que o professor tinha acabado de dizer.
3- Quando alguém achava que o professor tinha OBRIGAÇÃO de adiantar um tempo.
4- Quando alguém fazia qualquer coisa que eu julgava muito infantil pra idade.

O ponto é: quem sou eu para definir maturidade ou nível de facilidade de algo? A Especialista em Tudo né? Acho que não. Então conseguia ser duas vezes uma banana me estressando por uma coisa boba e ainda achando que o mundo girava em torno do meu umbigo (mas isso é tema pra outro Sabrinice). E as consequências disso foram péssimas! Eu comecei a ficar com uma dificuldade imensa em fazer novas amizades porque eu achava que TODO mundo seria um saco igual aquela meia-dúzia de gato pingado era com aquela série de atitudes sem noção.

Um belo dia uma pessoa (muito sábia por sinal) me disse a seguinte frase: todo mundo é muito chato e todo mundo é muito legal. Isso mudou a minha vida! Esse passou a ser meu novo olhar diante das pessoas com as quais eu convivo. Tem gente que fala/faz coisas bem sem noção diariamente, mas que mesmo assim consegue ser super legal com outras pessoas. A ciência ainda não inventou um "legalzômetro" onde a gente mede o quanto uma pessoa é legal. Humanos são a coisa mais subjetiva do universo! Não tem como dizer que humor + dentes brancos = pessoa legal. É tudo relativo a sua vivência, a sua educação, a sua cultura etc, etc, etc. Daí eu pergunto: pra que se estressar com aquela menina que ri muito alto na sala? Ou com aquele pessoal que fica parado bem na porta do ônibus e NÃO vai descer no próximo ponto?

Não estou dizendo que a humanidade precisa virar monge e ir para as montanhas, até porque isso lotaria as montanhas. Não sei se é possível não se estressar com nada, mas lembra da escolha? Pois é. Será que aquela pessoa que deixa a sujeira em cima da mesa na praça de alimentação merece a sua perda de saúde? Todo mundo já está sabendo que estresse faz MUITO mal pra saúde, libera hormônios péssimos, causa envelhecimento e várias outras coisas ruins.

Algumas vezes vai ser impossível ver algo bom numa pessoa insuportável. Mas ai conta até dez, tenta esquecer ela, porque é quase certo que não vale a pena. E quando se estressar que seja por algo mais importante e valioso. Mas mesmo assim não mergulhe no estresse! Tente relaxar pra ter uma vida mais feliz, saudável e Good Vibes.

Como eu disse no Sabrinice #1 não sou a Dona da Verdade, nem pretendo ser. Também não quero com esse texto dizer o jeito certo ou errado de viver, é apenas uma reflexão. Estou aqui exercendo meu direito de internauta (e esse linguajar de tiazona?) em escrever algo que não infringe nenhuma lei e por isso tenho total liberdade em publicar.

Obrigada por me ler e não se estresse!
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20 de out de 2016

Sabrinice #1


Oi pra você! Tudo bem? Quanto tempo!!!

Primeiramente: sentiu saudades? Ah, eu também senti!

Desculpe o longo tempo sem atualizações. Depois de alguns vários (tantos que perdi a conta) meses de greve eu comecei a ter aula e não está fácil manter os posts do blog na mesma frequência. A organização e o esforço para encontrar tempo precisam ser maiores.

Resolvi por isso criar um novo tipo de post (que eu já queria criar desde o início desse blog) que é um pouco mais fácil de fazer. É daqueles que exige menos inspiração e mais dedicação mesmo. Vamos lá? "Claro Sabrina!" (essa é a resposta que eu estou ouvindo sair da sua boca agora).

Para ilustrar um pouco voltarei oito anos no tempo e contarei uma breve história.

Era uma vez uma menina comum como outra qualquer, mas que não gostava de nada nem ninguém. Até o dia em que ela descobriu que gostava de escrever e começou a postar no perfil do Orkut as loucuras que ela escrevia.

Sim eu era essa menina (no passado porque eu mudei muito desde então) e eu realmente escrevia um besteirol no meu perfil do Orkut. Não era do tipo "original cria babaca copia" eu fazia daquilo coluna, uma coluna no Orkut. Era divertido, meus amigos riam e tudo mais.

Fui crescendo e, como disse, mudando muito. Não só o cabelo, mas internamente eu também mudei muito e é por isso que apoio muito as mudanças. Sei o quanto elas são importantes. Até que chegou o dia de escolher qual curso fazer. Não sei se alguém se identifica, mas aqui na minha casa sempre ouvi que "você tem que estudar pra ser alguém na vida". É só uma figura de linguagem, ok? Não pense "MEU DEUS se ela não é alguém, então quem está digitando? Um fantasma escreveu esse post?". Acalme-se! Eu sou alguém, mas o que essa frase significa é basicamente "melhore de vida com os estudos".

Desde que descobri minha paixão pela escrita eu pensei em ser jornalista. Mas o tempo foi passando, as pessoas foram me desencorajando e quando vi já tinha desistido. Ouvir o que os outros falam às vezes pode ser bom, mas às vezes pode te destruir. Então tenha cautela! Depois de algum tempo eu resolvi voltar para o meu plano original e lutei por ele. E quando eu digo lutar eu estou falando sério. O ano de vestibular é uma eterna luta. Vestibulando vs Tempo, Vestibulando vs Aula, Vestibulando vs Sono na Aula, Vestibulando vs Fome na Aula, Vestibulando vs Professor, Vestibulando vs Tempo, Vestibulando vs Tempo para os amigos, Vestibulando vs Tempo para Descansar, Vestibulando vs Nervosismo, Vestibulando vs Dor de Barriga na Hora da Prova, Vestibulando vs Vestibular, Vestibulando vs Resultado do Vestibular. Você só ganha o cinturão se passar bem por todas essas lutas, mas não precisa ser invicto.

Nesse meio tempo entre passar no vestibular e esperar o fim da greve (que eu comentei lá em cima) criei esse blog. E eu nunca durei com nenhum dos outros blogs que criei na vida. TODOS duravam um mês e acabava. Esse eu demorei meses tentando mexer no layout (eu sei que não está profissional porque eu NÃO SOU profissional) e dia 08 de março de 2016 eu o publiquei. Temos ai um recordista número de meses. Voltei novamente para o plano original de usar o Blogger, porque nesses anos usei muitas outras plataformas. O caminho para viver dessa coisa tão legal que é escrever está apenas começando, mas eu já dei o primeiro passo. Sim eu sei que o jornalista faz outras coisas além de escrever, mas queria deixar essa história de um sonho que começou no Orkut bonitinha e com um gancho maneiro de voltar as raízes e não desistir, você sabe.

Por fim eu queria deixar uma mensagem fofa e de incentivo: lute pelos seus sonhos. Não importa se é difícil. Eles são seus e só você pode realiza-los. Um eu consegui que era entrar pra faculdade (pode parecer sonho pequenos pra alguns, mas pra mim não é) e agora eu estou no caminho de realizar outro de tantos que eu tenho.

Espero que gostem desse texto mais informal. Na verdade esse post é só uma introdução, pra tudo fazer sentido. O que eu vou escrever aqui não se encaixa em textão do Facebook nem na minha antiga coluna do Orkut. Vou chamar de Sabrinices, pois serão todos os assuntos na minha visão de mortal e que não possui nenhuma verdade absoluta.

Então até semana que vem! E obrigada por me ler!
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2 de out de 2016

A primeira vez sem planos


Meu cérebro parou por um tempo que pareceu longo. Até eu decidir o que deveria fazer. Sempre pensando no que eu os outros esperavam que eu fizesse e esquecendo o que eu queria fazer.

-Edu? -Eu não sabia o que dizer quando ele disse "eu".

-Eu. -Ele desviou atenção do meu pescoço e me olhou.

-É... -Respirei fundo. O quê eu precisava fazer agora? Como eu diria "não" se eu nem queria dizer não? Minhas expressão me entregou.

-Que foi Betina? -Ele se afastou mais e isso me deixou absurdamente constrangida.

-Eu não sei. -Encarei o a outra poltrona da sala.

A noite acabou sem uma explicação. Eu não fazia ideia do que estava sentindo agora. Talvez raiva de mim. Havia acabado de dispensar um cara super legal, confiável e que eu conheço há tempos. Tudo por uma medo estúpido do que os outros iam pensar.

-QUE INFERNO! -Gritei só para as paredes ouvirem.


Tentei dormir e óbvio que não consegui. Eu só pensava nas últimas horas desse dia. Até que meu celular vibrou em cima da mesinha de cabeceira.

Tá acordada?

Sim :) -respondi colocando uma carinha feliz pra parecer mais simpática.

Problemas pra dormir??? -Ele queria mesmo saber, senão pra que tantas interrogações?

Sim!!! -Respondi pra ele entender que estava completamente certo.

Eu também.
Já tentei, mas não consigo parar de pensar em você.

Meu Deus! Agora que eu não ia dormir mesmo! Não sabia o que dizer...

Meu cérebro já caiu de tanto que pensei o que foi que eu fiz de errado pra você agir daquele jeito.

Ai não. Mas ele não fez nada.

Se você não disser o que foi, não tenho como saber.

Você não fez nada Edu. Sério. É coisa minha. -Não podia deixar ele pensando que a culpa era dele.

Mas eu posso ajudar no que for. Eu achei que você estava gostando.

É claro que eu estava gostando. Ninguém nunca me fez sentir aquelas coisas. Já fiquei com vários caras mais velhos e nenhum deles me fez sentir algo. Eram beijos onde eu poderia simplesmente lembrar da fórmula de Bhaskara sem nenhum problema. Só beijos. Apenas beijos. Mas o que tinha acontecido ali bem no sofá da minha casa foi muito além de beijos. Mas o medo de perder a virgindade com alguém que eu não namorava me impediu de continuar. Porque eu sempre ouvi dizer que esse era o jeito mais seguro, o jeito que "dava certo". Eu não queria começar errando.

Mas eu tava.  -Foi a única coisa que consegui dizer.

Então qual o problema? Você ficou com medo dos seus pais voltarem? Ou a Raquel?

Não. Eu sabia que meus pais só voltariam amanhã na hora do almoço e minha irmã tinha saído com o namorado dela.

Não foi nada disso. Foi só coisa minha.

Assim fica difícil Betina. Você só me deixou ainda mais confuso.

Não respondi. Não sabia o que responder. Será que ele não sabia que eu era virgem? Será que ele não sabia que esse não era o "jeito certo" de perder a virgindade?

:(

Ele mandou uma carinha triste enquanto eu me matava pra tentar configurar uma resposta.

Você sabe que eu sou um pouco mais nova que você, né?

Acho que esse era um bom começo. Ele e Raquel estudaram juntos e por isso eu o conhecia.

Sei. Mas isso tem a ver com o assunto?

Pensei mais. Não sabia porque eu estava com tanto medo de falar de cara. Acho que eu não queria que ele me visse como uma criança inexperiente e blablablá.

AAAAH! -Ele continuou digitando. -Você é virgem! Nossa, me desculpa.

Desculpa? Por acaso isso era um fardo?

Eu não pensei nisso. Como eu sou burro... Desculpa mesmo. Então eu realmente fiz algo que você não gostou. Você poderia ter me falado Betina! Eu nunca ia tentar nada se soubesse disso.

POR ISSO QUE EU NÃO FALEI! Pronto, foi tudo por água abaixo.

Eu imaginei. -Foi só o que consegui digitar.

Como assim? -Agora ele estava se fazendo de idiota?

Imaginei que se você soubesse que eu era virgem não ia querer ficar comigo. -Que se dane, não tinha como a situação piorar mesmo.

NÃO! -E continuou a digitar:
Eu não quis dizer isso!
Eu quis dizer que teria ido mais devagar com você. Isso não é um problema pra mim. É normal, todo mundo tem a primeira vez. Não teria nenhum problema em ser a sua.

Um tarado em virgens? Será que eu parecia tão ingênua assim?
Desliguei o telefone. Não ia ler mais mensagens dele.



Quando acordei no dia seguinte era tarde. Meus pais já estavam em casa.

-Oi filha, sentiu saudade?

-Sim mãe! Olha que não foram nem 24 horas. -Disse e ela riu.

Estava tomando café quando ouvi minha mãe falar com alguém.

-Oi Eduardo! Tudo bom? -Pausa pra resposta dele que não era tão audível quanto a da minha mãe. -A Betina tá tomando café. Agora! Acredita? Duas horas da tarde! Vem, senta aqui no sofá que eu vou chamar ela. Sua mãe tá bem meu filho?

Engoli o pão o mais rápido possível. O que ele tava fazendo lá em casa? Ainda bem que eu resolvi quebrar o costume do café na cozinha e tomei no quarto. Pelo menos dava tempo de tirar o pijama e colocar uma roupa decente.

-Betina? -Ela bateu na porta. -Aquele seu amiguinho Eduardo tá aqui na sala. Desce logo pra falar com ele porque eu vou mexer nas minhas plantinhas do lado de fora e não posso dar muito atenção pra ele. -Não entendia qual a necessidade de colocar tantas palavras no diminutivo.

-Já vou! -Gritei e meus olhos pararam no celular desligado.

Liguei e devorei todas as mensagens que ele mandou enquanto eu dormia.

Ei? 

Depois de uns 15 minutos outras:

Você não vai mais me responder?
Ficou brava? 
Caramba! Eu não estou sabendo me expressar mesmo.
Calma.

Olha só, eu gosto de você não quero te deixar irritada. Você é uma menina tão legal. Eu não queria parecer um tarado ou algo assim. Quero que você saiba que nem sua idade nem a sua falta de experiência são um problema pra mim. Mas parece que é um problema pra você. Sei que garotas pensam diferente dos caras, então provavelmente você deve ter um plano pra sua primeira vez. Só quero que você saiba que eu respeito isso. Gostaria de ter ficado sabendo antes da gente ter ficado ontem, eu juro que seria menos afobado. 
Será que alguém da minha idade fala "afobado" ou só eu? :)

Em segundos toda a raiva que eu senti foi embora. Agora eu não sabia com que cara olhar pra aquele ser humano sentado na minha sala.

-Oi.

-Ei! -Ele disse e levantou.

-Acho que aqui é um lugar péssimo pra conversar agora que  meus pais chegaram.

-Então vamos fazer um passeio e conversamos. -Um passeio? Não tinha como negar.

-Mãe eu já volto!

-Tá bom. -Ela gritou mais alto que o necessário. -Vê se volta pra jantar na hora certa!

Concordei com a cabeça.

Caminhamos um tempo em silêncio. Estávamos quase na rua dele já.

-Por acaso você leu minhas mensagens?

-Por acaso. -Fiz que sim com a cabeça. E ele apontou um banco.

-Você ficou com raiva?

-Antes de dormir? Sim. Depois que li as mensagens não.

-Ah! -Ele sorriu e concordou. Não disse mais nada.

-Pensei que você fosse um tarado em virgens.

-Eu não sou! -Ele arregalou os olhos. -Sério, eu não fazia ideia. Você fala de um jeito que eu até esqueço que você é 4 anos mais nova. Não parece!

Todo mundo falava isso. Todo mundo achava que minha irmã e eu éramos gêmeas pela nossa cara idêntica e porque eu só andava com gente da idade dela.

-Tudo bem. Já entendi que não é. Acho que devo desculpas por ter sido infantil. -Falei olhando pra frente, porque não conseguia olhar pra ele.

-Claro que não garota. Deixa de bobeira! Foi um mal entendido. Podemos tratar assim?

-Sim! -Que alívio. Ele não parecia nenhum pouco abalado com o que aconteceu, só quando o chamei de tarado. Pelo visto eu estava criando caso atoa.

-Então tá ótimo. Acho que te devo um encontro mais legal pra compensar ontem, né? Você topa?

-Sim. Acho justo. -Concordei sem conter meu sorriso gigante.

-Você é contra sobremesa antes do prato principal? Ouvi sua mãe dizer pra você voltar antes do jantar.

-Não! Eu sou do time "doce primeiro"!

-Então vamos, vou te pagar um sorvete e a gente combina onde vamos e quando.

Conversamos um milhão de coisas até o caminho da sorveteria. Estávamos em frente a casa dele falando mais aleatoriedades sem compromisso. Foi quando eu tive um surto de coragem.

-Ah! -Eu olhei pra ele. -Eu não tenho um plano.

-Han? -Ele ergueu uma sobrancelha. Odiava quem fazia isso, porque eu não sabia fazer.

-Um plano pra minha primeira vez. -Forcei um sorriso.

-Ah sim! -Ele riu. -Minha primeira namorada tinha. Achei que todas as mulheres tinham.

-E você fez do jeito dela?

-Não. Porque ela já tinha feito com alguém antes de mim. -Ele riu. -A minha primeira vez teria sido melhor se eu tivesse um plano.

Eu ri da cara engraçada que ele fez com a memória.

-Eu não concordo com essa ideia de que precisa ser com um namorado ou que é necessário ouvir um "eu te amo" antes. Só queria que fosse com alguém legal. -Não conseguia olhar pra ele ainda. Porque eu não queria ler nada na expressão dele.

-Uau! -Ele falou balançando a cabeça. -Você sempre me surpreende. Tá vendo? Parece que eu sou o mais novo nessa conversa.

Olhei pra ele e senti o calor no meu rosto.

-Mas então. -ele continuou. -Eu sou legal? -Ele tinha parado e endireitado o corpo como que pra eu avaliar.

Concordei com a cabeça.

-Então eu vou fazer um plano e você me diz se concorda. É você quem decide aqui.

Assenti de novo.

-Ainda tá muito cedo pra ter alguém na minha casa. A gente pode entrar, ver um filme e ver se depois de ontem você ainda me acha legal mesmo. Depois eu deixo você na sua casa e nem vai ter passado do horário da janta. Que tal?

-Concordo. Só não me importo com o horário da janta.

Ele sorriu e me beijou. Ainda bem que não era uma rua movimentada. Ainda bem que estava entardecendo e ninguém ia perceber duas pessoas tão próximas no meio da rua.

Não sei que filme era aquele. Só sei que não poderia ter sido melhor. Nenhuma plano seria melhor que aquele. Definitivamente não há regras. Mesmo não sendo meu namorado, mesmo não me amando, Eduardo foi tão carinhoso comigo que eu esqueci o nervosismo a vergonha e tudo.

O momento certo existe, mas ele não tem nada a ver com a idade, se o relacionamento é sério ou não. Aquele foi meu momento certo porque eu não tinha dúvida do que queria. O problema era achar que o momento certo dos outros eram uma regra que eu deveria seguir. Não era. Por isso eu não me arrependi.
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