23 de out de 2017

Conto de um dia Ruim


O lado bom de escrever o que você sente é poder se sentir exatamente da mesma maneira quando lê aquilo. Passam meses, anos, não importa, eu consigo reviver aquilo de novo. Mas há algum tempo eu resolvi que só escreveria sobre as coisas que eu realmente gostaria de lembrar e quando eu me pego lendo algum texto anterior a essa decisão, percebo o quanto foi bom tomá-la.

Hoje mesmo li um texto mais antigo, de alguma fase difícil e que apesar de triste me deixou feliz. Feliz por perceber que eu não guardo mais sentimentos assim, feliz por perceber que eu mudei tanto a escrita, quanto a minha reação às fases difíceis. É claro que para algumas pessoas é bem óbvio porque envelhecemos e por isso amadurecemos, eu também pensava assim. E é um engano achar que todo mundo amadurece conforme envelhece, não funciona desse jeito.

Irônico ou não acordei em um dia um pouco ruim e ler um texto ruim me fez ficar bem. Eu consegui olhar direto na cara do passado e dizer: ei, você não me assusta mais. As pessoas do passado não me assustam mais, meus erros do passado não me assutam mais, o que eu perdi, quem eu perdi, os textos falando de sentimentos ruins, nada me deixa com medo do passado mais.

Sempre foi difícil pra mim aceitar que "o que passou passou". Porque o que passou sempre ficou muito vivo pra mim. Eu sempre revivi momentos ruins, fases ruins e para girar essa chave para o outro lado foi preciso muita força de vontade. A vida não passou a só ter coisas boas, eu continuo tendo dias difíceis -como hoje, mas eles passam, não importa o quê, sempre passa. E depois que passa fica tudo bem, novamente não importando o quê, sempre fica tudo bem no final.

Com a chave virada para o lado bom da vida você ainda vai vivenciar o lado ruim, mas com a tranquilidade e a sabedoria do lado bom.

Por: Sabrina M. Lima

18 de out de 2017

Apaixonada e boba



Quando eu durmo sozinha eu acordo esperando te ver, assim mesmo tipo mágica. Eu fico esperando que alguma mágica da fada do amor vai perceber que eu estou sentindo a sua falta e vai te trazer para o meu lado. E ai a gente vai ficar juntinho. Essa mesma fada congelaria o tempo e a gente ficaria o dia na cama sem perder nada lá fora.

Ainda não consigo contar todas as vezes que eu sinto falta de você ou que eu lembro de você pelos motivos mais bobos. Consigo ler suas mensagens com a sua voz e eu até adivinho o que você vai dizer, antes mesmo de você dizer. Porque a gente tem essa conexão boa, essa coisa de ligar quando um tava pensando em ligar, convidar de ir pra algum lugar que o outro também queria. Deve ser a tal da "química" ou coisa de outras vidas, sei lá, não me importa saber.

Eu sei que tem uma galera que discorda de mim, mas namorar é tão bom! Ok, ser solteiro pode ser bom também. Mas é que eu tenho certeza que nasci pra ser mozão. Nasci pra fazer cafuné, nasci pra atacar com beijos pela manhã, nasci pra agarrar alguém durante a noite, nasci pra ganhar a briga do "eu amo mais", eu nasci pra transbordar amor até transbordar o outro também. E esse outro poderia ser alguém melhor que você? Eu acho que não ein.

Encontrar um amor desses no meio dessa Era em que ninguém quer se apegar e todo mundo tem tanto medo, foi sorte. Uma sorte que eu quis muito e que eu gastei energia pra tê-la. Todo mundo merece se apaixonar porque, ao contrário do que dizem, paixão é ganho não perda.

Quando a gente ama, o corpo todo ama. A mente ama lembrar, os dedos amam se entrelaçar, os braços amam agarrar e deixar um coração coladinho no outro e ele -o menino coração- ama bombear essas sensações gostosas por todo nosso corpo. A sensação de ver alguém, que você já viu trilhões de vezes, como se fosse a primeira e todas essas bobeiras de amar. Porque todo apaixonado é bobo, se não for não está apaixonado.

Tudo isso é só pra dizer que eu te amo, estou sentindo a sua falta e eu já sei o que você vai falar.

Por: Sabrina M. Lima

14 de out de 2017

Ele era Canceriano


Sabe aquele cara perfeito pra ser o paizão? O que ama crianças, o que ama a família, almoço de domingo, ficar em casa final de semana, escrever textão no dia dos namorados, não esquece uma data especial e está o tempo todo dizendo que te ama e o quanto você é importante pra ele? Se você não sabe, meus pêsames. Eu sei e posso dizer que é incrível receber tanta atenção assim de alguém que você ama. Acho que é tudo que todo mundo sonha.

Esse cara me amava. E muito! Era recíproco sim, não ficaria com ele se não fosse. Nós nos conhecemos numa reunião de família onde minha prima juntou nossos parentes com os parentes dela e ai ficou aquela parentada toda junta. Foi uma das raras vezes em que eu compareci a um evento desse tipo. Não estava esperando nada além de perguntas como "é pavê ou pacumê?" e ai meus olhos encontraram aquele ser lindo no meio de umas mil crianças brincando. Eram todas meninas, provavelmente já estavam todas apaixonadas.

A minha ideia era chegar dizendo "oi lindo, vamo fecha?", mas era um almoço de família. Então fui salvar o esquema para depois. E acabou que o esquema foi ficando sério, mais sério, mais sério e quando a gente viu estávamos namorando e fazendo todas aquelas coisas de casais.

Ele era incrível. O cara que a minha família mais amou de longe. Sempre simpático, prestativo "deixa eu que carrego sogrinha". Dizia que me amava na frente de qualquer um, o que eu tive que aplaudir. Por mais que seja uma coisa boba, eu dei azar de namorar uns caras que pareciam ter medo dos sentimentos. Mas ele não, ele sentia com todo o coração. Ele sentia muito. Muito mesmo. Muito ao ponto de ser insuportavelmente sentimental. Acho que deu pra entender.

Tudo foi lindo até os dramas começarem. "Você vai sair com elas e eu vou ficar sozinho na sexta?". Eu quis responder "sim, nós não nascemos colados", mas tive que fazer toda a psicologia pra ele entender que existia uma vida a parte do nosso relacionamento. Isso pra ele era muito complicado, então eu tive que contar até dez quando ele dava ataque de ciume, contar até cem quando ele era dramático e ficava semanas de mau humor por causa de bobeira. Às vezes eu nem lembrava qual tinha sido o meu "erro", mas ele lembrava e tava ali com o rancor bem visível.

Juro que tentei. Tentei compensar os defeitos com as qualidades, que até eram muitas. Pra falar a verdade ele tinha bem mais qualidade que defeitos, mas os poucos que ele tinha estavam de uma forma ou de outra destinada a me prender. "Passarinho não se prende", estou cansada de dizer.

Depois dele fazer um drama fortíssimo com meus pais e deixar todo mundo com pena do que eu tinha feito com ele, não sobrou mais nada. Não existia a menor possibilidade de tentar resgatar algo com um cara que era um sonho e ao mesmo tempo meu pesadelo. Não aconteceu o famoso "flash back" porque eu fiquei pela primeira vez sem reação. Eu não conseguia sentir raiva porque eu sei que todo mundo tem defeito, mas também não morria de amores por alguém que torrou tanto a minha paciência. Foi um caso de frustração a mais na mala e a certeza de que não quero ser mãe.

Por: Sabrina M. Lima

9 de out de 2017

Por que você não fica comigo?



Para de mentir pra ele, para de atender o telefone me chamando de amiga, não desconversa quando ele perguntar "com quem você tá falando?", acho que esse cara não merece isso. Assume pra ele, assume pra mim, assume pra você que é comigo que você quer ficar. Eu já disse que é só vir, e você veio. Agora é só ficar. Por que você não fica comigo?

Eu sei que é de mim que você gosta, que é comigo que você prefere ficar. Lembra o dia que você bebeu de mais? Nesse dia você disse que comigo é bem melhor. Não entendo porque você continua tentando se enganar, achando que esse seu namoro de fachada vai durar. Se duvidar até ele já colocou outra no seu lugar, você mesma já desconfia. Então me diz: por que você não fica comigo?

Se o meu beijo é melhor, se a minha cama é melhor, se o meu abraço é melhor e até o meu cabelo é mais bonito que o dele, como você mesma disse. Se tudo isso é verdade você já deveria ter falado pra ele que está gostando de outro cara, que na verdade ele nunca foi "o cara" pra você e que você sempre esperou eu aparecer. Larga de bobeira! Ao invés de perder esse tempo todo mentindo, por que você não vem ficar comigo?

Não quero só ser o cara da hora do almoço e que você salva o contato como "Rafaela" invés de "Rafael". Se coloca no meu lugar, ou no lugar dele que está levando chifre. Pra que continuar? Se você não gosta dele é melhor terminar. Quantos motivos eu vou ter que te dar pra você entender? Quantas vezes eu vou ter que me oferecer pra ficar com você? Quantas vezes eu vou ter que perguntar "por que você não fica comigo?"?

Você está deixando o caminho livre pra que eu faça o mesmo. Para que eu conheça alguém, quem sabe me apaixone e resolva ficar com ela. Porque eu gosto de decisão, ou dá ou desce. E você tá me enrolando muito. É muito pedido de espera pra pouca ação. Toda vez que você diz "hoje eu termino" eu vou dormir com esperança, e um sorriso idiota. Eu não me arrependo de ter me apaixonado pela pessoa errada. Só por favor, diz que vai ficar comigo!

Eu to a ponto de explodir. Não sei mais quanto tempo eu aguento a  sua enrolação, não sei se sinto mais pena de mim quando você vai embora. Ou se sinto mais pena dele quando você chega, me beija e ainda diz que me ama. Quando você vai tomar vergonha e falar a verdade? Por que você não fica só comigo? Você diz "é isso que eu mais quero", mas pelo visto falta coragem pra dizer pra ele. Eu não vou aguentar, você sabe.

A decisão ficou com você, esperei lá embaixo a tal conversa. Prometi pra mim mesmo que se você descesse e dissesse "não conseguir terminar" eu iria embora e pra nunca mais te ver. Mesmo que doesse, uma hora a gente cansa. Estava cansado de ouvir "você sabe" quando eu perguntava porque você não fica comigo. Ou você fica ou vai embora de vez.

Quando você desceu e entrou no carro eu fiquei um pouco surpreso. Parte de mim acreditava que você desistiria da gente. Descobri que estava certo quando você disse "desculpa, eu não posso ficar com você" e o jeito foi ir embora pra  nunca mais te ver.

Por: Sabrina M. Lima


21 de set de 2017

Pare de entulhar! #Sabrinice14


Olá menines, no texto de hoje eu vim ensinar como acabar com o capitalismo.

Brincadeiras a parte, eu queria falar de algo sério: tralhas. Já reparou como a gente guarda coisa? Como a gente arruma entulho pra dentro de casa? Pois é meu bem, destralhe.

Há alguns meses eu tenho me fiscalizado muito para não arrumar tralhas. Esse é um exercício diário que pode ser mais ou menos complicado. Por isso resolvi escrever esse post conscientizador.

Se você é do tipo que compra muito, pare. Sério. (Agora é a hora que você entende a piada sobre o capitalismo viu). Pensar antes de comprar algo só tem lado bom. Você já tem essa "coisa"? Ou você tem algo que é quase igual? Você realmente R-E-A-L-M-E-N-T-E precisa disso? Tá podendo gastar dinheiro? Depois de responder a tudo isso você pode virar as costas e ir embora. Porque sim, em boa parte das vezes você vai deixar de comprar se fizer essa análise. E ai você economiza dinheiro pra fazer algo mais interessante: viver experiências com pessoas.

Se você não é do tipo que compra muito, mas tudo que compra guarda por anos e anos, pare. Os objetos também têm funções nas nossas vidas e quando perdem essa função, devemos doar ou jogar fora (ai vai depender do estado). Guardar algo só porque foi um presente, guardar porque foi caro, guardar porque você gosta muito (mas não te serve, você não usa, está só ocupando espaço). Não faça isso com você. Traga o novo, livre-se do velho, renove. O presente foi presente, agora ele é tralha. O que foi caro já tá pago e guardar não trará seu dinheiro de volta, é tralha. E se você gosta muito, mas não usa, então você não gosta, é tralha.

Evite pensamentos consumistas. Eles aparecem o tempo inteiro. Afinal de contas estamos o tempo inteiro com publicidades jogadas nas nossas caras. Mas comprar só por comprar não vai te trazer nada de bom. Na hora você vai pensar "meu Deus eu tenho isso, nossa que alegria". Depois a alegria passa e você só tem mais uma tralha para guardar. Então pense "Eu quero isso porque eu quero e preciso ou eu quero isso porque essa propaganda me fez querer isso?".

Se a sua casa/quarto for pequena/o, agradeça. Afinal, quanto menos espaço, melhor! Quanto mais espaço você tiver, mais vontade de guardar troço você vai ter. Mas se você tiver uma casa grande com poucas coisas, não te criticar, tá de parabéns. Evite arrumar espaços em que você vai querer enfiar coisas.

Não quero dizer que não é pra comprar mais nada, o que eu quero dizer é para comprar consciente da compra que você está fazendo. Roupas, objetos, móveis, até comida! Pensar antes de comprar pode te fazer não comprar e como eu disse: sobra dinheiro para experiências. O que adianta ter um armário cheio de roupa se você não tiver grana para ir a algum lugar com essas roupas? Ou mesmo que você tenha dinheiro para sair e comprar, essas coisas nunca vão suprir o vazio que você sente.

Se você é acumulador ou tem qualquer problema desse tipo, procure um psicólogo. Não tente resolver com coisas e com consumo. Faça melhor: gaste o dinheiro em um psicólogo ao invés de uma bolsa que você não precisa. Cuide de você, gaste com algo que é interno e por isso, mais importante.


Comece sua sessão "destralha" aos poucos. Primeiro no quarto, depois na sala, depois na cozinha e por ai vai. Não vai ser do dia para a noite que você vai conseguir se livrar de tudo que não precisa, tudo isso acontece aos poucos. É uma nova visão que você vai aprender a ter do mundo.

Agora confira essa listinha e se inspire.

Coisas que você pode se livrar;

-Toalhas velhas/furados/rasgados
-Lençóis velhos/furados/rasgados
-Roupa velhas/furados/rasgados
-Qualquer coisa velha/furada/rasgada
-Tecnologias velhas (CD, DVD, MP3 ruim, pilhas ruins) tudo que não funciona mais, que você não tem mais como usar e/ou que você não tem motivos para guardar (se você for fã de uma banda pode querer guardar o CD)
-Presentes de decoração que não tem nada a ver com a sua decoração
-Roupas que não tem mais nada a ver com seu estilo
-Cosméticos e remédios fora de validade
-Coisas sem tampa (panela, pote, caixa, tudo que precisa de tampa, mas que não tem)
-Coisas que você vai consertar, mas que na verdade você não vai consertar
-Coisas (objetos, roupas, tudo) que você não usou nos últimos meses e sabe que nunca vai usar

Essas foram as que eu consegui lembrar agora, mas tem mais. Sempre tem! Procure em cima dos armários, embaixo dos colchões, vocês vão encontrar tralha em toda parte!

Não sou a Dona da Verdade, nem pretendo ser. Não quero com esse texto dizer o jeito certo ou errado de viver, é apenas uma reflexão. Estou aqui escrevendo algo que tenho total liberdade em publicar. Me segue no instagram que eu fico lá falando essas doideiras também: sabrinandoblog.

Obrigada por me ler, consuma consciente e destralhe!

Por: Sabrina M. Lima

13 de set de 2017

Ele era Libriano


Um dia como outro qualquer. Ou um dia que tinha tudo pra ser qualquer. Sai pra almoçar num self service baratinho perto do trabalho e foi quando eu o vi. A barba feita, aquela cara de bom moço, atrasando a fila toda. Terminei de me servir e ele ainda não tinha decidido qual arroz colocaria no prato. Antes de sentar naquela mesa que estava abarrotada de gente (não é possível que todos trabalhavam no mesmo lugar) ele me olhou e perguntou se podia sentar comigo. Sim, eu disse sim.

Tudo entre a gente aconteceu muito rápido. Mais apaixonado que ele? Ainda estou pra conhecer. Apaixonado pela vida sim, mas ainda mais pelas pessoas. Não posso negar que no início foi incrível. Mesmo eu sendo daquelas que acredita que as coisas tem que ir devagar sem se precipitar, acabei deixando tudo de lado. Aquele cara carinhoso, falando coisas bonitas, me enchendo de elogios e com um olhar que só um apaixonado tem. "Ah" pensei "não tem como me arrepender de algo assim". Tinha.

Eu já me deparei com caras que tinham amigos, mas esse tinha o dobro de todos os outros somados. Isso fazia com que sempre tivesse programas aos fins de semana e no aniversário dele eram necessárias horas pra ler todos as mensagens de toda aquela lista imensa de amigos. Muitas ex inclusive, porque eu também já me deparei com caras que tinham ex namoradas. Mas esse tinha o triplo de todos os outros somados.

Nem sempre fui muito bem resolvida com as questões da vida, não sabia se queria ter filhos ou se gostaria de casar na igreja. Ele conseguia ser mais indeciso que eu. Em alguns momentos isso era bom, nos fazia refletir sobre assuntos profundos e até filosóficos. A gente conversava tanto que parecia amor de outra vida. No fim das contas a resposta dele era sempre a mesma "o que você acha?". E em 90% dos casos as decisões eram minhas.

Romântico sem ser meloso, safado sem ser cafageste, organizado sem ser pilhado e errado sem ser orgulhoso demais pra admitir os erros. Que serenidade, que maravilha não precisar entrar em jogos de orgulho ou ter que assumir erros que não são meus. Com esse cara reinava um senso de justiça até pra dividir o finalzinho da coca. 

Outra saudade que eu sinto é da liberdade que tínhamos juntos. Não brigavamos por praticamente nada, ele era calmo, preferia conversar e tomar "decisões inteligentes" antes de partir pra qualquer tipo de discussão. Mas novamente as decisões eram tomadas por mim, ele só tentava me agradar.

De repente essa falta de coragem pra dizer "não" começou a pesar. Um parente aqui, um amigo lá, quando precisavam ele estava sempre disposto a ajudar. E tudo bem, precisamos ajudar, mas também precisamos enxergar abusos. Os dilemas de "vamos sair, mas você escolhe". Entre outras tantas e tantas decisões que eu precisava tomar porque ele era passivo demais pra dar um passo a frente. E foi ai que desandou.

Não fui a única a perceber que as bases daquela relação estavam mais estremecidas que um prédio em meio a um terremoto. Na verdade, nós nem tivemos tempo pra fortalecer as bases. Foi ai que um rostinho novo surgiu, uma morena bonita com cabelo enrolado, falava francês e eu não quis ficar na indecisão dele entre a loirinha ou a moreninha do tchan. Foi a minha última decisão e foi pra valer. Quer dizer pra valer até o dia que eu não estiver atoa e precisando de companhia. Afinal ele é bem fácil de convencer.

Por: Sabrina M. Lima

4 de set de 2017

Filme: comer, rezar e amar


Comer, Rezar e Amar é um filme que estava na minha lista há milênios e eu me arrependi de não ter assistido antes. Na verdade eu gostaria de ter assistido no ano em que lançou, 2010, porque talvez eu tivesse evitado muitas neuras no meu período menina-adolescente-insegura.

Nesse filme, Julia Roberts dá uma de sagitariana e viaja pelo mundo tentando encontrar a si mesma. Essa viagem nos leva junto com uma série de reflexões de uma mulher acima dos 30 querendo saber quem é.



É incrível porque ela é uma adulta e o mundo inteiro nos diz que adultos sempre sabem o que querem, não tem dúvidas e tem uma vida completamente estabilizada e resolvida. O filme acaba com esse clichêzão. Está permitido ter dúvidas de quem somos, quem queremos ser e o que será de nós daqui há alguns anos em qualquer fase da vida.

Elizabeth deixa para trás o casamento com um cara que não tem nada a ver com ela, uma vida que está mais morna e sem graça do que nunca, e vai fazer o que ela já queria há muito tempo: viajar o mundo. Ela passa por 3 por: Itália, Índia e Bali pra se encontrar e eventualmente encontrar alguém.



A personagem aborda questões femininas, o que é incrível pra um filme de 7 anos. As mídias de maior alcance parecem só ter descoberto o feminismo há meses. Mas aviso: não espere discussões fortíssimas sobre feminismo. Ela é uma mulher da pós modernidade e defende isso, há muito o que melhorar para uma parte II.

Acho que esse filme entraria para listinha dos "filmes inspiração". E sim: está disponível na Netflix!





1 de set de 2017

Só mais um


Quando você quer muito viajar e dá a sorte de ter amigas disponíveis no final de semana é preciso aproveitar. Inventamos um destino qualquer pra irmos de carro com a mais recém habilitada do rolê. Malas as pressas, mulheres indecisas com as roupas, um armário que foi deixado pra trás completamente caótico, porém uma realização a frente: road trip com as amigas, todas solteirinhas e com cartões de créditos cheios de limite disponível.

A minha intenção não era "pegar geral", mas que cidade pra ter homem bonito! Depois de andar o dia inteiro, passamos em casa só pra tomar banho e voltar para a rua. Sentamos no primeiro bar que vimos e eu sabia que só não dormiria na mesa por um milagre, reza braba ou quem sabe muita cachaça.

Ainda não decidi quais dos três realmente aconteceu, mas na hora em que eu bati os olhos no loirinho que servia os chops meu coração bateu mais forte. Se amor a primeira vista existe ele aconteceu ali. Foi como naqueles desenhos que os olhos do cachorrinho viram corações. Eu sempre fui a garota das paixões fáceis, mesmo que essas paixões só durem uma noite. O que vale pra mim é a intensidade de cada uma delas, a vontade que eu vivo cada experiência que a vida me proporciona.

Perguntei para o garçom super gente-boa-e-gato-que-minha-amiga-habilitada-já-estava-de-olho se eu poderia pegar os chops sozinha e tal. Expliquei a situação né. Eu não queria fazer do tipo que manda bilhetinho no guardanapo com o número de telefone. Gosto da coisa cara a cara, corpo a corpo, você me entende. Eu sei que entende.

Ali de perto eu vi que o meu moço conseguia ser mais bonito ainda. Olhinhos castanhos e brilhantes como eu nunca vi igual (porque apesar de comum, acredite olhos castanhos tem charmes únicos, pode reparar). Sim, uma graça. Fiquei até um pouco envergonhada de já ter imaginado todas aquelas coisas absurdas na minha cabeça com uma criatura que parecia tão inocente. Só foi preciso 5 minutos pra ter certeza que de inocente ele não tinha nada. Mandei aquela vergonha embora e fiquei ainda mais apaixonada.

Quando voltei a mesa já tinha perdido uma integrante e o bar um garçom. Por isso mesmo eu tive tempo de ir em casa, cochilar e acordar com meu telefone tocando. Quando eu falei "alo" ele disse "desce aqui". Olhei pela janela e já era dia. O meu mocinho era gato mesmo, não era bebida nem nada. Então eu desci. Caminhei até a casa dele, ouvindo contar histórias da cidade. Ele sabia o que estava acontecendo ali e já devia ter feito isso um milhão de vezes com outras turistas. Mas essa foi a primeira vez que eu quis ser só mais uma e eu fui. Ele também foi só mais um. Mais um ótimo, mais um pra listinha das melhores noites. Ou nesse caso dia.

25 de ago de 2017

Ele era Taurino


Nosso primeiro encontro foi num restaurante lindo e que eu fiquei tentadíssima a tirar fotos de toda a decoração. Nenhum outro cara tinha me levado pra jantar num lugar tão legal e olha que nem era caro! Em geral o "vamos sair" envolve cervejas e petiscos sem sobremesa. Mas dessa vez não. Dessa vez teve tudo, inclusive sobremesa. Tudo isso me deixou com a impressão boa do cara, fala sério a gente não encontra um desses todo dia. Porém também fiquei um pouco desconfiada se aquilo não era só pra me impressionar.

Ah e se você pensou que do primeiro encontro para o namoro demorou muito já vou logo avisar que não. No dia seguinte ele disse que queria namorar comigo. Assim mesmo na lata. Sem sexo antes pra ver se combinava, nem nada. E além de fraco por doces eu tenho um outro: aventuras. Então eu disse sim e embarquei nessa com um cara que tinha tudo a ver comigo. Amava chocolate de panela e usar todos os segundos possíveis pra tirar aquela soneca. Era como se o balanço do ônibus ninasse a nós dois e quando percebíamos estávamos os dois dormindo profundamente.

Eu tive surpresa de 1 mês de namoro, 2 meses, 3 meses, 4 meses, 5 meses e no sexto eu resolvi fazer uma porque já estava me sentindo culpada. Ele amou é claro, mas eu sabia que ele preferia fazer a supresa do que receber. Quando completamos 1 ano ele entopiu minha casa de flores. Foi lindo, mas fez sujeira e como o preguiçoso de sempre ele não ajudou a limpar nada.

Nesse primeiro ano acho que eu me senti como esses casais recém casados onde tudo é lindo e tudo é -literalmente- flores. Poxa o cara era incrivelmente romântico e também curtia finais de semana em casa. O problema é que precisava ser desse jeito sempre. Nada de mudança nos planos, nada de tentar algo novo.

Não eu não vou ser a ex que só critica. Ele me passava muita segurança, uma pessoa pra contar sempre que eu precisasse não importando o que fosse, ele estava lá. Como um porto seguro pra me manter em pé em todos os perrengues que eu passei. Mas eu nunca consegui corresponder o que ele queria de mim. Os traumas dele de traições de outros relacionamentos continuavam ali. Eu sinceramente não sei porque alguém faria isso com um cara desses, mas eu também não podia mudar o passado.

Com certeza eu não fui a única que recebi incontáveis presentes e que tinha sempre um ombro amigo. Além disso tudo, estar com ele era estar perto de alguém com uma paz inconfundível. Nada de estresse desnecessário, nada de brigar por motivos bobos. Muito mais maduro que muitos outros que eu conheci e dedicado a conseguir aquilo que ele queria.

O problema é que ele só queria coisas e eu experiências. Ele queria um carro e eu queria viajar pra praia. Ele queria comprar um celular que faz cafezinho e eu queria gastar tudo no curso de alemão. Ele tinha um mundo que conhecia, que era seguro e por isso ele não correria riscos. Quando qualquer zona de conforto dele era questionada ele batia o pé e não parava até que o outro desistisse. Uma paciência de dar inveja a qualquer um. Mas o combo paciência + teimosia me desanimaram.

Quando conversamos sobre tudo isso a primeira vez ele entendeu, foi maduro e me ouviu. E aí? E aí que nada mudou. Ele continuou agindo igual, juntando dinheiro pra comprar alguma outra coisa, sem mudar nenhuma linha da sua agenda de cada dia e o meu distanciamento pra isso virou motivo de desconfiança.

Na cabeça dele eu sou vilã até hoje. Vira a cara quando me vê e diz pra todo mundo que eu nunca amei ele de verdade. Acontece que eu só desisti. Não dá pra fazer ninguém mudar por mim. Então eu tratei de emagrecer tudo aquilo que eu engordei nesse tempo e pagar o boleto do alemão. Eu sinto saudade daquele abraço incomparável que me fazia ter coragem pra enfrentar qualquer problema. Mas logo logo chega o verão e eu ainda quero viajar para a praia.

Por: Sabrina M. Lima

11 de ago de 2017

O amor vai muito além do que te disseram


Eu acho que você não vai ler nada disso, mas eu precisava escrever mesmo assim. Eu preciso dizer que mesmo depois de tudo, eu ainda tenho amor por você. Não da mesma forma que antes, mas eu ainda tenho sim e na verdade eu sinto orgulho de mim por isso. Poderia ser diferente.

Eu poderia te odiar, achar você o cara mais idiota do mundo porque não quis entender o meu lado. Olha só: você estava errado. Não vou mudar de ideia porque o tempo passou, não darei colher de chá porque você sofreu. Eu também sofri, mas quem é que não sofre? Sofrer não me diminuiu, sofrer me fez crescer. Acho até que é bom sofrer. Mas a gente só enxerga isso depois que para de sofrer e percebe que aprendeu. O problema é que você não chegou nessa parte.

Como eu dizia anteriormente: você errou. Pois é, eu sei que eu também errei. Acontece que eu quis mudar e você ficou para trás. Vivendo algo que não existia, numa relação que não existia, com pessoas que não existiam mais. O que era tudo aquilo senão uma ilusão? O ponto final era necessário, só você não viu. Ou se viu não quis admitir que viu. Você quis teimar, espernear e fingir que estava tudo bem. Pois é, não estava.

Eu poderia ter raiva de você, mas da mesma forma que não te odeio eu também não sinto raiva. Não que eu não tenha te odiado ou sentido vontade de te esganar. Eu senti. Eu senti com todas as minhas forças. Mas passou. Porque assim como o nosso momento de ficar junto e feliz passou o momento te ter raiva e ódio passou também. E mais uma vez eu não tive medo, medo da raiva, medo do ódio, medo da tristeza avassaladora de tomar a decisão de terminar com alguém. Porque não é fácil. Nunca é fácil.

Depois de tudo isso eu percebi que ainda te amava e que eu não deixaria de amar nem tão cedo. Por mais que eu tente, por mais que eu me esforce, não adiantava. A gente viveu tanta coisa boa, tanta coisa bonita. A gente deu tanta risada junto, dançou e ficou bebendo toda madrugada. Fomos em karaokês juntos e em velórios quando era preciso. Você foi meu porto seguro e eu o seu. Eu te amei em cada centímetro e você amou a mim também. Mas o momento de acabar chegou. Nada fazia mais sentido. As tentativas não davam em nada. Foi uma história de amor e ponto final.

Não só os "para sempre" são finais felizes. Veja bem eu estou feliz agora. Eu não tenho você por inteiro, mas tenho um pequena parte em mim. Eu ainda te amo verdadeiramente e quero tudo de bom pra você no mundo, mesmo que você tenha errado. Quem é que não erra? Eu não consegui continuar nem relevar, mas isso não apaga nada do que vivemos nem o meu perdão.

O amor, a dor, a felicidade, as tristezas, o ódio, a loucura, a paixão e todas essas sensações que viver no traz é bem mais do que as pessoas dizem. É bem mais do que os poetas tentam descrever em palavras, vai além do que os filmes ilustram, nem mesmo as melhores composições conseguem captar. Por mais parecidos que nós sejamos, todo mundo tem algo que te faz único e todo mundo pode descrever uma mesma sensação de forma diferente. Hoje você diz que o amor é dor e burrice, Zé Ramalho canta que amor é amar, eu digo que amar é sentir tudo até o último pedaço do corpo e da alma.

9 de ago de 2017

Tire do Armário #Sabrinice13


Oi gente! 

Resolvi escrever sobre um assunto leve e que pode incomodar muita gente. Na verdade segundo a Universidade do Estado de Sabrina, em pesquisa feita em 2017, foi constatado que 90% das pessoas tem problemas com roupas, mas não assumem isso publicamente.

Quando eu disse "problemas com roupas" me referi a dificuldade que as pessoas tem para usar as roupas que elas gostam sem medo do que os outros vão pensar. E não precisa ser uma peça muito diferente, pode ser um decote (que é algo tão comum quanto um chinelo), pode ser uma estampa, qualquer coisa do tipo pode gerar um conflito interno. As peças diferentes tem ainda mais dificuldade para saírem do armário.

Eu também já fiz isso. Sempre fui a mocinha do básico, nada de estampas, tudo preto, branco, cinza e uns jeans. Fim. Mas um belo dia eu fui dar ouvido aos outros e ai tudo desandou. A gente tem que ouvir o que os outros dizem, no entanto também temos que pensar antes. Eu errei, assumo. Porém se tentar enxergar o lado positivo posso dizer que ao menos experimentei, eu tentei ter um armário colorido, estampado e agora estou caminhando pra voltar e reencontrar meu real gosto. 

A gente tem essa mania de se importar com o que os outros pensam, mas não adianta se importar porque não podemos controlar o que pensam sobre nós. Uma roupa é só uma roupa. Ela pode mostrar quem você é, mas pode ser só a primeira roupa que você viu e vestiu porque ainda não é permitido andar nu no Brasil.

Chapéu, meias diferentes, decotes, calça numa festa de quinze anos ou casamento, entre tantas outras roupas totalmente aceitáveis, mas que em alguns lugares as pessoas não estão acostumadas e elas vão criticar. Mas se você se vestir todo de preto adivinha? Vão falar. Se você usar estampas, mas a roupa for um pouco curta, vão falar. Se for muito longa, vão falar. Se a roupa for larga, vão falar. Vão querer te dizer qual tipo de roupa é certo para o seu corpo, para a sua altura, a sua idade, tudo. E como eu disse: ouvir as pessoas pode ser bom, entretanto é necessário equilíbrio entre o ouvir sem questionar e o negar todas as opiniões.

Se você tem alguma peça e tem medo de usá-la por opinião dos outros fica ai o desafio: use-a! Porque o corpo é seu, a vida é sua e se você não está fazendo mal a ninguém qual o problema? É difícil lidar com os julgamentos das pessoas, é difícil ter auto-estima boa tendo que seguir padrões impossíveis. Então o que nos resta nessa vida é sermos nós mesmos, nos aceitar assim do jeitinho que viemos. Dá pra mudar? Claro que dá! Mas você vai mudar por quem? É a resposta dessa pergunta que muda toda uma vida. Só faça se for por você!


DICA FINAL:

Está no final, mas não é menos importante. Enquanto eu escrevia esse texto não pude deixar de pensar que existem problemas diferentes desse: algumas pessoas não tem o que vestir. Então se você não gosta de alguma peça seja ela diferentona ou não: DOE. Não guarde o que não te serve e ajude quem você puder.


Não sou a Dona da Verdade, nem pretendo ser. Não quero com esse texto dizer o jeito certo ou errado de viver, é apenas uma reflexão. Estou aqui escrevendo algo que tenho total liberdade em publicar. Me segue no instagram que eu fico lá falando essas doideiras também: sabrinandoblog.

Obrigada por me ler, usem bolinha com listrinha, roupa preta no verão, não guarde no armário quem você é por causa dos outros e o que não servir: doe!

Por: Sabrina M. Lima

21 de jul de 2017

Ele era Leonino


Claro que tínhamos que nos conhecer assim: ele no meio da roda entre amigos, rindo, não um riso qualquer, aquele sorriso brilhante que parece que tem diamante nos dentes, sabe? Todo mundo envolta como se cultuassem alguma espécie de deus, maravilhados e rindo junto envoltos naquele magnetismo todo. E é claro que isso me deu uma preguiça imensa. O típico cara que é lindo e sabe que é lindo e fica por ai sendo lindo a troco de nada, porque ele é lindo mesmo vai fazer o que?

A verdade é essa: não nos bicamos de cara. Ele queria que eu o cultuasse e fizesse todo cortejo pra conquista-lo e blá-blá-bá. Não era pra mim, eu sabia que não era. Aquelas fotos no Facebook que ele estava sempre maravilhoso. Como isso era humanamente possível? Até fazendo careta o cara ficava gato. E quanto mais eu sabia da vida dele -sou uma boa stalker- mais me dava ódio. Ele não estava satisfeito em ser lindo, ele também tinha que ter um trabalho incrível com colegas que o idolatravam, conseguia sempre o que queria com a maior facilidade e ainda aquela família de comercial de margarina. Parei na foto com o labrador, foi demais pra mim.

Sabe lá Deus o porquê eu falei com ele no elevador. Até hoje acho que aquilo foi alguma energia louca que me forçou a isso. Você deve estar pensando "nossa como ela é exagerada", mas não sou, acredite. Ele entrou, olhou pra mim, riu, virou de costas e só. Mas o riso não foi do tipo "olá" e sim do tipo "percebeu que eu to aqui? Pois é, continue olhando". Maldito "oi". Maldita solicitação de amizade. Maldito ele que aceitou. Maldito encontro. Tarde demais, apenas tarde demais.

Admito que julguei muito sem conhecer ok? Ele era legal. Legal não, ele era incrível de verdade e merecia ser cultuado mesmo. Nunca namorei um cara tão bonito, então todas as minhas tias faziam questão de dizer "nossa que gato esse namorado, até que enfim um bonitão ein". Imagina se elas vissem como ele era por dentro? Ficariam como eu: apaixonadas.

Logo eu que nunca fui muito romântica, recebi flores e outras várias surpresas. Também tive que ser mais fofa do que o normal e fiz bem mais elogios do que de costume. Ele era tendencioso ao drama quando fazia algo e não era elogiado, mesmo quando era um nescau. Sim, vaidade era seu segundo nome. O terceiro podia ser generosidade, porque ele conseguia tempo e inteligência pra se importar e cuidar muito de si e do próximo. Aquelas fotos que eu falei, acho que elas não registravam nem metade do bem que ele fazia para os amigos e família.

A respeito das brigas... Famoso "dois bicudos não se beijam". Era necessário muita conversa pra ele ceder ou assumir que estava sendo mandão. Ele era muito mandão, tudo precisava estar perfeito sempre, mas é claro que ele não ia por as preciosas mãos na massa. Trabalhamos muito nisso e ele acabou aprendendo. Outra qualidade maravilhosa dele: a vontade de evoluir como pessoa pra ser alguém melhor. Claro que escorregando no egocentrismo vez ou outra, afinal apesar de acharem que ele era um deus, o cara era bem humano.

Apesar de tudo tínhamos muita sintonia. Nas conversas, nos programas que fazíamos juntos, algumas ideias não batiam muito, mas eu sempre amei o novo. Não sou muito conquistadora, mas acabei não precisando me esforçar muito. Nunca tivemos aquela relação gato e rato, ele me conquistou só existindo e eu o conquistei sendo eu mesma também, muito contrário do que eu pensei que seria. O único campo que ele tinha total necessidade de conquistar e mandar era no sexo. Eu reclamava? Claro que não, em time que está ganhando não se mexe. E eu tenho que admitir: foi o melhor estratégia de todas as estratégias que eu já vivenciei.

Parece até brincadeira, mas terminamos. Pois é, num certo momento eu fui teimosa demais, ele orgulhoso demais. A gente acabou se afastando e ficou tudo meio esquisito. Foi meu relacionamento mais longo e acabou de um jeito sem fim. É por isso que eu ainda não namorei mais ninguém, parte de mim ainda está ligada a ele. E eu sei que se eu ligar a gente até pode voltar, mas antes eu tenho que admitir que senti muita saudade, que somos um par perfeito e talvez citar uns trechos de pagode do tipo "eu nunca amei assim" pra encher todo aquele ego imenso e ele dizer que sim.

Por: Sabrina M. Lima

13 de jun de 2017

Um texto de amor


Um texto de amor para o meu amor

Já nesse dia eu acordei impulsiva, quer dizer mais impulsiva do que o meu normal de impulsividade e fui falar com você. Ah, tanta aconteceu e ao mesmo tempo tanta coisa deveria ter acontecido. "Não custa nada tentar" eu pensei. Claro que não fui chutando o balde, porque essa nunca foi minha linha. Se eu pudesse definir a minha linha eu usaria o famoso "oi sumido :)" em resumo.

Os dias passaram e você estava na minha casa, eu na sua e pera ai qual é minha casa? Qual é a sua? Acho que foi um período que a gente se embolou tanto que virou um só. Uma só loucura, uma só vontade, um só desejo e você sabe o que era tudo isso. Sim! Era paixão. Era loucura que virou paixão e disso virou uma paixão louca, sem limites, sem pudores, sem vergonha, sem hora e sem lugar, na verdade toda hora era hora e todo lugar era lugar.

Ahh é claro que tivemos aquela fase super apaixonada de início de namoro. Eu só falava em você, pensava em você, via você nas ruas, lembrava de você com as músicas, ouvia sua voz quando me concentrava um pouquinho, sentia o seu cheiro no travesseiro, a minha mente era sua praticamente o dia o inteiro.

O amor me pegou, é verdade. Te pegou também, não tem como negar. Eu gostava de ser boba, eu gostava de ser louca por você. Daí que um dia eu resolvi que isso ia durar. Peguei as chaves do meu coração e te deixei entrar pra morar. Contrato vitalício. A única cláusula desse contrato era conservação do espaço, nada demais. Você assinou e se comprometeu a fazer bem mais do que eu esperava e do que eu podia imaginar ter.

Mané, meu amor, menina, princesa e cara de frango (que eu admito ser o melhor) são alguns dos apelidinhos que você me arrumou. Eu amo o nome que tá lá na minha certidão de nascimento. Mas também amo esses que você me deu, mesmo o mai clichê é único porque veio de você. E fala sério, eu te amo amoreco!

A gente planeja o futuro junto, as viagens para os lugares mais doidos, as cores dos móveis da sala e a eterna briga se nosso filho vai ser gato ou cachorro. E eu gosto. Eu gosto quando você discorda de mim pra me irritar ou pra testar a minha capacidade de argumentação. Porque você desarma minha bravesa rápido e mesmo depois de tanto tempo ainda me olha de um jeito apaixonado.

Rir do seu lado, chorar do seu lado, aprender do seu lado, fazer incontáveis coisas ao seu lado. É tudo isso que eu queria. Mesmo não parecendo, eu fui a menininha que assistia os filmes da Disney e queria meu príncipe encantado. Acontece que eu adaptei o cabelo loiro e o olho claro, mas ainda gostaria de fugir num cavalo. Dai você chegou e toda mágica aconteceu, mágica essa que até hoje não se perdeu.

Com você eu vivi tudo que eu não vivi com mais ninguém e nisso inclua coisas boas e ruins. E eu não mudaria simplesmente nada, não trocaria nenhum segundo do que vivemos por algo diferente. Não, não, nem as coisas ruins, afinal foram tão poucas. Olha que eu achava estranho a gente ser um casal que não briga nunca. É essa minha mania de desconfiar de quando tá tudo dando muito certo. Mas em alguns casos vai dar tudo muito certo mesmo, porque a vida tira, mas ela também dá. Ela me deu você e eu sou muito muito muito grata.

Os anos voaram, porque eu ainda lembro da gente só amiguinho de escola sem ter ideia de que um dia ficaríamos juntos. Tudo bem, a gente queria, mas a gente não sabia que essa vontade se tornaria realidade. Ainda bem que se tornou, ainda bem que a gente se encontrou e reencontrou tantas vezes. Ainda bem que a gente se apaixonou e reapaixonou. Ainda bem que a gente se amou, mas nunca re-amou, porque entre a gente o amor sempre transbordou, nunca faltou.

Só queria escrever um texto que falasse sobre nós. Sobre nosso amor, a beleza dele e o quanto eu amo dizer "nós". Acreditando em destino, reencarnação e todas essas coisas que eu acredito, todos os dias que passam eu tenho mais e mais certeza que estava escrito em algum lugar que ficaríamos juntos. Acho também que nas outras vidas a gente esteve junto e que nessa agora nós nos escolhemos de novo. Escolhemos não só amar um ao outro, mas dividir uma vida juntos. Nessa vida a gente não depende um do outro, nem controla ou persegue. Nessa vida a gente só sabe que se pertence e não por posse, mas porque não existe nenhum outro lugar que gostaríamos de estar se não um ao lado do outro.

Por: Sabrina M. Lima

4 de mai de 2017

Ele era Capricorniano


Meu último namoro tinha acabado há dois anos, eu curti bem a vida de solteira, mas cansei. Sabe? Pois é, queria algo realmente sério. Conhecer a família, ter almoço de domingo na casa da avó. Mas eu não ia namorar qualquer um que aparecesse, calma ai. Daí que ao conversar sobre isso com um amigo, falando do quanto é difícil achar alguém que queira um relacionamento e sustente essa vontade por alguns anos, ele me disse "vou te apresentar um amigo que só namora". E eu fiquei pensando "han? como alguém só namora?"

Sim, foi um exagero do meu querido amigo. O cara teve relacionamentos longos, ele era muito maduro e não gostava de "perder tempo". Sério, ele disse isso. Se ele conhecia uma menina, via que eles dois não tinham nada a ver ele era prático: ficava com ela se a vontade fosse essa, mas não enrolava ninguém nem tentava um relacionamento "certo de dar errado". Eu pensei isso ai que você pensou "nossa, mas que monstro frio e calculista". Mas veja bem, isso economiza tanto estresse. Tantos "vamos conversar" que não precisaram ser ditos. É um estilo de vida sabe? É claro que não temos como ter CERTEZA se um relacionamento dará certo ou não, mas se o seu objetivo é um namoro sólido e tals, pra que ficar com todo mundo sem nenhum filtro? É uma questão de objetivos e esse cara tinha muito objetivo na vida.

Acho que o primeiro objetivo era ter muito dinheiro e se gabar de todas as economias. Sério! Que mão de vaca! Mas veja o lado positivo: ele comprou a casa própria antes dos 30 e não veio de família rica. Pois é, foco e determinação, eu aprendi tanto com ele. Mas não pense que sou uma interesseira. Nosso relacionamento começou porque eu fiquei muito muito apaixonada por aquela segurança que ele passava. Não eu NÃO ESTOU FALANDO DA CASA. Segurança emocional, segurança de decisões e opiniões. Sabe quando você pergunta pra alguém "azul ou verde?" e ela fala "ah, pode ser qualquer um" ou "os dois são bons" ou "tanto faz" "você que sabe"? Ele respondia "azul ficou melhor, combinou com seu brinco. O verde é bonito, mas acho que não com esse sapato." O cara tinha opinião, tinha coragem e era sincero. Como eu não me apaixonaria?

Eu tenho certeza que eu me apaixonei primeiro e fui a única apaixonada por um tempo. Mas foi o lance do "objetivismo" dele. Ele buscava um namoro, eu também, logo já tínhamos isso em comum. Daí eu me apaixonei (e eu sempre deixo claro quando me apaixono) e alguma coisa de boa ele viu nisso. Notavelmente ele não era uma pessoa de se entregar fácil, confiar fácil, tudo fácil. Na real era um pouco pessimista e isso talvez fosse o que mais o atrapalhava. Eu sempre estava lá tentando animar e ele me chamava de "sonhadora". Tudo bem, eu sou. Mas fantasia é bom né? Não, pra ele não era.

No nosso aniversário de um ano ele fez surpresa e tudo mais. Eu nem acreditei, porque sério ele não era nem de longe o cara mais romântico que andou nessa terra. Frases feitas, cartas, textão, nada disso era a cara dele. Ele era simples e quando fazia algo era especial. Ele fazia de corpo e alma.

Queria terminar dizendo "nós casamos, fomos muito felizes, tivemos 2 filhos e fim". Mas não foi assim que aconteceu. Com um tempo as minhas "fantasias sonhadoras" viraram "infantis demais". Com o tempo a praticidade até na hora de colocar o café na xícara ficou demais pra mim. Com o tempo necessidade de juntar dinheiro pra fazer uma viagem perfeita virou demais, eu poderia ficar numa barraca que tanto faz. Toda aquela "solidez" dele me pareceu tão dura com o tempo, quase uma armadura e eu fui ficando com preguiça de forçar a minha passagem. E eu admito: eu queria cartas, eu queria pétalas de rosa e usando a praticidade que aprendi: ele não ia me dar, logo melhor terminar. Foi uma equação bem simples. Ele não chorou, nem me disse coisas ruins. Falou "a escolha é sua, só que comigo não tem volta". Não teve mesmo, até porque ninguém tentou. Eu sempre fui muito orgulhosa.

Por: Sabrina M. Lima

1 de mai de 2017

Os amigos vão embora #Sabrinice12


Oi gente!

Não, esse título não é só pra chamar atenção. É a mais pura verdade mesmo. Os amigos vão embora. Ou pelo menos a maioria deles.

Por muito tempo eu pensei "não existe ex amigo, amigo de verdade é amigo pra sempre", mas o que significa "para sempre"? Para muitas pessoas significa "um instante". Eu aderi o segundo significado e deixei pra lá essa ideia de que todas as relações "verdadeiras" duram pra sempre.

Os amigos de verdade vão embora também. Não estou dizendo que vocês vão brigar, se esfaquear e nunca mais olhar um na cara do outro. As amizades de quando a gente tem 13 anos são fáceis de manter porque, na maioria das vezes, as pessoas nessa idade só estudam. Mas aos vinte e poucos ou trinta e poucos tem trabalho, tem faculdade, tem esposa/marido, tem pouco tempo pra dividir entre os muitos afazeres. A vida muda, a gente muda. Até o seu melhor amigo vai sentir dificuldade pra te ver.

Claro que "quem quer dá um jeito". A gente sai mais cedo do trabalho, chega atrasado num compromisso, mas a gente vê o amigo. Mesmo que veja menos, mesmo que seja rápido. Dá pra dar um jeito e manter a amizade. Não ser orgulhoso é o tipo de coisa que ajuda e muitoa manter uma amizade das antigas. Mas eu queria falar dos amigos que vão. Esse é o foco do post de hoje.

Os amigos que vão não estão fazendo nada de errado. Eles só estão seguindo em frente. Não foram falsos (às vezes talvez, mas não é regra). A vida apenas tomou rumos diferentes, alguns esforços não foram suficientes pra continuar com a amizade. Às vezes vocês estão tão diferentes que simplesmente não conseguem mais manter uma conversa normal.

Muita gente já sabe de tudo isso que eu escrevi até aqui. E o que eu queria dizer com essa repetição é: isso é normal. Sabrina está mais uma vez dizendo o óbvio, nesse caso é necessário dizer. Tá tudo bem se os seus amigos não são os mesmos de dez anos atrás, tudo bem se você vê bem menos seus amigos, mas ainda assim os ama muito e marca algo sempre que pode. Tudo bem se você tem aquele amigo que você não vê nem fala há anos, mas em pensamento está sempre desejando coisas boas.

Ter um relacionamento-amizade com alguém até a morte pode ser maravilhoso. Mas não ter também pode. O que importa, ou deveria, são todos os momentos bons e aprendizados. Se ficou pela metade do caminho talvez devesse ser assim e se você achar que não deveria: faça algo a respeito. Não fique por ai dizendo "ai meu Deus, meus amigos não me procuram". Se a tentativa não adiantar, apenas aceite, siga em frente e faça amigos novos.


Como eu disse no Sabrinice #1: não sou a Dona da Verdade, nem pretendo ser. Também não quero com esse texto dizer o jeito certo ou errado de viver, é apenas uma reflexão. Estou aqui escrevendo algo que tenho total liberdade em publicar.

Obrigada por me ler e não esqueça que amigos vão, mas eles também vem -e voltam.

Por: Sabrina M. Lima