29 de set de 2016

Eu não era pra você


Andei lembrando de um ano que passou e você esteve presente na minha vida num curto período dele. O doido é que você não foi alguém tão legal na minha vida que merecesse ser lembrado. Na verdade eu nem sei direito o que nós conversávamos e olha que minha memória é ótima! Eu atribuí a você todas as coisas ruins desse meu ano. Já todas as coisas boas que aconteceram nesse mesmo ano atribuí a outro.

As amizades que eu achei serem muito fortes e perdi, as vontades sucumbidas por motivos diversos, a tristeza de sempre que me perseguia, a burrice por ter criado um personagem em cima de você e até ter deixado você pensar que eu gostava de você. Associei todas essas coisas ruins a sua imagem e tive repulsa dela.

Você não foi tão ruim e traumático para ser lembrado também, tipo um grande aprendizado. Na verdade foi bem mais ou menos, foi infantil, foi insuportavelmente meloso, foi várias coisas que eu não gosto e que eu não queria na época. Não vindos de você. O que eu queria era me apaixonar, o que eu queria era algo que eu não sabia como procurar. De repente eu achei. Achei em alguém completamente diferente. Ou não, porque eu não conheci você. Conheci um personagem que eu achei que você fosse e do pouco que eu vi pude saber que você definitivamente não era nada daquilo que imaginei.

Encontrei o meu alguém com tudo aquilo que eu não sabia que procurava. Ele me deu a supervisão de pai que eu não tinha, me deu a implicância de irmão mais velho que eu também não tinha, juntamente a isso ele me deu a sinceridade de um amigo de sexo masculino, o colo de um confidente e o amor de uma alma gêmea. Com certeza eu não sabia que era isso que eu queria, mas quando eu tive eu quis e quanto mais eu quis mais eu tive.

Com o passar do tempo essa necessidade maluca passou. Todos aqueles buracos que eu tinha foram preenchidos por uma pessoa só. Algo que deveria ser sufocante, e foi até um momento, mas foi breve, muito breve. Depois de me sentir inteira e segura como nunca, eu não tinha a necessidade desse meu alguém. Mas ainda o queria. O queria por um só motivo: o amor. Em momentos que a paixão baixou, que o fogo diminuiu e que eu já tinha tudo, o amor foi tudo que sobrou de nós dois. Eu ainda queria. E continuo querendo.

Alguns momentos isso tudo volta, uma bronca de pai, ciume de irmão, segredos de amigos, mas o compromisso de amante nunca foi embora. Nem nas piores brigas, nem até mesmo nos meus piores humores. O amor sempre esteve ali pairando sobre nós dois. E de uma maneira em parte exagerada e em parte verdadeira eu associei a ele tudo de bom. Lembrar dele é como lembrar da felicidade, lembrar dele é como lembrar de um sorriso, lembrar dele é como lembrar de tudo que é belo, lembrar de uma leveza tão grande que eu seria capaz de voar, lembrar dele é não me trazer nada que não seja bom. Apesar de momentos ruins existirem entre nós, em todas essas décadas que passaram não são eles que prevalecem. Nem por um segundo são eles que prevalecem.

O que eu queria era pedir desculpa pra mim. Pra você não, porque provavelmente você nem lembra que eu existo. Afinal, faz tanto tempo. O que é ótimo, ter essa lembrança não te traria nada de construtivo. E se eu não dei os motivos concretos por terminar que fique claro hoje, aqui e agora: você não era o que eu procurava. Não era o cheiro, não era a cor, não era a mão, não era nada do que eu queria. Você não era ele. Mesmo sem saber era ele tudo o que eu queria. E por isso eu também não era pra você.

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22 de set de 2016

Deixa eu ser boba-alegre



Venho por meio deste, dar o meu testemunho de vida que mesmo tão curta pode ser tão sábia, para quem sabe iluminar a de mais alguém. Ou apenas desabafar minhas loucuras num bloco de notas que não podia, nem queria, ficar em branco.

Eu odiava gente feliz. Ainda odeio gente SEMPRE feliz que TUDO tá maravilhoso. Pra mim ainda soa falso. Como assim você quebrou o braço e está sorrindo? Isso é inacreditável. Ou então quem não se arrepende. Sério, não rola. Mas pelo menos uns 5 anos atrás, eu odiava gente feliz. Gente que ria, que era alegre, que fazia piada e esboçava muitos sorrisos. Muito provavelmente isso era por uma infantilóide inveja enrustida. E eu era reconhecida pelo meu mau humor, em todos os momentos, em todos os dias.

É muito doido olhar pra trás e lembrar de como eu me sentia triste sempre. Não por um motivo em específico, por vários motivos. Porque a vida não tava boa, o cabelo também não, o céu, a lua, os amigos, os namorados, o passado, o presente, o futuro, Deus, o destino, as samambaias e as montanhas do Oriente também. Sério, nada estava bom. E a consequência de perceber o quanto tudo estava ruim era de tristeza e raiva. Um dia isso misteriosamente mudou. Mas todo mundo sabe que nada acontece misteriosamente.

Um processo longo começou dentro de mim pra que eu mudasse as lentes com as quais eu enxergava o mundo. E nada disso eu fiz sozinha. Pois acredito que as pessoas entram nas vidas umas das outras com um propósito. Nem que o propósito seja sair, mas ele existe. Eu sempre tive sorte com as minhas pessoas (sem conotações de posse, apenas o pronome). Essas minhas pessoas me ajudaram e o processo de mudança começou. Primeiro enxergando as coisas como elas realmente são. O problema do pessimista é querer virar um otimista. Isso não dá certo. Primeiro você passa de otimista pra realista. Veja as coisas como elas são de fato, sem floreios. Depois comece o processo de extrair o lado bom disso que é real. Falando assim parece receita de bolo, mas depois de um tempo é igual respirar.

Com o tempo você percebe que o cabelo não estava horroroso. Só estava diferente do que é agora. O namorado não era um merda. Era alguém que não combina com quem você é nem com quem você quer ser. A comida pode levar mais sal se faltar, o café pode esquentar de novo, o ônibus pode te dar tempo pra ler, a chuva pode refrescar, o atraso pode te fazer conhecer alguém, o tempo que você "perde" com alguém pode mudar a vida dela, de tudo que acontece nessa vida se pensarmos só na parte ruim é impossível acreditar que estamos vivendo.

Depois disso vira um ciclo. Quanto mais energia boa você joga ao seu redor mais energia boa você recebe. E isso não quer dizer que nada de ruim vai acontecer na sua vida. Eu seria mentirosa em dizer isso e você seria burro se acreditasse. Mas elas melhoram. Fica mais fácil passar uma situação ruim quando a sua primeira reação não é reclamar dela e sim pensar no que ela trouxe de bom e se for o caso resolvê-la e se não for o caso: que se dane!.

Perder a vida desejando que as coisas fossem de um jeito que elas não são nunca levou ninguém a nada. Soa absurdo ouvir a história de alguém dizendo "eu reclamei a minha vida toda, sempre achei tudo um lixo e tenho amigos ótimos, uma família que me ama, um emprego onde todo mundo se anima quando eu chego." Não tem lógica nisso. Não sou das exatas, mas nem a matemática deve explicar algo tão impossível.

Ser sinônimo de alegria nunca foi uma opção possível pra mim. Ser a pessoa "pra cima" do grupinho também não. No entanto eu estou aceitando qualquer título desses. Quem não quer ser lembrado pela felicidade? Quem não quer ser lembrado pelas boas energias? Quem não quer ser a pessoa a quem todo mundo recorre quando quer sorrir? Qual problema em ser alguém tão legal simplesmente sendo quem você é? Por que hoje em dia nos obrigamos a usar métodos de nos proteger? Por que precisamos de proteção aliás? Quem foi que disse que disse que fingir ser outra pessoa é se proteger de algo? Quem foi que disse que esse é o jeito de ninguém te julgar? E mais: quem foi que disse que todo julgamento é correto?

Então sim, eu sou uma pessoa alegre e estou num momento feliz (digo estou porque uma TPM pode aparecer e tudo ficar trevoso do nada, depois volta, daí eu choro e depois volta e depois trevas, etc). E eu quero ser lembrada exalando brilhinhos, purpurina, pó de pilim pim pim, chuva de arco-íris, Good vibes, amorzinho, boba-alegre, sabrinight, qualquer coisa que seja alegre, feliz e pimpona pode ser eu. Porque eu não ligo se vai ter uma Sabrina que odeia gente feliz pra me julgar. Eu não ligo se vai ter alguém contra a minha felicidade. Eu não ligo se mesmo apesar disso tudo eu fizer alguém sorrir, é o que importa pra mim.

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18 de set de 2016

O último a saber


-Por que você nunca falou?

-Falei o quê?

-Que gostava de mim, que queria ficar comigo.

-Ah, porque tava na cara né Larissa.

-Tava nada. Eu desconfiava, mas não tinha certeza.

-Você também não falou nada. Por quê?

-Porque você é um ridículo e não queria que ficasse se achando a última água do deserto.

-Eu continuo achando mesmo assim. -Ela não segurou o sorriso.

-Eu não falei porque achei que você ainda gostava daquela Márcia chata. -Seria uma primeira cena de ciume?

-O que a Márcia tem a ver com isso? -Eu sabia o que, mas queria ter certeza se era uma ceninha.

-Ela é sua ex, seu besta. Você arrastava um bonde por ela e daí vocês terminaram sei lá por qual motivo.

-Porque ela quis.

Não seria babaca e mentir dizendo que eu terminei. Ela terminou comigo porque eu "não sabia ser sério" ou algo do tipo. Acho que era uma desculpa qualquer. Também acho que ela já estava com aquele outro cara bem antes de terminar comigo. Mas era a primeira vez que eu enfim ficava com a Larissa, não tinha como abordar todo esse assunto chato.

-Eu não queria parecer desesperada também. -Ela fechou os olhos e encostou a cabeça na parede. Parecia não querer dizer o que estava prestes a dizer. -Há muito tempo eu queria ficar com você, a gente se conhece há um tempão. Mas eu não me achava bonita, não me achava legal o suficiente pra você se interessar por mim.

Nossa! Eu achei seria demais falar do meu possível chifre e ela tava me confessando uma coisa muito mais séria! Só me vinha a mente uma pergunta...

-O que mudou?

-Não sei direito. -Ela abriu os olhos e me encarou. Eu estava deitado de bruços e sem camisa. Não ia aceitar essa resposta, fiquei curioso.

-Sério, do nada você era Beth a Feia e agora você chega aqui em casa, faz tudo isso -apontei pra cama bagunçada e depois pra minha camisa que ela vestia -não é possível que não tenha sido nada. -Ela sorriu concordando.

-Eu cansei de me fazer de vítima. Ninguém disse que eu era feia, ninguém disse que eu era ruim. Só eu dizia isso a mim e demorou a eu perceber que a maioria das pessoas não concordavam. Não conseguia me ver como alguém legal e divertida. Todo mundo dizia isso de mim. Era inacreditável como eu me sentia a pior pessoa do mundo. Não no sentido de fazer coisas do mal, mas sim por fazer coisas inúteis.

-Meu Deus! -Arregalei os olhos. -Isso é um assunto maravilhoso pra um primeiro encontro! -Afirmei e me ergui um pouco pra bater palmas irônicas.

-Vai pra merda Flávio!

Consegui abaixar a cabeça rápido antes de tomar a travesseirada.

Ela estava sorrindo quando eu a olhei novamente.

-Você quis saber. -Ela me apontou acusando.

-Tudo bem. Sou culpado. -Ergui as mãos.

-Não preciso te impressionar.

-Não mesmo. Eu já estou impressionado há muito tempo. -Sorri. -Mesmo nessa época ai que você estava em conflito interno. -Ela fez uma careta. -Mesmo quando eu namorava a Márcia. -Pisquei.

-Isso não é algo bonito de se dizer. -Ela conteve o sorriso dos lábios, mas não dos olhos.

-Também não foi bonito ela decorar minha cabeça. -Me coloquei um chifre com as mãos.

Ela gargalhou.

-Achei que você não soubesse! -Ela ainda ria.

Todo mundo sabia? Menos eu? Eu realmente fui o último?

-Eu soube. Demorei, mas soube.

Ela riu mais alto.

-Você quer acordar todo mundo? -Só queria fugir daquele assunto. Estava lidando bem com a dúvida, mas agora eu tinha certeza e não queria continuar falando sobre a minha ex.

-O quê? -Ela se endireitou tão rápido que até eu sentei na cama e olhei pra porta. -Você falou que estava sozinho!

-Ai! -Não esperava o tapa no braço.

-Calma. Ninguém vai saber que você esteve aqui se você não quiser. É só sair depois deles amanhã.

Ela levantou.

-Ei, calma ai. -Pedi. -Não é nada demais. Eu sou gradinho, tenho permissão pra trazer quem eu quiser no meu quarto.

Fui até ela que tinha achado o short.

-E se eles ouviram alguma coisa? -Ela me encarou tão séria que eu ri.

-Não tem graça! Que saco!

Eu ri de novo, mas fiquei sério porque ela parecia querer me matar.

-Ninguém ouviu nada. Vem cá. -Eu a puxei pra perto de mim e segurei seu rosto. Por que eu não tinha tentado ficar com ela antes? Que perda de tempo. Ela era tão linda e incrível. -Fica tranquila porque até se alguém ouviu não vai falar nada. Eles vão sair amanhã cedo e você pode ficar escondida aqui se quiser.

-Eles quem? Todo mundo? Seu pai, sua mãe e sua irmã?

-Meus pais só. Minha irmã não, mas ela é minha parceira. Sério, não tem com o que se preocupar.

-Tá bom então. -Ela relaxou os ombros e encostou a testa no meu queixo. Sem pensar eu beijei sua testa.

-Beijo na testa no primeiro encontro? -Ela se afastou pra me olhar de novo e eu sorri.

-Sim. Qual problema?

-Nenhum. É só uma coisa muito fofa pra um primeiro encontro. Pelo menos eu acho.

-Você tem um histórico de ideias bem equivocadas.

-Essa está certíssima. Coisa de apaixonado. -Ela sorriu e me olhou com aquele ar de quem sabe o que está falando.

-Talvez eu esteja. -Falei olhando a parede atrás dela. -Talvez não. -Encarei ela de novo.

-Tudo bem. Eu admito ser a última saber.

-Ah, não esse assunto de novo não.

E nós dois rimos.

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16 de set de 2016

Minha pequena obsessão


Eu não sei se já disse o quão difícil é esquecer você. Não, não para sempre. No dia-a-dia. Esquecer de você quando passo pelos lugares que já estivemos. Esquecer de você quando ouço algo que você já disse. Esquecer de você quando sinto seu perfume em outro alguém. Esquecer de você quando percebo uma pessoa com uma camisa igualzinha a que eu te dei. Esquecer de você quando eu vejo um casal tão apaixonado, que mesmo sem as mãos dadas ou exibicionismos afetuosos exagerados, tem no olhar aquele brilho que ilumina o rosto. É tão difícil.

Sempre tento imaginar o que as pessoas pensam de nós quando nos veem por ai. Será que acham que não temos nada a ver? Ou que a gente é bonitinho junto? Mas nada disso me vem a mente quando estamos juntos. Porque com você eu não tenho medo de julgamentos. Não tenho medo de parecer boba, infantil, maluca ou piadista demais. Com você eu sou apenas eu e nada mais. Nada de neuras e preocupações se alguém vai perceber aquele furinho no meu casaco. Eu fico super confiante ao seu lado.

Às vezes me sinto um pouco doente. Porque penso em mandar mensagem várias vezes e controlo esses impulsos. Não por jogo ou qualquer coisa do tipo. Apenas porque esses momentos me vem quando deveria estar dando atenção ao trabalho, ou a aula, ou alguma conversa com alguém que encontrei sem querer. Também porque você se cansaria de ler tantas declarações. Talvez até se acostumaria e quando eu não fizesse me cobraria. Por isso me seguro e quando não aguento, na maioria das vezes são os dias em que durmo depois de você, faço minhas declarações.

Pior que apenas lembrar de você. Lembrar da sua existência nesse mundo tão imenso e cheio. Bem pior que isso é lembrar a forma como você me faz sentir. A forma como a sua mão sempre encontra a minha nos momentos em família e que precisamos manter certa distância. O jeito como você me abraça forte quando tem que ir embora e claramente não quer ir. E o que eu sinto quando estamos sozinhos. Nós dois, nas quatro paredes que nos isola do mundo, podemos tudo. Isso me dá arrepios impressionantes e que eu sempre espero que aqueles que estão perto não percebam.

Quando eu tenho problemas pra dormir eu também lembro de você. Porque é a melhor memória pra me acalmar. É o que mais assusta os meus fantasmas e algumas vezes meus sonhos me presenteiam com uma visita sua. E eu entendo que tudo isso pode parecer uma obsessão para os controlados, para os que não amaram também. Pra mim é apenas uma modesta forma de ver o amor em cada pequena coisa relacionada a você.


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11 de set de 2016

Relacionamento aberto


Eu não entendi direito o motivo daquela mensagem. Por isso resolvi ignorar e continuei a me arrumar para a noite de hoje. Afinal eu e minhas amigas demoramos bastante tempo programando.

-Ai ainda bem que você chegou! Meu celular acabou de descarregar. -Eu disse.

-Jura? O meu também, tava ficando doida aqui pensando em como ia te achar. -Respondeu Gabriela. Mas pra ela isso era novidade. Pra mim não. Sempre fui a "avoada" do grupo. Meu celular vivia descarregado, eu vivia perdendo as coisas e esquecendo. Não chegava a ser um grande defeito. Não me metia em "problemas". Só ás vezes.

-Ah! -Ela apontou- olha ali elas chegando. Vamos lá!

E nós fomos. A noite foi incrível. Tinha um cara incrível lá. O nome dele era Paulo. Teve aquela conversinha toda, depois ficamos. Ele foi super legal, me ofereceu carona e tudo mais. Só que eu não queria ir além com ele. Então paramos por ali.

Só quando acordei percebi quanto eu tinha dançado na noite anterior. Minhas pernas ficaram muito doloridas. Funk não é pra sedentários definitivamente. Mas eu estava feliz.

-Sofia, seu telefone não para de tocar. -Minha mãe apontou para o celular que estava conectado à tomada perto do sofá da sala.

-Ah, mãe. Que fofa, você colocou pra carregar.

Ela apenas riu. Minha mãe achava engraçado todas as minhas pequenas demonstrações de afeto. Ela dizia sempre "você é um docinho, nem parece filha minha, só pode ser por causa do seu pai". Sim, meu pai era um fofo. A gente tinha apelidos fofos. Era tudo fofo. E eu amava isso. Minhas amigas amavam estar comigo quando elas precisavam de carinho porque eu tinha sempre muito carinho pra dar. Afinal eu recebia muito do meu pai.

Mensagem nova do Evandro da noite anterior. Na verdade "Eva" era como eu salvava o número dele.

Perguntava se eu iria mesmo pra "baladinha" e que ele achava que eu convidaria ele "mesmo a gente não tendo nada".

Mas se a gente não tem nada por que diabos ele achou isso?

Contei meu recente caso a Gabriela.

-Amiga, você é muito carinhosa, meiga e tudo mais. Quando você e o Evandro estão juntos parece que vocês namoram.

-Mas a gente não namora! -Disse incrédula daquilo que ela havia dito.

-Eu sei. Talvez ele goste de você e não quer falar nada. Sabe como é homem. -Ela concluiu.

Aí é que está o problema. Eu não achava que ele gostava de mim. Ele parecia bem seguro do que sentia. Sempre ficava com outras meninas e eu nunca liguei. Eu também ficava com outros caras e curtia essa liberdade. Dava tão certo! Claro que eu gostava dele, não ficaria com alguém que eu odeio. Mas é uma relação moderna, pautada na liberdade. Não é que eu não me apaixonasse por ninguém. Eu apenas não controlava por quem eu não me apaixonava. E definitivamente não estava nem perto de me apaixonar por Evandro.

-Eva -digitei- foi mal cara. Eu não sabia que você queria ir, dá próxima você me fala e se não for uma noite de meninas a gente vai junto. -Foi a melhor forma que achei pra responder.

-Não, não. Relaxa. Não vai ter próxima.

Achei que ele estava falando da próxima balada ou festa. Mas ele estava falando da próxima conversa, porque não me respondeu mais.


-Eu não sei o que eu fiz de errado!

-Ele gosta de você, te falei. -Gabriela disse com aquele ar de "te avisei, eu sei de tudo".

-Mas isso é problema meu? Isso é um problema?

-É problema quando você gosta de alguém e essa pessoa quer ficar com todo mundo inclusive com você? Pode ser que sim né amiga.

-Isso é injusto. Ele é tão bonito e legal. Não quero prender ele. Mas não posso mentir.

-As pessoas às vezes esperam mentiras. Acho que elas preferem isso a ouvir a verdade dolorosa.

-Mas não precisa ser dolorosa. -Disse o que pra mim era óbvio.

-Sofia, olha só eu sei que pra você isso de "relacionamento aberto" é uma coisa simples. Onde todo mundo pega todo mundo e ninguém cobrar ninguém de nada. Assim é um plano legal até, ao meu ver. Mas pra maioria das pessoas isso é ilusão. Algo que você só pode sonhar e nunca concretizar.

-MAS TÁ CONCRETO!

-Não amiga, não está. Vocês combinaram que seria assim?

-Gabi, claro que sim! Você acha que eu seria louca de namorar ele e depois ficar traindo loucamente? Não! Eu falei pra ele que não queria nada sério com ninguém, eu queria curtir e só ficaria com alguém quando me apaixonasse. Ainda não aconteceu, então estou mantendo meu plano. Eu tô tão feliz! Não sei porque certas coisas acontecem pra acabar com a minha alegria... -Fiquei um pouco desolada. E era tão verdade!

Eu não podia me obrigar a gostar de ninguém! E as pessoas sempre me pintaram como boba e apaixonada, sendo que isso não é verdade. Eu posso ser boba e apaixonada pela vida, mas não por todos os homens que eu conheço. Sou aberta a conhecer gente nova e amo a alegria de ter ao amanhecer um dia novo pra viver. Mas por outra pessoa eu só me apaixonei uma vez, não deu certo e terminamos. O que foi mais uma decepção pra todos que me conhecem. Acharam que eu ia sofrer dias intermináveis. Eu realmente fiquei triste, mas passou. Fiquei um pouco culpada por não ter chorado os três meses seguidos que todo mundo esperava que eu fosse chorar.

-É. Então eu não sei mesmo. -Gabriela disse encarando qualquer coisa na frente dela. -Você foi clara com ele pelo que você está dizendo e ele deve ter se apaixonado sem querer. Por isso a situação ficou estranha.

-Eu não acho que seja "sem querer". Desculpa, mas acho que se conducente, ele deixou se apaixonar por mim. Eu não fiz nada pra conquistar o Eva.

-Você chama o cara de Eva... Com certeza você fez ele se apaixonar por você. O seu jeito é esse, você faz todo mundo se apaixonar por você. Lembra do cara da sorveteria?

O cara da sorveteria me amava só porque um belo dia eu fui desafiada a falar "duas casquinhas mistas" o mais rápido possível ao fazer o pedido. A graça seria ver a reação dele ao me ouvir falando rápido e com meu sotaque carioca pesadíssimo.

-Duass caxquinhass mixtass. -Eu disse e ri.

-Isso! Foi uma coisa boba, mas ele passou a te dar sorvete sempre...

-Então eu sou simplesmente apaixonante? -Indaguei me achando um pouco e consertando minha postura.

-Ai que babaca, vai ficar se achando... -Gabi riu.

-Sou culpada disso? Como eu faço pra parar? -Um pingo de preocupação me subiu a mente.

-NÃO! -Ela exclamou bem alto. -Eu sempre falo que gostaria de ser mais eu mesma porque acho essa qualidade ótima em você. Então se alguém se apaixonar por você sendo você, isso não é ruim. É ruim pra pessoa se ela não for correspondida. O que é o caso do Eva. -Ela riu e revirou os olhos ao falar o apelidinho.

-Ai, caramba! É mais difícil ser eu do que eu pensava. -Disse com os olhos arregalados.

-Conversa com ele e sei lá...

-Não faço ideia do que conversar. Nem sei se ele vai querer.

-Se ele não quiser o problema é dele. Tem um monte de boy gato querendo ficar contigo, um só não vai fazer falta.

-Ai que cruel! Depois sou eu a doida do relacionamento aberto, né?

-Não. -Ela gargalhava. -Você não é doida, talvez esteja mais evoluída que as outras pessoas. Ciume é o novo mal do século.

Depois dessa conversa mandei mensagem para o Eva. Não sabia por onde começar.

"Eva, eu queria falar com você. Não sei o que tem feito nessa uma semana que você não fala comigo. Mas acredito que tenha algo errado e não quero que continue assim."

Ele respondeu marcando um lugar pra nos encontrarmos no dia seguinte.

-Oi!

-Olá. -Ele disse com um sorriso super forçado. -Posso ir direto ao assunto ou você quer que eu pegue leve?

Fiquei chocada com a determinação dele. Eva sempre foi meio "não ligo pra nada, não estou nem ai pra nada, não me incomodo com nada, deixa a vida me levar."

-Fale, por favor. -Sorri.

-Não quero mais ficar com você.

Ai. Doeu um pouquinho ouvir assim na lata. Mas eu esperava, então sorri e confirmei com a cabeça.

-Já esperava Eva, só não queria você com raiva de mim.

-Ei! -Ele arregalou os olhos. -Você esperava? Quer dizer que você nem liga?

Houve um pequeno bug no meu cérebro pra entender o que ouvi.

-É... Sim, você ficou sem falar comigo. Então imaginei que não queria mais ficar comigo. Mas eu gosto de você e não queria ficar brigada com você. Nem queria que você ficasse com raiva de mim pra sempre. A gente é amigo, poxa. -Fui o mais sincera e clara que eu consegui.

Ele me encarou um tempinho.

-Gosta de mim como? -Essa não parecia ser sua pergunta inicial. Ele formulou depois daquele tempo pensando.

-Ué, você é legal, engraçado e tá sempre de boa. Eu não gosto de gente que reclama sempre e nada é bom o suficiente. Pra você é como se todo dia fosse bom. E eu também levo a vida nesse estilo. Gosto disso em você.

-Eu também gosto de você.

Pausa para um novo bug. Agora quase uma pane no sistema.

-Eu -ele disse e olhou pra cima- achei que você queria fazer charminho pra "me segurar" e fiquei puto com isso. Não quero uma namorada. Namorei seis anos e fiquei cansado. Agora eu quero algo leve, curtir o outro lado. Entende?

Afirmei com a cabeça, sorrindo.

-Então -ele continuou -achei que era hora de parar de ficar com você, porque achei que você queria me namorar. Achei que você fazia coisas pra eu gostar de você. Você é sempre tão... -ele me olhou- tão carinhosa! Vários amigos me disseram que você ficava com outros caras em festas e eu rezava pra que fosse verdade. Porque não queria -ele sorriu- não quero parar de ficar com você. Mas também não quero namorar e hoje é tão difícil encontrar alguém que aceite algo assim igual ao que a gente tem.

Que fofinho! Ele achava que a gente tinha algo especial. Na verdade eu também achava.

-Ah Eva! Que bom que é isso! Foi tudo um grande mal entendido... Eu posso ser menos carinhosa se você acha que isso é meloso... -e parei um instante ao ver ele balançando a cabeça negativamente- Não é meloso?-Ele negou de novo. -Eu sou realmente muito carinhosa com todo mundo, é meu jeito.

-Eu gosto do seu jeito. Só não quero que você se apaixone e depois eu tenha que te fazer mal, você é uma garota legal.

Será que ele era minha alma gêmea?

-Puxei meu pai, ele é um amorzinho igual a mim. Um dia você vai conhecer ele. Mas ai te apresento como amigo. Porque o sonho da minha mãe é me ver casar e eu até quero, mas só daqui alguns anos.

Gabriela precisava repensar seu ponto de vista sobre relacionamentos abertos. E talvez eu fosse mesmo apaixonante, mas não do mesmo modo pra todo mundo. Eva gostava de mim e eu dele, mas ainda éramos fiéis a liberdade. Ficou tudo na perfeita paz, tipo aquela do pôr do sol.


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9 de set de 2016

Desejo que você tenha quem amar



Essa não é uma carta para atual do meu ex. Não é uma carta para ele. Também não é uma carta para o meu atual que um dia possa se tornar ex. Nem para a pessoa que estará com meu atual caso um dia ele se torne ex. Essa é uma carta bem genérica, mas que eu gostaria de dedicar a você. Apenas troque o gênero das palavras que achar necessário e preste atenção nas coisas que direi. Pelo que vivemos, pelo que viveremos e pelo que não vivemos, estou pedindo. Estou pedindo a você que me ama e a quem não ama também. Ouça-me!

Todas às vezes que ela soltar uma declaração de amor, guarde em seu coração. Podem ser muito raras. E é por isso que elas tem tanto valor. Essa mulher tem uma capacidade incrível de transformar mundos e você não quer perdê-la. Mesmo que você acredite que pode viver numa boa sem ela. Poder, você até pode. Mas você se arrependerá disso no instante que perceber a burrice que fez. Tudo que precisa fazer é reparar nas pequenas coisas. Na forma como ela cede as vontades próprias pra agradar. Não se acostume a isso, admire e agradeça por isso. Também não espere que ela seja uma dama que só senta de perna cruzada. Sério, ela não é e não vai se tornar. Aquele batom que ela usa diariamente não a impede de arrotar e fazer piadas grotescas. Não espere dela o que ela não te prometer.

Quando ele ligar dizendo que não pode ir, mas sem detalhar os motivos, por favor não entre em pânico. Porque pode ser tudo e recebê-lo com um "estava morrendo de preocupação" vai acabar com a noite. Ele pode estar preso no trânsito, pode ter passado na casa da mãe, pode estar preparando uma surpresa, qualquer coisa, menos enganando você. Sim, posso garantir que é o cara mais confiável que eu conheço. Inclusive colocaria minha mão no fogo por ele. Mas ele tem sempre aquele ar misterioso. Sabe gente que diz sem falar? Que cuida sem perguntar "oi, tudo bom?" Pois é, acabou de encontrar. O homem da sua vida. Não ouça o que os outros dizem contra ele. Porque as pessoas acham que sabem de tudo, mas quem está com ele é você.

Não se culpe também se te deixar. De verdade, eu a conheço e sei que ela é assim. Não para com quase ninguém, tem um milhão de dúvidas rodando naquela cabecinha e isso a faz machucar os outros. Ela machuca a si mesma. Porque ela é confusa, ela complicada, ela não sabe o que faz. Não tente ensiná-la do certo e errado. Você não vai conseguir mudá-la. Talvez um dia, quem sabem, talvez ela pegue um rumo que a leve pra algo ou alguém melhor. Mas por ora ela ainda será assim. Uma menina com muitas paixões e sem nenhum apego. E o mais importante é você saber que não deve acreditar que "todas são assim". Ela é assim. Existem milhares de outras que não são assim. Então não se vingue fazendo o mesmo com alguém. Não se isole do mundo por medo de sofrer de novo. Sofrer é até bom.

E esse ai... Bom, ele engana, ele mente, ele faz você se sentir mal. Você acredita que só merece ele. Isso é mentira. Isso é só uma falta enorme de auto estima. Se arrume, saia, conheça pessoas e você verá que ele não é isso tudo. Você verá o quanto é maravilhosa, o quanto é desejada e que não precisa lutar pra ter um amor que você nunca terá. Causas perdidas existem, não duvide. O seu poder de mudar o mundo é incrível, eu sei. Mas gaste ele mudando o seu. Quando ele disser que ninguém te olhará como ele, não acredite. Quando ele ameaçar ir embora quando você diz alguma verdade sobre ele, deixe-o ir. Deixe o que for ruim ir embora. Deixe ficar o mais longe possível de você e se apegue ao bom. Fique com aquilo que te deixa livre, tão livre como se pudesse voar. Essa sensação é possível! Só de imaginar você percebe o como é bom, não?

Talvez o mais importante que eu preciso te dizer é: ame-se! Ame quem você é, o que você passou, por onde você andou, o que te ajudou e tudo que você viveu. Todas as coisas que viveste o fizeram quem é. Eu sei que agora você pode enxergar defeitos que te fazem pensar ser ruim, mas não acredite nisso. Todo mundo é muito bom e muito ruim. Aprenda a ver o seu lado bom. Você pode mudar TUDO o que quiser ai dentro de você. E com relação aos outros, as elas e eles, são só mais aprendizados. Podem ser as piores pessoas que passaram na sua vida e que vão te encher de aprendizados. Mas podem ser as melhores pessoas da sua vida e que não cansarão de te encher de felicidade.

Você é tão legal e tão chata. Você acorda lindo, mas ás vezes é tão feio. Você é a pior e melhor pessoa que eu conheço dependendo do dia. Mas você é você e sempre vai ter alguém pra te amar, inclusive eu.

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7 de set de 2016

Os seus atuais mais clássicos


Koe gente! Tudo bom?

Eu to bem e espero que você também.

Os dias tem passado tão rápido, mas ao mesmo tempo parece que faz muito tempo que não escrevo algo assim mais "conversado".

A dica de hoje é rápida, daquelas assim "vapt-vupt", porém a qualidade é a mesma de sempre! Vem cá conferir!

É difícil indicar música, pois todo mundo tem preferências e tal. Mas eu já me arrisquei nesse post a indicar algumas. Porém hoje escolhi algo diferente, apesar das músicas também serem conhecidas elas estão numa nova versão. Um versão ótima por sinal!

O canal PostmodernJukebox faz covers de músicas bem conhecidas pelo globo, porém não são simples covers do tipo "gravei de novo a música". Eles colocam tudo para um estilo diferente, para décadas diferentes, em ritmos diferentes.

É muito legal ver como uma canção atual cheios de recursos eletrônicos transformada em algo com instrumentos utilizados nas músicas típicas dos anos 60, por exemplo.

Uma das minhas preferidas é Call Me Maybe, mas eles tem MUITAS outras! Então corre lá, dá aquela pesquisada e deixa rolar ai enquanto você aproveita esse feriado em plena quarta!



Se você conhece mais algum canal cheios de covers legais, mesmo daqueles mais comuns: deixe aqui nos comentários. Eu amo! Quem nunca ouviu um cover que era melhor até que o original? haha


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4 de set de 2016

Reconstruir nosso passado


-O que você veio fazer aqui?

-Eu vim falar com você. -Admiti.

-Falar o quê Maíra?

-Eu não sei ao certo, mas eu precisava te ver.

-Você não sabe ao certo? -Ele disse e eu entendi enfim o que era "fuzilar" com os olhos.

-É. Desculpa eu não achei que você ia ficar bravo. -Fui sincera.

-Não ia ficar bravo? Eu ia ficar como? Feliz? Qual seu problema?

Eu não sabia o que responder. Qual era o meu problema?

Alan abriu a porta de casa.

Eu fiquei sentada ali na frente durante pelo menos uma hora e não consegui decidir o que realmente queria dizer. Quando ele chegou virou uma confusão ainda pior na minha mente.

-Entra. -Ele falou já do lado de dentro. Apenas obedeci olhando o chão.

Ele sentou no sofá e me encarou durante um minuto talvez. Respirando fundo. Parecia estar se concentrando no que diria. Até que fechou os olhos e os esfregou.

-Fala alguma coisa.

-Eu estou pensando no que dizer desde que sentei pra te esperar.

-Você deu sorte de eu voltar sozinho. -Ele se inclinou e apoiou os cotovelos nos braços.

-Você ia tá com quem? -Perguntei já me arrependendo. Nossa, sério qual era meu problema?

Voltei a ser encarada. Nunca vi Alan tão calmo num momento de raiva. Ele sempre explodia e gritava. Era algo muito preocupante.

-Você acha que eu te devo o quê? Por favor, não esperava isso de você Maíra. Você sempre foi tão inteligente e madura. Mesmo apesar das suas burrices, isso eu não esperava.

Então eu era burra?

Sim. Eu era.

Conheci Alan há uns 4 anos atrás e nós nos apaixonamos no momento em que nos vimos. Algo doido de se dizer, eu sei. Mas era realidade. Nunca pensei que amaria alguém daquele jeito. Essa coisa de perder o ar, o chão, borboletas no estômago e blábláblá. Aconteceu. Quando percebi estava completamente entregue a ele e ele a mim. Foi o ano mais incrível de toda minha vida. Não sei pensar nem sequer em um dos momentos mais felizes da minha vida em que Alan não estivesse. Era perfeito, nós quase não brigávamos, poderíamos conversar sobre qualquer assunto. Até nossos filhos tinham nome definido. Mas eu estraguei tudo.

Um belo dia conheci outro cara, que não vale nem um pouco apena nomear. Ele parecia tão legal e maduro. Comecei a me questionar se só ficaria com Alan durante toda a minha vida. Isso me soou monótono. Daí todas as minhas amigas me incentivaram a fica com ele. "Ele é mais velho, deve ser super experiente" e "ele mora sozinho vocês vão poder transar até no teto". Com Alan era tudo mais calmo e sereno. Eu queria experimentar algo diferente. Mas o problema não era das minhas amigas nem de Alan. Era meu e só meu. Sabia que estava errada desde o segundo em que disse sim ao ouvir "Quer passar lá em casa?".

Alan não descobriu nada. Mas eu não consegui esconder meu auto desapontamento. Eu me odiava, me sentia a pessoa mais suja do mundo. Terminamos, óbvio. Achei que aquilo seria meu fim, mas não foi. Arrumei algo para me ocupar e nunca mais namoraria na minha vida. Foi a promessa que eu me fiz.

Os meses foram passando e eu via o quanto eu tinha perdido na minha pequena aventura. Um mês se passou e eu quase fui procurar um médico. Porque eu sentia que estava morrendo órgão por órgão. Uma dor lenta e infindável. Mas eu aguentei.

No segundo mês eu achei que tinha superado. Até ver a primeira foto dele com outras pessoas. Não era uma garota, eram duas e mais três amigos. Ele estava... Vivendo. Continuando sem mim. Senti uma leve sensação de desmaio.

No terceiro mês me peguei contando quantas vezes eu pedi pra voltar. Foram umas oito pelo menos. As pessoalmente ele simplesmente disse "não, eu não quero mais ficar com você". E doeu, doeu tanto. As outras que foram por mensagem em momentos sóbrios e outros nem tanto, foram simplesmente ignoradas. Ele nem disse um "vá a merda". Porque se eu tivesse a raiva, o ódio, pelo menos eu teria algo. Mas eu tinha o nada. Não sobrou nada.

No quinto mês foi quando o vi de novo. E alguém me explicou que ele mudara pra algum lugar perto do meu novo segundo trabalho. Eu tinha dois pra me manter fora de colapso. Aquele dia foi o pior dia durante aquele tempo. Ele me olhou e eu me senti como aqueles cachorros abandonados. Ninguém quer cuidar, mas todo mundo fala "poxa é uma pena, tão bonitinho e abandonado".

Décimo mês. Poderia ter gerado uma vida. A minha ainda estava de cabeça pra baixo. Mas caminhando para um rumo melhor. Enfim eu conseguiria morar sozinha.

Décimo quinto mês.

-Oi, Alan.

Meu segundo emprego era de recepcionista e ele estava lá. Numa clínica de depilação. Isso era bom e diferente.

Ele tentou parecer distante.

-Olá, marquei as 14h.

Que droga. Ele ia fingir que não me conhecia! Tudo bem então.

-Ainda não são 14 horas, senhor. Mas assim que estiver disponível chamarei pelo nome. Ou prefere que grite o cpf pra parecer que não nos conhecemos?

Ele arregalou os olhos.

-Pelo nome, você é um horror com números Maíra. -Falou e foi sentar.

Que ótimo. O pouco raiva que construí dentro daqueles segundos se foram.

Peguei um dos cartões com número de contato da clínica e com alguns serviços, e escrevi meu número atrás. Pode ser humilhação. Mas eu tinha que tentar alguma coisa.

Quando ele pagou e eu emiti a nota entreguei também o cartão.

-Obrigada, senhor.

Ele olhou o cartão, depois para mim. Balançou a cabeça e foi embora.

Não ligou.

Terça, quarta, quinta, sexta...

Enfim o telefone tocou.

Era uma mensagem.

-Tem um bar legal perto de onde eu estou morando. Quer ir?

Li a mensagem trezentas vezes, não acreditava. Era impossível.

-Sim, que horas? -Conferi a hora no celular. Eu estava quase chegando em casa.

-Pode ser umas 21h.

-O.k. Eu te encontro lá.

Parecia o encontro da minha vida e de certo modo era.

Não trocamos uma palavra sobre nós. Bebi bem mais do que eu deveria e ele também. Saímos tropeçando de lá e fomos pra casa dele. Numa tentativa ridícula de tentar criar clima para sexo acabamos dormindo.

Saí de lá no dia seguinte o mais rápido possível e minha cabeça martelava.

Uma semana se passou e mais nenhum contato.

Era domingo e chovia tanto. Chorei como se não houvesse amanhã. Eu me sentia a pessoa mais sombria e sozinha. Sei que havia muito mais gente em condições piores. Minha culpa era tanta que eu me agarrava ao amor tão distante que tive por Alan. Que tenho. Ele era meu castigo.

Foi assim que parei na porta da casa dele.

-Eu já pedi desculpa. Por isso não posso pedir de novo. Sei que você não me perdoou pelo o que eu fiz. Mas eu acho tão difícil viver sem você. Meu último ano parece um velório. Todos os dias eu enterro minha felicidade percebendo a sua ausência. -Como a tristeza me deixou poética.

Ele balançou de novo a cabeça. Parecia que queria jogar fora os pensamentos. Eu também queria.

-Eu te perdoei. -Ele disse quando eu o olhei. -Mas não tive coragem de ir até você dizer. Queria que você me esquecesse. Queria que você sentisse o que eu sentia.

-E o que você sentia?

-Raiva, tristeza -fez uma pausa e olhou para o lado -ódio e -mais uma pausa- saudade.

Saudade ficou por último porque com certeza era o que ele mais sentia.

-Bom, eu senti raiva e ódio de mim. Fiquei triste por estar sem você e saudade eu sinto todo dia. Então você conseguiu. -Tentei fazer piada mesmo sem conseguir segurar minhas lágrimas.

-Eu estava certo de que tinha superado. Não pensava em você, não chorei mais, sai com outras mulheres e ai eu te vi aqui perto. Passei a olhar todo dia pra ver se você passava. Assim percebi que eu não tinha superado nada.

A frase final me alegrou um pouquinho.

-Lutei muito contra a vontade de te procurar. Só fiz quando descobri que você trabalhava naquela clínica. Minha ideia era só ver você e não sentir mais nada.

-Essa sua luta foi difícil mesmo. Foram meses de quando eu te vi até você ir lá. -Disse qualquer coisa pra esquecer da ideia dele de me esquecer.

-Foi difícil sim.

Voltei a encarar o chão. Não sei como no bar eu conseguia olha-lo. Era tão difícil.

-Maíra, acho que eu devo desculpas -ele tocou meu queixo e o ergueu. -Você fez besteira sim me traindo com aquele idiota. Mas eu te amava e deveria ter conseguido te perdoar mais rápido. Só que eu não pensava como agora, muita coisa mudou nesse tempo. O que importa é que não deveria ter te deixado sem nada. Ignorar você daquela maneira. E as coisas que eu disse... -eu chorava de soluçar- De verdade, desculpa. Eu fui um imbecil. Fui cruel. Você estava arrependida. Até hoje você deve se culpar. O quanto você tentou voltar... Eu só fiquei assistindo você se humilhar, achando que aquilo era o que você merecia. Como se tivesse cometido um crime. Nós dois erramos e eu mesmo consciente disso não quis dar o braço a torcer.

Era verdade. Ele estava tão certo! Nós dois erramos. Eu errei numa noite estragando tudo e ele errou em todos os meses que não me deixou nem ao menos tentar consertar. Eram erros diferentes, mas eram erros.

-Eu acho que somos muito jovens e temos muito tempo pra fazer do presente algo diferente.

Eu não sabia bem o que queria dizer com isso. Mas ele concordou e me abraçou. E naquele momento todos os problemas se foram. Todo meu mundo voltou a normal. Aquela escala de cores cinzas que tapavam meus olhos sumiram. Voltei a sentir vida em mim. Alan parecia sentir o mesmo pelo jeito que me olhava.

E agora nós teríamos um longo trabalho em reconstruir o passado com um novo presente.


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2 de set de 2016

Não vejo amor nos filmes


Ah, ele nunca foi o cara com quem eu sonhei estar. Sempre pareceu andar no mundo da lua. E isso era estranho pra um cara. Na minha cabeça cheia de preconceitos era estranho. Até o dia que tivemos que fazer um trabalho juntos e precisei ir até a casa dele. Não acreditei quando entramos no quarto e não vi pôsteres do Satr Wars ou Senhor dos Anéis. Na verdade era um quarto normal, com uma esquisita parede amarela. Só uma. Mas tinha vídeo game e uma cama bem confortável, que foi onde eu não sentei. Parecia estranho e errado sentar nela, afinal nós mal nos conhecíamos e eu achava ele bem esquisito. Fala sério, eu falava mal do cara.

Desse dia em diante pude conhecer quem ele realmente era e do que realmente gostava. Apesar daquele jeito esquisito e aquele cabelo grande que eu achava horroroso. Não, essa parte do cabelo não era por preconceito. Mas eu acho que todas as pessoas do mundo deveriam ter cabelo curto. Por isso eu cortava o meu no estilo que as pessoas chamam de "joãozinho". Só que obviamente a população mundial não concordava comigo e muita gente ainda tem cabelo abaixo dos ombros.

O esquisito começou a se tornar legal pra mim. Começamos a fazer tudo juntos e eu percebi que ele não era o tipo de cara que dá em cima de todas as amigas. Primeiro porque ele só falava com outros caras. Segundo porque ele simplesmente queria ser meu amigo, trocar idéias e assistir uns filmes. Pois é! Quando ele me chamou pra ver um filme, também achei que seria outra coisa e me senti uma pateta por ter que "decepcioná-lo" assumindo que meus reais sentimentos eram de amizade. E ele riu dizendo que nunca pensou que não fosse. Acabei indo ver o maldito filme, era o que me restava pra salvar a cagada toda. Virou uma coisa só nossa. E gostei.

Demorou, mas percebi que eu esperava coisas dos homens pelo que eu via na tv, nos filmes e nos livros. Eu esperava um cara alto, forte, loiro, de olhos claros e que me dissesse "você é a coisa mais maravilhosa que já aconteceu em toda a minha vida" e me beijasse. Agora eu paro e penso "POR QUE DIABOS EU QUERIA ISSO?". Não sei com exatidão o momento em que as coisas externas começaram a ser mais importante do que as internas. Não sei quando eu comecei a ignorar o que eu pensava pra poder pensar igual aos outros. Mas houve esses momentos e eu me odeio por deixa-los existirem.

Ele, que por acaso se chama Rafael, me conquistou com as pequeninas coisas que ele tinha e fazia por mim. No início era só "ei pega aqui meu casaco, tá muito frio". E depois "me liga quando você chegar", "cuidado, ai onde você tá é perigoso", "se precisar de alguma coisa fala comigo que eu vou ai correndo". E ele ia correndo mesmo. Até o dia que perguntei "Rafa, você não acha que faz demais por mim?" e ele disse "não, você acha que faz por mim?". Respondi que não. Pois tudo que eu fazia era de coração e não por obrigação. Parecia tão involuntário quanto o bater de um coração.

Muita gente precisou dizer "ah por que vocês não assumem logo que tão juntos?!" pra gente começar a desconfiar dos nossos sentimentos. E olha nunca passei por uma situação tão estranha. Nós dois queríamos falar sobre isso, mas ninguém tinha coragem. Era nítido meus ciumes por ele e o medo que ele tinha de que eu me apaixonasse por alguém e não contasse. Ah a juventude...

Depois de muito conversar, nós combinamos que tentaríamos ficar juntos. Assim juntos mesmo. Como namorados. E eu me arrependi no mesmo segundo que concordei. Nosso primeiro dia de "namorados" foi a segunda situação mais estranha da minha vida. Nós nunca tínhamos namorado e não tínhamos nenhum jeito com nada. Eu tava tão tensa e fiquei tão dura no sofá que fui dormir com dor nas costas. No dia seguinte nem nos falamos. Nós estragamos tudo!

Passamos quase uma semana evitando ir na casa um do outro e chegar perto de qualquer forma. Até que não teve jeito. Era aniversário da irmã mais nova dele e eu não podia faltar. Quando eu cheguei e o vi, quase desmaiei. Ele cortou o cabelo e trocou de óculos. Nossa... Ficou incrível. Claro que eu já não importava tanto assim com aparência, já havia ali um sentimento. Mas a mudança pra melhor veio em uma hora tão boa. Ele reparou minha cara de boba e disse "gostou? É pra parecer que sou um cara diferente. Posto novo, cabelo novo". Depois éramos nós dois novamente. Sem tensão, sem estranheza.

Daí as pequenas coisas voltaram. Eu conseguia enxergar naquele cara o mesmo cara de sempre. O rafa que me ajudava, o rafa que sem dizer nada me pedia carinhos, o rafa que fazia minha vida mais leve e divertida. Era o cara que me permitia ser eu mesma sempre. Sem vergonha, sem medo de julgamentos. E essa história é tão boba, mas tão maravilhosa ao mesmo tempo que ainda não entendo porque algumas pessoas acham que o amor é algo que só está exibidos nos filmes e que tudo que difere não é amor. Relacionamentos reais são diferentes e acredite: quanto menos idas e vindas melhor. A malhação é só uma novela teen.
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1 de set de 2016

A Seleção: procura-se um amor


Semanalmente trago dicas aleatórias, essa semana atrasei, mas ainda há tempo! Hoje falarei sobre: A Seleção.

A Seleção é uma série de livros escrita por Kiera Cass e conta com 5 livros. Mas não eu não vou fazer uma resenha toda minunciosa, nem ser super técnica. Porque afinal de contas é Sabrina que vos fala e eu tenho meu jeitinho pra indicar as coisas. Cola em mim!

Pra início de conversa eu comecei o livro sem saber o que esperar. Eu não conhecia NADA N-A-D-A da história, simplesmente vi a indicação num blog que amo e resolvi ler também. Peguei emprestado (porque em época de crise não ia arriscar comprar um livro que não gostasse) e li os dois primeiros em menos de 48 horas. Sim, eu fiquei impressionada comigo. Caso você leia em menos me conta nos comentários.

Kiera ganhou meu coração com o primeiro livro; A Seleção e o segundo; A Elite. Logo eu quis ler mais. Porém ainda não terminei o terceiro título, A Escolha. Logo não posso falar dele nem dos outros dois ainda. Mas vim aqui esclarecer um fato: o livro não é SOBRE princesas. Pois é... Embora a capa mostre uma menina de vestido longo e tudo mais, não é só isso.

Como boa historiadora, e autora, Kiera criou um mundo por trás de toda a série (que agora darei alguns detalhes). Os dois primeiros livros narram em primeira pessoa a história de America Singer e tudo o que mais cerca sua vida. Essa menina de 17 anos vive num país recentemente formado chamado Illéa. Antes fora o grande Estados Unidos, que foi invadido por chineses, depois recuperado e mudou seu território após a IV Guerra Mundial. Sim o livro está no futuro. Em Illéa os habitantes são divididas em castas de 1 à 8. Sendo a número um a maior, mais rica e menor contendo a família real. Já a oito tem apenas mendigos, pessoas morrendo de fome, rebeldes e são a maior parte da nação.


Mesmo com tudo isso o topo da sociedade consegue inventar algo para gastar o tempo e fazer com que a população acredite que é parte de um todo, não apenas o resto da pirâmide. Esse "algo" se chama A seleção. Onde moças com idades entre 16 e 20 anos mandam um formulário para o palácio contendo todos os seus dados. Esse formulário é avaliado e assim selecionam trinta e cinco meninas para irem até lá disputar o amor do príncipe e a coroa de rainha. Todas essas garotas se tornam pretendentes do príncipe e tem uma série de regras para cumprir. Ao restar um número mínimo de dez candidatas elas passam a ser membros da Elite.

O palácio sofre ataques constantes de rebeldes que querem tomar o trono e de outros rebeldes que apenas são contra o sitema de castas. Então toda a Seleção vira um processo difícil e doloroso. Muitas pessoas morrem e a opinião do público a respeito das candidatas vai mudando ao longo do "concurso". Pois elas são filmadas algumas momentos dos dias para aparecerem no Jornal.

Comecei contando sobre a história geral, pois acho super legal. Claro que o foco do livro é no romance. Mas existe uma história de verdade em toda a série que precisava deixar claro.


América é uma número Cinco que vive com seus pais e irmãos. Numa casinha apertada, são todos artistas, pois as castas também definem a área em que irá trabalhar. Os Seis, por exemplo, são construtores, faxineiros e nunca podem negar ajuda. A personagem principal tem um relacionamento secreto com Aspen Leger, um número Seis. Sua mãe é um pouco mais ambiciosa e com certeza reprovaria se soubesse do romance dos dois. Ainda mais porque infligiam a lei do toque de recolher. A mãe de América queria que a filha se casasse com alguém de casta superior. E também por isso convenceu a filha de se inscrever para a Seleção.

Aspen se achava pouco para América, pois não podia lhe dar presentes entre outras coisas que o faziam se sentir menor que ela. Estava sempre preocupado com o futuro da mãe e irmãos que dependiam muito dele.  Preocupava-se também com seu relacionamento com América no futuro. Se passariam fome, se conseguiriam se manter com ele tendo que ajudar também sua própria família. Assim convenceu a namorada de se inscrever na Seleção. Para não sentir-se culpado de tirar da amada uma chance de ascender socialmente. Até porque as que não se tornassem princesas teriam muitos outros pretendentes após saírem da seleção.

Depois de inscrita, America também ficou solteira. Com todas as questões Aspen acabou por decidir terminar o relacionamento dos dois. E no mesmo dia ela descobriu ser uma das escolhidas para o processo. E estava decidida a ir para esquecer a dor do término e porque sua família receberia dinheiro enquanto ela estivesse no palácio. Algo que realmente precisavam.

Foi por um "engano" que ela acabou conhecendo Maxon, o príncipe. Daí começa a relação tão singular dos dois. Uma Selecionada que não queria estar ali e um príncipe que via na Seleção a única forma de encontrar o amor de sua vida. No início os dois combinaram por ser amigos, mas depois as coisas foram mudando. E tudo que parecia resolvido ficou perdido com a presença inesperada de Aspen no castelo, como guarda do palácio.

Os três livros passam sobre as diferentes etapas da seleção. Quando elas são levadas para o castelo, as eliminações até chegarem a Elite, depois no terceiro livro é feito a escolha por parte do príncipe.

Por isso queria pedir a você, caro leitor, que não julgue o livro pela capa. Pois assim como as pessoas, eles tem um conteúdo que, por vezes, precisa de mais aprofundamento para alcançá-lo. A seleção é esse tipo de livro. Só lendo você descobre o quanto é bom e o quanto quer ler até o final antes de qualquer coisa. Vai muito além de uma capinha bonita. É um livro de um romance que poderia ser real, num época que poderia ser real, com um política que poderia ser real e uma economia que também poderia ser real. Vale a pena!
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28 de ago de 2016

Espalhar amor por ai


-Tá feliz hoje hein! -Brincou Paula.

-Aé, se ainda tivesse 15 anos ia dizer que comeu alguém. -Concordou Ricardo.

-Depois desse comentário você realmente parecem ter 15 anos. -Respondeu Diego que tentou esconder uma risada, mas não conseguiu.

-Fala Di! O que houve? -Perguntou Paula.

-Nada demais. Acho que é coisa da sua cabeça.

-Claro que não é. Você tá mais feliz a semana toda! Bora, eu te conheço há muito tempo pra saber que não é coisa da minha cabeça. Compartilha sua felicidade. Tá apaixonado?

-Sempre esteve né. Aquela mina dele lá. Terminou, mas ele continuou assim. Já falei que tenho o número de vários remédios pra dor de corno. -Ricardo riu da sua piadinha sem graça.

-Eu não sou corno. E NÓS terminAMOS. Foi um acordo.

O assunto acabou quando o chefe chegou. Paula e Ricardo foram para suas mesas e ninguém mais tocou no assunto até a hora do almoço.

-Vocês vão comer aqui ou vão sair?

-Aqui. -Responderam juntos Paula e Diego.

-Ah, eu vou sair. Até já. -Despediu-se Ricardo.

Os dois almoçaram jogando conversa fora, prestando atenção no noticiário e descansando o almoço.

-Eu odeio trabalhar sábado.

-Quem não odeia Paula? Mas daqui a pouco isso acaba.

-Sim. Eu não posso nem arrumar um carinha pra ficar, porque eu só tenho domingo pra descansar. Fico sem cabeça pra homens.

-Homem nenhum quer sua cabeça. -Diego piscou.

-Ai que engraçadão Diego! Quer um prêmio?

-Nossa. O que aconteceu entre hoje mais cedo e agora? Você tava mais bem humorada.

-Nada não.

-Que foi? Não deu?

-Ai que ridículo Diego! Vai pra merda. -Ela disse e começou a encarar a tv.

-Eu estou só brincando. Fiz um gancho com a piada do Ricardo. Mas desculpa, em geral você aceita as brincadeiras.

-Ricardo é um idiota.

-Ele é. Mas deixa isso pra lá.

-Sim, acho que é melhor. Me fala o porquê da sua alegria toda? Você é meu amigo, vai me deixar feliz saber.

-Ah... Não sei se vai não.

-Por que não?

Diego balançou a cabeça.

-É ela mesmo? O idiota do Ricardo tava certo? Não acredito Di! Vocês voltaram? Ah, mas ela é uma vaca!

-Não Paula, ela não é uma vaca. Não quero ficar defendendo meus motivos por ter voltado. O problema deveria ser só meu. Eu só te contei porque você tá realmente curiosa.

-Diego, ela te deixou na merda quando vocês terminaram.

-É isso que ninguém entende. Ela não ME deixou na merda. Nós dois nos deixamos na merda. Nós dois terminamos. Ela foi morar numa cidade muito longe. Não tinha como manter um relacionamento à distancia. Era horrível. Eu ficava puto toda vez que ela não podia e a gente brigava sempre. Era um inferno.

-E agora o que aconteceu? Ela voltou pra cá?

-Voltou.

-SÉRIO?

-Sim.

-E você nem me contou! Caramba...

-Não queria ter que ficar me explicando.

-Tá bom, às vezes eu sou meio mãe. Mas é que você é um dos poucos caras decentes que eu conheço. Ai eu tento te proteger. Vou parar de dizer que ela é uma vaca.

-Obrigado.

-Mas me conta! Como que foi tudo? Ela voltou e te avisou? E ai vocês se encontraram? E o que aconteceu? Você tá apaixonado igual antes?

Ele ficou encarando Paula e o monte de pergunta assustado.

-Diego Almeida, não me esconda nada.

-Não estou acostumado com tudo isso de pergunta. Homens não perguntam isso.

-Vocês homens não perguntam porque não querem. Acho que uns tem medo de achar o amor lindo e desejá-lo para si. Daí eles não perguntam.

-Acho que nós não perguntamos porque não é importante.

-É importante. Bora! Conta logo. Eu gosto de ouvir sobre relacionamentos, justamente porque eu quero um.

Ele riu dela.

-Fala cara!

-Tá bom, tá bom. Quer repetir as perguntas? Eram muitas, eu já esqueci.

-Não. Fala logo, você não esqueceu nada.

-Tá legal. Ela conseguiu emprego aqui e se mudou. Ela veio morar com uma tia. Daí ela me mandou uma mensagem dizendo que estava aqui e queria me ver. E foi isso.

-Ai que sem graça. Você faz tudo ser uma droga. Olha isso, parece um enterro.

-O que você quer? Não sei ser muito detalhista.

-Você não SENTIU nada? Um frio na barriga, uma coisa doida tipo "MEU DEUS ELA VOLTOU!". Ou sei lá... Você sentia saudade dela?

-Claro que eu sentia.

-Então me dê detalhes. Ninguém tá ouvindo, só eu. -E piscou pra que ele entendesse que tudo na conversa seria um segredo.

-Detalhes... Eu não esperava que ela fosse me procurar quando voltasse. Sabia que voltaria, mas não que me procuraria. Nosso término foi tão... Tão ruim. Mas eu ainda gostava dela, mesmo depois de tanto tempo, eu gostava. Quando ela me mandou mensagem fiquei surpreso, porque ela apagava tudo e deletava tudo sempre que brigava com alguém. Ela me odiava. Você acha que eu fiquei mal porque não viu como ela ficou quando o tempo foi passando depois que decidimos terminar.

-Ai tadinha. Mas e como foi o encontro?

-Chamei ela lá em casa. Eu cozinhei e tal.

-AI QUE FOFO! -Os olhos de Paula brilharam imaginando. -Seu pai viu que ela voltou? Ele adora ela.

-É, ele gosta mesmo. Mas não. Ele não tava em casa. Já te falei que às vezes parece que moro sozinho de tanto que ele fica fora.

-É verdade... Continua!

-O que mais?

-Como que foi tudo.

-Ah não Paula, isso é pessoal.

-Para, não quero saber as posições que vocês fizeram. Só como que foi. É uma pesquisa, vou escrever um livro e preciso de muitos casos de amor para me inspirar.

Ele riu balançando a cabeça. Pensou o quanto Paula era doida, mas o assunto estava divertido então tudo bem.

Diego apoiou os braços na mesa.

-Não sei mais o que você quer ouvir. Sei lá... Foi estranho quando ela chegou. Ela conhecia o caminho, então não precisei ir buscar. E porra três anos se passaram. Ela poderia estar completamente diferente. Nem sei como ela aceitou ir pra minha casa. Porque ela sempre foi muito... Tímida não é a palavra.

-Como assim? Pra dar? Ela esperava?

-Sim. Achei que ela ia fazer algo do tipo comigo.

-Ai Diego, vocês namoraram. É diferente. Você não é um estranho. Ela já confiava em você. Não estava ganhando ainda sua confiança. Eu entendo a Bia nesse sentido. Ás vezes eu queria ser mais desencanada e fazer na primeira noite. Mas como eu to sempre em busca de um amor eterno, nunca faço. -E riu de si. -Mas eu não ligo de ser assim. Ela também não deve ligar. Continua, estou anotando tudo mentalmente.

-Pode ser isso. -Pensou. -Eu estava certo em achar que ela estaria diferente. Realmente mudou. O cabelo foi a principal mudança física. Mas internamente ela parecia ter envelhecido uns dez anos. Foi muito madura, aquilo me surpreendeu muito. Nós conversamos sobre tudo. Ela me contou o que tinha feito nos últimos anos -ele olhou pra Paula- você vai me xingar por isso.

-Fala.

-Ela disse que não namorou mais ninguém e eu fiquei feliz.

-Você merece ser xingado. Seu idiota!

Os dois riram.

-Mas você sabe que eu também não namorei ninguém. Tive umas histórias só.

-Como minha mãe diz foram uns "trê-lê-lê". -Paula ria.

-É. Eu achei que ela ia colocar alguém pra me substituir logo. Não sei porque achei isso, mas achei. Com certeza ela ficou com outros caras. Mas o fato de não ter namorado significou que ela ainda gostava de mim também. Entende? Por isso fiquei feliz. Não é porque sou um machista nojento e tudo mais. Esse é o Ricardo.

-Eu odeio esse lado dele. -Admitiu Paula.

-Todo mundo odeia.

-E depois dessa conversa toda?

-Entra a parte que você disse que não queria saber.

-Ah. -Ela arregalou os olhos. -Com certeza não quero. -Paula segurou no braço de Diego. -Estou realmente feliz por você. Pelo visto a Bia não é uma vaca mesmo, ela te faz bem. Quero reencontrá-la também. Na verdade vou conhecer ela de novo. Sem ciume porque me libertei disso. Você é tipo meu irmão, gosto de cuidar de você. Mas assim como meu irmão de verdade eu quero me apegar a sua esposa que vai ficar com você pra sempre pra eu poder confiar meus filhos pra ela ser madrinha e tal. Não quero qualquer uma entende?

-Entendo. -Ele riu.

-Eu estava um pouco desiludida. Tomei um fora por mensagem inacreditável. Seu caso me fez ter mais esperança.

-Quem era? E por quê? Eu conheço? Olha quem não me fala nada.

-Olha quem tá perguntando muito... -Os dois riram- Ah, não Di. Já fui contaminada pelo lado bom da vida. Vamos deixar o outro lado pra outro dia. Já tá na hora de voltar pro trabalho e vou passar minhas anotações mentais pra um bloco de notas.

-Tudo bem.

Os dois sorriram.

-Eu gosto de você porque você não é insistente como eu.

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26 de ago de 2016

Uma história de amor verdadeira


Eu sei que a gente se conhece desde... Desde sempre. Afinal, quando eu ainda estava na barriga, você e meu irmão já corriam pela minha casa. Era sempre difícil de entender porque nas férias você ia pra lugares diferentes. Nunca aceitava quando minha mãe dizia "não" quando eu e meu irmão mais velho queríamos ir juntos nas viagens da sua família. Na minha cabeça todo mundo mundo era uma grande família. Vocês na casa em frente da minha e pronto.

Fui ficando adolescente e mudando, consequentemente. Você a minha frente na idade quase, era bom enfatizar que era quase, 4 anos. E ainda sim nos dávamos tão bem! Meus irmão começou a me odiar e sentir ciume de qualquer pessoa que chegava perto de mim. Então o primeiro namorado que tive foi um horror. Tudo bem, eu tinha 12 anos e não posso dizer que sofri. Mas aconteceu algo que poderia me causar algum, mesmo que pouco. No fim da minha festa -nada tradicional- de 15 anos você quis dar uma de personagem de filme e me deu um beijo. Não era na frente do portão, porque estavam todos lá. E obviamente ninguém poderia ver.

Ninguém precisou saber também que aquele não era nosso primeiro beijo. Porque ele aconteceu anos atrás. Quando eu fui enfim dar meu primeiro beijo estava tão nervosa que achei que ia desmaiar. E daí você apareceu do nada e disse que me "ajudaria". Hoje em dia penso o quão inocente eu era. E o quão sorte eu dei de você ser um cara normal que realmente só me deu um beijo, afinal hoje existem tantos malucos por ai. E o meu primeiro beijo oficial foi tão tranquilo como respirar. Mas o não-oficial foi nervoso e eu tive medo, nojo e do nada passou tudo porque afinal de contas era com você.

Mas voltando a festa de quinze anos... Lembra? Você não me contou que o beijo era uma despedida. Eu era pouco comunicativa e não fazia ideia de nada que acontecia na sua vida. Pois é, você ia se mudar. Tinha sido aprovado numa universidade lá onde Judas perdeu os cadarços das botas. Ou ele acha que perdeu, porque não me lembro de botas com cadarços. Por fim você se foi e eu nunca te disse, mas chorei. Eu me senti uma total banana por estar chorando daquela forma, com direito a soluços e tudo mais. A gente não tinha nada. Eu nem se quer gostava de você. Mas e daí? Eu sentiria falta. E senti mesmo. Por isso ficamos tão próximos virtualmente. O que foi uma bela droga.

Apareceu uma tal de Jéssica na sua vida e vocês tiveram alguma coisa entre o "ficar" e "namorar". Defini dessa forma, pois ela conhecia seus amigos e não os seus pais. De toda forma eu a odeio para sempre e odeio o nome dela também.

Depois de jurar meu ódio. Uns dois anos mais tarde esqueci que Jéssica existia e você também. Porque apareceu um "Jéssico" na minha vida. Na verdade o nome dele era Bruno. E durante os nossos anos de namoro eu achei que ele era o amor da minha vida. Sabe essa coisa de "posso morrer porque já amei?". Eu acreditava veemente que ele era meu primeiro amor, o amor da minha vida, minha metade da laranja e que nós ficaríamos juntos para toda a eternidade. Com esses verbos todos no pretérito você já pôde adivinhar que eu estava errada. Mas na época eu não sabia.

Na época eu amava Bruno. Até minha família gostava um pouco de Bruno. Até meu irmão ciumento começou a suportar Bruno. Daí veio Caio e ninguém entendeu nada. Nem eu, mas eu sabia que gostava mais de Caio do que de Bruno. E eu precisava viver um amor de verdade antes de morrer. Sempre tive essa ideia de que eu ia morrer jovem, alguma maluquice minha tirada de algum filme com certeza. Nem lembro.

Depois de Caio veio o Vestibular. Fiquei muito apaixonada por ele, mas tínhamos um amor meio bandido. E minha família ficou BEM feliz. Realmente desse eles gostaram. Eu posso dizer que amei o término.

Consegui o curso que eu queria e não ficava muito longe de casa. O que era ruim porque eu esperava poder morar sozinha e quem sabe viver num American Pie? Pois é, não segui o ritmo das minhas amigas. Todas elas permaneceram em namoros de 3 anos atrás. Ou seja, eu era a "má influência" na cabeça das mães delas. Mas eu tinha a consciência limpa de que mesmo terminando com um e outro eu não traia ninguém, nem ficava doida pensando em gravidez sem saber quem era o pai. Minha mãe sabia das minhas aventuras e confiava em mim. Eu era uma ótima influência pra quem acredita em influência.

Quando você e meu irmão voltaram comecei a me sentir completa novamente. E viramos parceiros. Agora saíamos juntos e vocês apresentavam os amigos e eu as minhas amigas novas que eram tão boas influências quanto eu. Só que de repente eu acordei e não estava mais no meu quarto de sempre. E sim eu lembrava de tudo. Talvez dessa vez minha mãe não pudesse saber das minhas aventuras.

Foi tão difícil olhar para os seus pais. Em pleno domingo, era óbvio que eles estariam em casa de pijama o dia todo. E eu sozinha no seu quarto que não tinha nada a ver com o que eu lembrava. Não tinha bonecos e figurinhas. Também não tinha mais CD's de bandas e roupas jogadas no chão, nunca entendi aquelas meias embaixo da cama... Agora estava tudo até bem arrumado e sem montantes de coisas em cima uma das outras. Pelo menos eu estava vestida. Com uma camisa que não era minha, mas estava.

-Oi. Bom dia. Dormiu bem?

Quase infartei quando você abriu a porta dizendo isso. Mas depois eu me senti tão em casa, tão em casa que fiquei por lá o domingo todo. E depois no outro domingo e no outro e no outro. Depois eu estava lá na sexta e no sábado também. Segunda e terça você estava na minha casa. A quarta e a quinta eram nossos dias de "folga". Não conseguia nem pensar direito naquilo que estava vivendo. Afinal de contas pra que pensar?

Do nada alguém perguntou "vocês namoram há quanto tempo?". E me vi respondendo que nosso casamento era em menos de 6 meses. Enfim parando pra pensar eu vejo o quanto o tempo voou. O quanto você fez com que as coisas se tornassem tão simples e tão fáceis que eu não conseguia sentir peso. As minhas ideias de morte. Ou o sonho do American Pie sumiram. Tá bem, ainda tenho vontade de fazer um reencontro do ensino médio. Mas aí você seria meu marido gostoso que todas as meninas teriam inveja. Foi sem esperar que eu encontrei o amor que eu tanto queria. Foi só muitos anos mais tarde que eu percebi que não amava nem Bruno, nem Caio, nem Thiago e muito menos aquele Fernando. O quê? Não falei deles? Não importa. Importa que eu te amo e não, não tem motivo pra falar deles. Acredite.
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24 de ago de 2016

5 Dicas de organização


Koe gente!
Como tradição de quarta-feira, venho aqui trazer dicas marotas para você leitor. Mas aviso que não sou expert em nenhum assunto dos quais dou dicas. Sou apenas uma pessoa mundana que gosta de ajudar e tenta fazer isso da melhor forma possível. Vamos lá?

Você tem problemas em fazer seu dia render? Ou em manter seu quarto organizado? E você que mora sozinho e acha que a casa produz sujeira de uma maneira misteriosa? Eu trago aqui um compilado de dicas bem simples para acabar com seus problemas. Mas tem que seguir direitinho tá?

1) Faça listas.
Nesse outro post de dica, falei de listas. Elas são ótimas para todo mundo que pretende se tornar mais organizado. Faça listas de como quer organizar seu dia. Pode ser no papel, ou no computador, da forma que preferir. O importante é que anote toda a sua "programação" para o seu dia. Se puder colocar horários é ainda melhor. O dia se torna mais produtivo, assim que você termina uma "tarefa" já sabe qual a é a próxima a ser feita. Quando perceber não terá procrastinado, terá feito tudo e sentirá aquela coisa boa de "dever cumprido".

2) Focar numa coisa só.
Quando for cozinhar, apenas cozinhe. Quando for arrumar o quarto, apenas arrume o quarto. Não misture as tarefas, pois isso dá a impressão de que elas são bem maiores. Se for fazer algo grande, tipo arrumar o armário, não tire tudo de dentro para então começar a arrumar. Tire um lado, arrume. Se estiver disposto esvazie mais um lado e arrume. Se não estiver, deixe para outro dia. É melhor arrumar uma metade do que parar e ficar horas no celular com preguiça de terminar e olhando a zona no chão.

3) Mantenha as coisas num lugar fixo.
Isso pode ser difícil para algumas pessoas, mas é questão de hábito. Quando você usar um copo, lave-o imediatamente após o uso. Ou quando está procurando roupas para sair (naquele armário que você já aprendeu a como arrumar sem procrastinar no celular) coloque as peças que não estão no seu corpinho no lugar novamente (dobradas por favor). Nunca saia deixando bagunça para trás. Isso vira uma bola de neve ao longo da semana. Fazendo isso você não precisará mais fazer arrumações GIGANTESCAS que duram horas, só em caso de retirar itens para doar. Tudo vai estar sempre arrumado e você não vai ficar se cobrando "preciso arrumar aquilo".

4) Ter rotina fixa para arrumar/limpar as coisas.
Boa parte das pessoas tem uma rotina, por mais simples que ela seja. Ir para aula todo dia, ou trabalho, ou alguma coisa. Então se você estuda e mora com os pais pode assumir tarefas só suas. Por exemplo tirar pó dos móveis. Definido isso, uma vez na semana você tirará o pó dos móveis. Isso é bom porque estará ajudando e porque não haverá acumulo de pó, tornando a tarefa sempre fácil e demandando menos tempo do que se deixar acumular 1kg de pó em cada prateleira. Agora se você mora sozinho terá que administrar mais tarefas, recomendo que faça uma em casa dia. Coisas como varrer, passar pano, aspirar casa e lavar banheiro são demoradas, por isso é bom separar. Cansa menos e não incita preguiça para fazer as demais coisas que uma pessoa que mora sozinha terá que fazer.

5) Se permitir falhar.
Não serão todos os dias de todas as semanas que você conseguirá manter sua vida perfeitamente organizada. Muitos bagunceiros em transição tem problemas com isso. Tudo que é levado ao extremo é ruim. Não dá pra ser perfeito. Algumas vezes você vai querer deitar e assistir Netflix o dia inteiro. E ai? Dane-se a arrumação e a limpeza? Sim, dane-se! A vida é muito curta para perdermos AQUELE episódio a mais. Se você se "comportou" bem a semana toda o que um diazinho te trará de mal? É só não fazer disso um hábito e voltar para aquela bola de neve de desorganização e "pelo amor de Deus cadê meu carregador?"


Espero que tenham gostado e se tiverem algo para compartilhar deixem aqui nos comentários.


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19 de ago de 2016

Não é você, sou eu


Depois que você me disse bem em cima da hora que não poderia me ver, comecei a desconfiar. "Será que ela estava saindo com outra pessoa?" Pensei. E tudo bem, é um direito seu. Já passamos da fase de dizer que mulher não pode isso ou aquilo. Mas não era isso que eu estava buscando. Após uma boa fase de balada pra provar pra minha ex que eu superei o término, queria entrar na de buscar um novo relacionamento. Sou um cara bom para relacionamentos. Meus amigos discordam, mas tenho certeza que pelas minhas costas eles sabem que não jogo bem no time dos solteiros.

Você sempre demorava respondendo as minhas mensagens. Ás vezes levava quatro horas pra responder uma pergunta simples como "tudo bom?". Nunca entendi o que tanto fazia. Sempre tão ocupada. Mas tudo bem, não ia tirar conclusões precipitadas. Sou mais do tipo que espera a pessoa dizer com todas as letras. Sei que isso pode ser considerado defeito. Mas pra mim não. E eu, assim que lia as mensagens, respondia com toda vontade de começar uma conversa interessante. Exatamente como no dia em que nos conhecemos. Daí passavam mais horas e horas até ter uma nova resposta vazia.

Quando eu fiquei de saco cheio, desculpe a sinceridade, simplesmente parei de responder. Você entrou para uma lista de mulheres que não fiquei e que por algum motivo valia a pena guardar o número. E quando eu te encontrei bem no meio daquele ônibus cheio preso num engarrafamento, não poderia dispensar uma conversa com alguém conhecido.

"Oi!"
"Oi."

E fez uma cara que dizia "não fale mais uma palavra". Até tentei, mas não teve jeito.

No dia seguinte me enviou mensagem, perguntado porque havia falado com você no ônibus se eu não tinha nenhum interesse. Como assim? Foi você quem fez das conversas uma espera insuportável. Esperar por um "estou bem e você?" é demais pra mim. O desinteresse parecia ser seu. E acho que passei da idade de fazer tais cortejos. Gosto de quem conversa de verdade. Fala sobre a vida, filosofia, sonhos, futuro, medos e tudo. Gente que não tem medo de ser intensa e mostrar quem é. Mesmo nas coisas mais bobas.

Você tinha medo que eu me interessasse por você e por isso cortou qualquer micro interesse que eu pudesse criar. Tinha medo de parecer "desesperada", você disse. E por quê? Não entendo porque demonstrar querer o que realmente quer é desespero. Então se eu quero transar com você eu primeiro preciso fingir que te amo? Depois dou um pé na bunda? E se eu quero alguma coisa séria preciso fingir que na verdade só quero trepar e que você é só mais uma? Dá onde veio essa lógica da enganação? Sim quer dizer talvez, não quer dizer sim e talvez quer dizer não? Fico sempre perdido nesses novos significados atribuídos para essas palavras.

No fim das contas você entendeu que comigo pode ser quem você é. Se você gosta de passas no seu cachorro-quente eu não irei julgar. Se você quiser me ligar do nada, pode ligar. Ou se quiser dizer que lembrou de mim com o filme, não verei problema. Eu também lembro. Já consigo associar seu nome a músicas. Sabe aquela? Saaara, Saaaaaaara? Daquela banda Starship. É única deles que eu conheço e ouço.

Peço a você que se o interesse acabar, não me diga em códigos. Fale a verdade, ou use um que já seja universal se preferir de discrição. Algo como "o problema não é você, sou eu". Vou entender. Já passei por isso e é mais fácil usando a honestidade. Mas se for pra ficar comigo, seja você. Não tente ser um tipo padrão de pessoa que parece estar sempre em jogo de blefes e apostas e toda essa coisa chata que elimina toda a diversão. Se é pra viver que viva!

"Eu gosto de você, você gosta de mim?" Perguntei e ouvi sim. Espero que tenha entendido que o sim é realmente sim.


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17 de ago de 2016

Conhecimento é poder - House of Cards


A dica dessa semana é de série, uma série que eu AMO e me sinto na obrigação de indicar pra todo mundo que eu conheço: House of Cards. Como de costume farei aquela listinha dos motivos para você  ir correndo assistir.


Criada por Beau Willimon, essa é uma série política que narra a história de Francis Underwood (Kevin Spacey), um político sem limites pela busca do poder. Após não receber o cargo de Secretário de Estado que fora prometido, Frank contará com sua esposa Claire Underwood (Robin Wright) em suas tramas para se vingar. Corrupção, mentiras, segredos revelados, mortes e tudo pode acontecer para que esses dois ganhem o mundo. E, obviamente, como nem tudo são flores vemos que as consequências desses atos nem sempre são justas.

Original da Netflix a série ainda está em curso tendo começado em 2013, ela contém 4 temporadas completas e tem previsão de estréia da quinta para 2017. Cada temporada contém 13 episódios com 55 minutos aproximadamente.


1) Surpreendente
Essa série é bem mais do que você espera. Quando eu comecei a assistir achei que não entenderia nada. Afinal política definitivamente não é minha área. Porém eu me surpreendi a cada episódio. Foi muito fácil entender a trama, até porque ela te envolve daquele jeito de perder o fôlego. E ás vezes você se perguntará "o que mais pode acontecer?". Parece que não tem saída, não tem jeito e ai tem saída e tem jeito. E tem mais e mais e mais coisas acontecendo. Sem encheção de linguiça, é história de verdade.

2) Ensinamentos
São vários aprendizados em história e relações políticas. As coincidências dá série com o cenário político do Brasil são assustadoras. Depois de assistir você vai entender tudo de Trump e Hilary. Vai saber como funcionam as eleições nos Estados Unidos da América, vai perceber quantas coisas iguais já aconteceram aqui no nosso país. Isso tira a inocência de qualquer um. E por fim você descobrirá que sim o conhecimento é poder.

3) Claire
Minha relação de amor e ódio com essa personagem é absurda. Arrisco-me a dizer que você, caro leitor, sentirá o mesmo. Ela não é a típica esposa-de-político-bela-recatada-e-do-lar. Ela não está em nenhum cargo público, porém participa de tudo que o Frank faz. Desde o início é a família de Claire que financia a candidatura de Underwood. Com o andar das temporadas você perceberá que a personagem é muito mais ambiciosa do que parece. Ela é forte, faz a linha policial bonzinho quando o Frank banca o mau. Todas as vezes que ele não consegue algo é ela quem consegue por ele. Ou quando ele não consegue é porque ela atrapalha (está aí o motivo da meu ódio). Essa personagem é o toque feminino necessário para série ter vida. Mas um toque feminino da mulher atual, não aquela coisa de sexo-frágil. Há muitas outras mulheres de personalidade que você não se arrependerá de conhecer nessa série.

4) Frank
Sou fã de carteirinha porque ele não tem limites. Frank faz de tudo para conseguir o que quer e consegue. É inacreditável como de um limão quase podre ele consegue fazer caipirinhas magníficas. Um protagonista "vilão" foge um pouco do padrão e é mais um item que surpreende, afinal as chances de você torcer contra esse cara são mínimas. Ele é o personagem que te fará acreditar que você pode chegar lá. Mesmo que ele não siga as regras. Determinação é tudo. Ah, pode ser que você queira ser ele também. Igual quando assistia desenho. Ele é quase um super herói da vida real e nenhum ator faria melhor esse personagem do que Kevin Spacey.

5) Fazer você parecer bem mais inteligente
Pode ser bobo, mas e daí? Quem não gosta de ser bobinho ás vezes? HOC é realmente uma série que te fará pensar e por isso ficará mais esperto em alguns assuntos. Pode pagar de cult um pouquinho na rodinha dos amigos. Como disse no item acima, ela te trará aprendizados. Em história, na política, nos jogos de poder, relações internacionais e mais. Se conseguir seguir o exemplo de Frank certamente fará da série motivo de muitas conversas e discussões inteligentes.
 


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